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Igrejas precisam ser ouvidas sobre o tombamento

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A discussão sobre o tombamento de igrejas católicas em Ponta Grossa precisa ganhar uma dimensão muito maior do que a tramitação de um processo administrativo. Trata-se de um tema que envolve história, fé, identidade cultural, memória coletiva e, sobretudo, o direito das comunidades de participarem das decisões sobre espaços que ajudaram a construir e preservar ao longo de gerações.

A mobilização liderada por representantes religiosos e pelo vereador Ezequiel Bueno, que já reuniu quase 4 mil assinaturas contrárias ao tombamento, demonstra que existe uma preocupação concreta entre os fiéis. Esse movimento não pode ser ignorado pelo poder público, tampouco tratado como uma simples resistência a políticas de preservação histórica.

É preciso reconhecer que as igrejas representam muito mais do que construções arquitetônicas. São espaços de convivência, acolhimento, celebração e organização comunitária. Muitas delas foram erguidas com o esforço financeiro e o trabalho de famílias inteiras, que transmitiram de geração em geração o compromisso de manter vivos esses patrimônios de fé. Portanto, qualquer iniciativa que possa interferir na gestão e nas possibilidades de utilização desses espaços precisa considerar, necessariamente, a vontade de quem os mantém.

Isso não significa desconsiderar a importância da preservação histórica. Ponta Grossa precisa valorizar sua memória, proteger edificações relevantes e reconhecer a contribuição das instituições religiosas para a formação da cidade. Entretanto, preservar não pode significar impor decisões sem diálogo, transparência e participação efetiva das comunidades envolvidas.

A mobilização das igrejas, nesse contexto, precisa ser ampliada. Padres, bispos, lideranças, conselhos paroquiais, fiéis e representantes de diferentes denominações religiosas devem participar ativamente da discussão. É fundamental que as instituições promovam reuniões, esclarecimentos e campanhas de informação, para que a população compreenda o que está em debate, quais são as consequências de um eventual tombamento e quais direitos permanecem assegurados às entidades religiosas.

Também cabe à Prefeitura assumir uma postura de ampla transparência. O processo, seus fundamentos técnicos, os imóveis envolvidos, os pareceres e as possíveis restrições precisam ser apresentados de maneira acessível à sociedade. Não basta aguardar reuniões do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural. É necessário dar publicidade ao debate e garantir que as comunidades tenham voz antes de qualquer decisão.

A aprovação de uma legislação que condiciona o tombamento à autorização expressa das entidades religiosas reforça a necessidade de respeitar essa participação institucional.

O patrimônio histórico pertence à memória coletiva, mas as comunidades não podem ser afastadas de sua preservação. Ponta Grossa precisa encontrar um caminho que concilie história, cultura, liberdade religiosa e autonomia. Essa construção só será legítima se acontecer às claras, com informação, diálogo e respeito.

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