Professor Gadini quer criar ‘renda solidária’ em Ponta Grossa

Candidato do PSOL destaca projeto de ‘cidade solidária’ e salienta compromisso com o propósito de política como “serviço comunitário”

De volta à cena pública após quatro anos, Professor Sérgio Gadini vai representar o PSOL na corrida eleitoral pela Prefeitura de Ponta Grossa em 2020. Com chapa pura, o PSOL buscará manter o bom desempenho eleitoral obtido no último pleito (mais de 12 mil votos) com um projeto de ‘cidade solidária’ e alternativas no debate sobre diversos temas caros ao futuro do município. 

Professor de carreira da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Gadini disputou um cargo público pela primeira vez em 2016, quando conquistou o melhor desempenho do PSOL na história das eleições municipais - o partido participa da disputa pelo comando do Palácio da Ronda desde 2008. No pleito deste ano, Professor Gadini quer apresentar um projeto alternativo, ligado aos temas sociais. 

Entre as propostas do pesolista está a criação de um programa de renda mínima para os cidadãos carentes da cidade, além do corte em cargos comissionados e outras ações para viabilizar economicamente a gestão do município. Além disso, Gadini fez questão de ressaltar a luta do PSOL por um transporte público de qualidade e contra a precarização dos serviços públicos. 

Acompanhe a sabatina a seguir: 

Jornal da Manhã: Qual é o projeto do PSOL para uma Cidade Solidária?

Professor Sérgio Gadini: Com a pandemia, a solidariedade nunca se fez tão necessária. No mundo todo, a pandemia aumentou a desigualdade e expôs indicadores de pobreza de uma forma muito mais explícita. No Brasil, isso não é diferente. É possível observar diversos pedidos de apoio por parte de milhares de pessoas. A solidariedade enquanto eixo para recuperar as relações sociais é o que sustenta nossa proposta. A primeira referência que tenho é uma motivação e um desafio pessoal. Sou professor e o meu compromisso com o PSOL é a ideia de que política é um serviço comunitário. Isso significa que não é preciso ter remuneração. Meu compromisso como candidato é que, se eleito, pretendo continuar com a carreira de professor, abrindo mão do salário de prefeito.

JM: O que o PSOL considera como ‘Programa Solidário’ para a cidade?

Professor Gadini: A proposta de uma cidade solidária consiste na ideia de política como forma dedicação ao interesse público. A primeira alternativa que temos neste sentido é a criação de um programa de renda solidária para a cidade. A ideia é incluir milhares de pessoas, a partir do próximo ano, em um sistema de renda complementar à renda nacional. Este formato de renda justa está em sintonia com o PSOL nacional, que propõe que esse valor seja permanente a partir de agora.Com o aumento da pobreza, a redução do espaço de trabalho remunerado e as circunstâncias da reforma da Previdência, o PSOL propôs este formato do programa Renda Justa. Em Ponta Grossa, cerca de 50 mil famílias estão incluídas no CadÚnico atualmente. No nosso mapa seria possível incluir, inicialmente, cerca de 10 mil pessoas deste cadastro, com uma renda complementar de pelo menos R$ 100. Este valor traria um pouco de auxílio para essas pessoas que recebem os benefícios nacionais. Quando pensamos em inclusão social, é preciso considerar que uma parcela expressiva da população não tem renda. Temos uma tabela gradual de inclusão, que consiste em um aumento gradativo no número de pessoas beneficiadas por esta renda complementar a cada ano. Temos um plano para quatro anos de governo, não de reeleição. O PSOL não disputa funções públicas para se eternizar. O partido deve apresentar candidatos na sequência, mas, se eleito, cumpririra o mandato e retornaria para as minhas funções como professor. 

JM: Qual seria a origem do dinheiro para essa proposta? 

Professor Gadini: A nossa meta é beneficiar até 18 mil pessoas até o final de quatro anos. O sindicato dos servidores tem uma proposta de cortar cerca de 60% dos cargos comissionados. Caso sejam cortados 180 dos 310 existentes hoje, há uma estimativa de economia de cerca de R$ 1 milhão. Só com isso já seria possível cobrir esse programa em um momento inicial. No entanto, nós temos outras propostas complementares que são econômica e politicamente defensáveis. Existem outros municípios que realizam programas de inclusão social. Estes programas visam fazer com que esse crescente número de trabalhadores autônomos tenham condições de sobreviver. Temos três outros indicadores de receita que pretendemos ampliar gradualmente. Tudo faz parte de um estudo detalhado que mostra a viabilidade deste tipo de programa.

JM: Como o PSOL quer incentivar o crescimento econômico da cidade?

Professor Gadini: Temos como proposta associada à renda justa, a instituição de um banco comunitário. Esta iniciativa possibilitaria empréstimos à juro zero, praticamente, para autônomos e micro/pequenos empreendedores. Isso favorece a geração de empregos e renda para milhares de famílias presentes nos bairros de Ponta Grossa. É preciso descentralizar os projetos na cidade, tirá-los do eixo central. O município necessita de projetos de inclusão e redinamização econômica nos grandes bairros.

JM: O senhor pretende cortar cargos em comissão da Prefeitura?

Professor Gadini: A Prefeitura de Ponta Grossa é que mais tem cargos comissionados entre as cidades médias do Paraná. Os números apontados pelo Sindicato dos Servidores nos possibilitaria este início de um programa de inclusão solidária. É preciso recuperar setores estratégicos através de concursos públicos. Se no nosso mapa, é possível avançar além dessa redução de 60%, é porque cidades como Londrina e Cascavel tem um número muito menor de cargos em relação a Ponta Grossa. Foi feito muito pouco para solucionar esses problemas centrais da cidade.

JM: O que o PSOL planeja para o transporte público?

Professor Gadini: No nosso modelo de gestão, é preciso abrir a ‘caixa-preta’ do transporte público de Ponta Grossa com uma pré-estrutura de fiscalização. Desde 2002, na assinatura do contrato, até a ampliação dele em 2012, não se fala em fiscalização deste contrato. Esta é a primeira coisa que faremos. A respeito da renovação de contrato, é preciso discutir abertamente com as pessoas para buscar um modelo alternativo mais eficaz, que assegure qualidade para o transporte público no município.

JM: Como o PSOL se posiciona sobre temas nacionais?

Professor Gadini: Nosso partido é uma frente de resistência às políticas de desmonte e desrespeito do atual governo. Um governo que silencia diante das queimadas na Amazônia e no Pantanal e que minimiza o impacto de cerca de 140 mil mortes por Covid-19. O PSOL também resiste contra a esta frente de desrespeito aos grupos minoritários. Essas pessoas, historicamente desprestigiados, vem sofrendo ainda mais neste governo. O PSOL assume essa bandeira nacional e defende o direito à cidadania para todos e todas.

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