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Concessões precisam entregar obras reais e não apenas serviços protocolares

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Ponta Grossa ocupa uma posição geográfica privilegiada no coração do Paraná. Ponto de convergência para o escoamento da produção agroindustrial e entroncamento logístico vital do Sul do país, a região dos Campos Gerais depende diretamente da qualidade de suas rodovias para manter o ritmo de crescimento e atrair novos investimentos. O desenvolvimento local exige fluidez e segurança nas estradas. No entanto, quem trafega diariamente pelas rotas que cortam o município enfrenta uma realidade incompatível com a força econômica e o potencial da nossa cidade.

Os relatos de quem utiliza a malha viária multiplicam-se a cada período de chuva forte. Trechos vitais para o transporte de cargas e pessoas, como a ligação entre Ponta Grossa e Curitiba e o Contorno Sul, convivem com crateras profundas que colocam vidas em risco e provocam prejuízos financeiros contínuos. O cenário é marcado por pneus rasgados, rodas destruídas e danos graves à suspensão dos veículos. Mais grave que a presença constante dessas falhas é a resposta oferecida pelas concessionárias responsáveis: intervenções lentas e superficiais. O trabalho de manutenção tem se limitado a serviços de tapa-buraco ineficazes, classificados pelos próprios motoristas como remendos mal feitos e meramente paliativos, que voltam a ceder na primeira chuva.

A insatisfação se estende para as praças de pedágio. Em locais de grande movimento, como a praça de São Luiz do Purunã, gargalos históricos continuam sufocando o tráfego. O resultado são congestionamentos severos que chegam a ultrapassar dez quilômetros de extensão, impondo aos motoristas longas horas de espera. O transtorno é agravado pelo descumprimento das regras contratuais. Embora a legislação e os acordos prevejam a abertura obrigatória das cancelas quando as filas ultrapassam limites estabelecidos — como a marca de 400 metros —, a medida raramente é adotada de forma voluntária pelas empresas, deixando os usuários reféns de um serviço caro e ineficiente.

Diante do descaso, a reação organizada do setor produtivo local tornou-se inevitável. Lideranças empresariais e entidades representativas — entre elas a Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares dos Campos Gerais (SHRBSCG), a Sociedade Rural e a Associação Casa da Indústria — uniram forças para protocolar uma reclamação pré-processual na Justiça. O grupo exige mudanças profundas no projeto, incluindo a alteração do traçado do Novo Contorno proposto para a região. A mobilização demonstra que a sociedade organizada não aceitará um modelo que não atenda às reais necessidades de mobilidade do município.

A cobrança de pedágio só se justifica quando acompanhada de investimentos proporcionais. A concessão precisa se provar vantajosa na prática, convertendo a receita gerada em obras estruturais permanentes, duplicações necessárias e atendimento eficiente. Ponta Grossa não aceita medidas de fachada ou serviços protocolares. Para continuar se desenvolvendo, a cidade exige e merece rodovias modernas, seguras e verdadeiramente compatíveis com a sua relevância estratégica.

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