Política
Lei garante sustentabilidade ambiental e qualidade de vida nos bairros
Moradores do Gralha Azul e da Vila Cipa destacam as melhorias que as obras realizadas por meio do EIV garantiram nos bairros
João Bobato | 20 de junho de 2026 - 06:50
Os quase R$ 70 milhões em investimentos aprovados nos últimos três anos demonstram que o instrumento já produz resultados concretos. Escolas, novas ligações viárias, melhorias no sistema de mobilidade e obras de infraestrutura são exemplos de benefícios que chegam diretamente à população.
Em uma cidade que se consolida como um dos principais polos econômicos do Paraná, o Estudo de Impacto de Vizinhança surge como uma ferramenta essencial para garantir que o desenvolvimento continue avançando sem perder de vista o planejamento urbano, a eficiência dos serviços públicos e a qualidade de vida dos ponta-grossenses.
De acordo com a coordenadora dos estudos de impacto de vizinhança, Jéssica Salles, o objetivo da lei é assegurar que o crescimento urbano ocorra de forma ordenada, sustentável e compatível com a capacidade da infraestrutura existente, analisando aspectos como mobilidade urbana, sistema viário, demanda por serviços públicos, equipamentos comunitários, meio ambiente, paisagem urbana e qualidade de vida da população.
“Ao longo dos anos, a aplicação do EIV demonstrou sua relevância como ferramenta de gestão urbana, permitindo que novos empreendimentos contribuíssem para melhorias na infraestrutura da cidade por meio de medidas mitigadoras e compensatórias. Em diversos casos, os estudos resultaram em investimentos privados voltados à mobilidade urbana, áreas de lazer, equipamentos públicos e melhorias viárias, promovendo um desenvolvimento urbano mais equilibrado”, explica Jéssica.
Posteriormente, a regulamentação do instrumento foi aperfeiçoada pelos decretos municipais nº 25.135/2026 e nº 26.576/2026, que atualizaram procedimentos relacionados à tramitação, análise e acompanhamento dos estudos, buscando conferir maior eficiência, transparência e segurança jurídica aos processos. Jéssica explica que essas atualizações reforçaram o papel do EIV como instrumento fundamental para compatibilizar o desenvolvimento urbano com a preservação da qualidade de vida da população e a adequada utilização da infraestrutura urbana existente.
“Dessa forma, o EIV consolidou-se em Ponta Grossa como um dos principais instrumentos de planejamento urbano, permitindo que o desenvolvimento econômico e imobiliário ocorra de maneira compatível com os interesses coletivos da população, contribuindo para uma cidade mais organizada, sustentável e preparada para o crescimento futuro”, finaliza.
Aplicação do EIV
A implementação de um Estudo e Relatório de Impacto de Vizinhança permite que a expansão urbana aconteça de forma responsável. Sem essa ferramenta, os riscos de problemas como aumento da poluição, trânsito caótico e degradação ambiental seriam muito maiores.
Além disso, o EIV incentiva um planejamento mais consciente, que respeita a história e a natureza dos bairros. O Estudo de Impacto de Vizinhança ajuda a sociedade a crescer sem sacrificar a qualidade de vida dos cidadãos.
O EIV analisa diversos aspectos que podem afetar a vizinhança. Entre os principais itens analisados está o impacto no tráfego. Isso porque o aumento de veículos devido ao novo empreendimento pode causar engarrafamentos, acidentes e até dificultar o acesso dos moradores às suas próprias casas.
Além disso, o Estudo de Impacto de Vizinhança também analisa as demandas por serviços públicos. Por exemplo, a construção de um novo condomínio residencial com 300 apartamentos significa que mais pessoas precisarão de serviços como escolas, hospitais e transporte público. Nesse sentido, é responsabilidade do EIV identificar e indicar a necessidade de alguns desses serviços.
O Estudo de Impacto de Vizinhança também analisa a questão da segurança no local onde a obra será feita. Isso porque o aumento da circulação de pessoas pode afetar a segurança da região. Sendo assim, o EIV ajuda a identificar medidas para garantir que a área se mantenha segura.
Outro ponto que o Estudo de Impacto de Vizinhança analisa é o impacto ambiental. Além do impacto imediato, os empreendimentos podem ter efeitos de longo prazo na flora, na fauna e nos recursos naturais locais. Muitas vezes, é necessário um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) em paralelo.
