Editorial
A trincheira do San Martin precisa ter prazo de validade
Da Redação | 23 de setembro de 2026 - 02:11
A interdição da trincheira do Núcleo San Martin, a partir de hoje (23), para a substituição do pavimento asfáltico por concreto, é necessária. Mas também é mais um retrato de um problema que Ponta Grossa insiste em administrar com soluções pontuais, quando já deveria estar enfrentando a questão de forma definitiva. A cidade cresce, os bairros se expandem, a frota aumenta e a infraestrutura viária continua, em muitos pontos, presa a uma configuração urbana de décadas atrás.
A trincheira existe porque existe a ferrovia. Essa é a questão que não pode ser ignorada. Os trilhos foram fundamentais para o desenvolvimento econômico de Ponta Grossa, transformando o município em um dos principais entroncamentos ferroviários do Paraná. Mas também ajudaram a criar barreiras físicas que, até hoje, dificultam a integração entre bairros e impõem gargalos à circulação de pessoas e veículos.
O caso do San Martin é emblemático. Uma única passagem precisa suportar uma parcela significativa dos deslocamentos de uma região que cresceu e continua crescendo. Quando essa passagem precisa ser fechada, ainda que temporariamente, fica evidente o quanto a mobilidade local depende de uma estrutura limitada. A alternativa pela Vila Dal Col é necessária durante a obra, mas não pode ser confundida com solução para o problema.
É justamente por isso que o Projeto Costa Rica não pode permanecer restrito ao campo das intenções. A ligação prevista para a região é uma intervenção estratégica e precisa ser tratada como prioridade de mobilidade urbana. Não se trata apenas de abrir uma nova via ou criar mais uma alternativa para os motoristas. Trata-se de oferecer uma conexão capaz de desafogar acessos existentes, integrar bairros e reduzir a dependência de pontos de travessia condicionados pela ferrovia.
Ponta Grossa não pode aceitar que cada manutenção de uma trincheira se transforme em um teste de resistência para os moradores. Tampouco pode continuar permitindo que bairros inteiros tenham seu desenvolvimento condicionado pela falta de alternativas viárias. Manutenções são inevitáveis e devem ser realizadas. O que não pode ser inevitável é a permanência de uma estrutura urbana que obriga a cidade a conviver indefinidamente com os mesmos gargalos.
A questão ferroviária exige planejamento de longo prazo. Não se defende a retirada dos trilhos nem se ignora sua importância logística. O que se espera é que o crescimento urbano seja acompanhado por investimentos capazes de compatibilizar ferrovia, trânsito e expansão dos bairros.
O Projeto Costa Rica representa justamente essa possibilidade. Sua implantação não resolverá todos os problemas de mobilidade do setor Norte, mas poderá atacar um dos principais gargalos e criar condições para uma integração urbana mais eficiente.
Ponta Grossa já esperou tempo demais. A manutenção da trincheira pode resolver o pavimento. O que a cidade precisa agora é de uma solução que resolva o problema.