O Instituto Água e Terra (IAT) atua como órgão responsável pela análise ambiental de empreendimentos que requerem avaliações complementares, como o Estudo de Impacto Ambiental (EIA), caso o projeto também interfira no meio ambiente. Contudo, o EIV é tratado diretamente pela prefeitura local, que avalia as condições urbanísticas e de vizinhança.
Por fim, o EIV também leva em consideração os riscos para o patrimônio cultural. Isso porque, em áreas com construções históricas, é essencial verificar se o novo empreendimento pode comprometer o valor histórico e cultural do local.
Comunidade exalta benefícios
Um exemplo prático das melhorias causadas pelas obras realizadas por meio do Estudo de Impacto e Vizinhança é a comunidade do Gralha Azul e entorno.
De acordo com informações do presidente da associação de moradores do Gralha Azul, Marcos Oliveira, o bairro tem sido beneficiado de maneira relevante, pois a mobilidade urbana melhorou, visto que existia apenas uma saída da vila e hoje existe uma rota alternativa que tem ajudado consideravelmente todos os moradores.
“Já na área de infraestrutura, podemos receber a notícia da pavimentação, que toda a comunidade tem aguardado. A comunidade do Gralha Azul conta hoje com duas praças, um campo society, uma sede comunitária da associação de moradores (em fase final de construção), unidade de saúde, escola e CMEI. Então, sempre toda a comunidade, por meio da associação de moradores, tem lutado em parceria com o poder público para que as coisas continuem acontecendo na nossa região”, explica Marcos.
Marcos ainda explica que o EIV fez com que a região do Gralha Azul se valorizasse, atraindo investidores imobiliários. Isso porque hoje existem, em torno da vila, seis condomínios, entre fechados e abertos, e mais um em construção. Sendo assim, o crescimento e desenvolvimento da região já têm sido alvo de investidores que acreditam no potencial da região.
Além disso, a moradora da Vila Cipa, Susana Vieira, destacou que o bairro tem passado por grandes transformações urbanas que estão contribuindo significativamente para o desenvolvimento da região.
“Entre as principais mudanças está a implantação da Universidade Unicesumar, que aumentou a circulação de estudantes, trabalhadores e visitantes. Outro marco importante foi a ligação entre a Vila Cipa e o Residencial Campo Bello, incluindo a construção da ponte sobre o arroio Olarias, reduzindo distâncias e melhorando a mobilidade entre os bairros”, explica Susana.
Também foram realizados investimentos em pavimentação asfáltica e melhorias na infraestrutura viária, proporcionando melhores condições de circulação, mais segurança e valorização da região.
Por outro lado, Susana também destaca os aspectos negativos do crescimento do bairro. “Esse crescimento exige que novos investimentos sejam realizados em segurança viária, incluindo sinalização adequada, redutores de velocidade, faixas de pedestres e readequação dos cruzamentos, garantindo que o desenvolvimento continue de forma segura, organizada e sustentável para toda a comunidade”, finaliza.
Importância do EIV
O Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) é um instrumento de planejamento urbano previsto pelo Estatuto da Cidade (Lei Federal nº 10.257/2001), destinado a avaliar previamente os impactos que determinados empreendimentos ou atividades podem causar à região onde serão implantados.
Confira o resumo da notícia
Resultados práticos e melhoria na qualidade de vida: Os quase R$ 70 milhões investidos nos últimos três anos via EIV geraram benefícios diretos para a população de Ponta Grossa. Bairros como o Gralha Azul e a Vila Cipa ganharam novas rotas de mobilidade (como a ponte sobre o arroio Olarias), pavimentação, áreas de lazer, escolas e unidades de saúde, o que também atraiu o interesse do setor imobiliário e valorizou essas regiões.
Abrangência das análises e gestão de impactos: Regulamentado pelo Estatuto da Cidade e aperfeiçoado localmente por decretos municipais em 2026, o EIV atua de forma preventiva antes da liberação de grandes obras. O estudo analisa múltiplos fatores cruciais para a vizinhança, como o impacto no tráfego, a nova demanda por serviços públicos (saúde, educação e transporte), a segurança local, a preservação do patrimônio cultural e os impactos ambientais (que contam com o apoio do IAT quando necessário).
Desafios do crescimento e sustentabilidade: Embora o avanço industrial e imobiliário consolide Ponta Grossa como um polo econômico paranaense, moradores e especialistas apontam que a expansão acelerada traz novos desafios. Para garantir um desenvolvimento sustentável e seguro, o município precisa continuar utilizando o EIV de maneira estratégica, exigindo investimentos contínuos em segurança viária, sinalização e adequação da infraestrutura existente para acompanhar o aumento no fluxo de pessoas e veículos.