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As famílias precisam ser retiradas das áreas de risco

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A morte de três pessoas soterradas dentro de uma residência, após o deslizamento de um barranco na região da Ronda, não pode ser tratada apenas como uma fatalidade provocada pela força da natureza. A chuva pode ser imprevisível em sua intensidade, mas os riscos que ela potencializa, muitas vezes, são conhecidos. E quando o poder público já sabe onde estão as áreas vulneráveis, a prevenção deixa de ser uma possibilidade e passa a ser uma obrigação.

Ponta Grossa possui, segundo levantamento apresentado ao longo deste ano, 105 áreas de risco identificadas. Há locais sujeitos a alagamentos, ocupações próximas a arroios, fundos de vale, Áreas de Preservação Permanente e pontos com possibilidade de movimentação de terra. A própria região da Ronda já estava entre os locais que exigiam atenção. Portanto, o que aconteceu nesta quinta-feira não surgiu de um problema completamente desconhecido.

A tragédia reforça a necessidade de que o município acelere a retirada das famílias que vivem em pontos onde a permanência representa risco à vida. Não se trata de simplesmente chegar às comunidades e determinar que moradores abandonem suas casas. Há famílias que construíram sua história nesses locais e que não possuem recursos para encontrar, por conta própria, uma alternativa de moradia. A retirada precisa vir acompanhada de políticas habitacionais, aluguel social, acolhimento e acompanhamento social.

Mas é igualmente importante que a sociedade compreenda que determinadas áreas não podem continuar sendo ocupadas. A fiscalização precisa funcionar antes da construção, antes da ampliação irregular e antes que novas famílias sejam expostas ao perigo. Permitir que ocupações avancem sobre encostas, fundos de vale e áreas ambientalmente protegidas significa transferir para o futuro um problema que, em algum momento, poderá cobrar um preço muito alto.

A prevenção também precisa estar no centro da política urbana. Mapear nascentes, encostas e áreas suscetíveis a alagamentos é fundamental, mas o mapa, sozinho, não salva vidas. É preciso acompanhar permanentemente esses pontos, atualizar os diagnósticos, fiscalizar ocupações, promover intervenções de drenagem e contenção quando forem tecnicamente indicadas e recuperar áreas ambientalmente degradadas.

A aprovação de protocolos para situações de desastres naturais pela Câmara Municipal representa um avanço, especialmente por prever mapeamento, rotas de evacuação, pontos de encontro, obras preventivas e relatórios periódicos. Agora, é necessário transformar essas diretrizes em uma política permanente de proteção e defesa civil.

A sequência de chuvas prevista para os próximos dias aumenta a urgência. Solo encharcado, encostas instáveis e rios em elevação formam uma combinação que exige atenção redobrada. O momento é de agir, não apenas de reagir.

O poder público tem a responsabilidade de proteger, fiscalizar, planejar e oferecer alternativas dignas às famílias em situação de vulnerabilidade. A sociedade, por sua vez, precisa colaborar, respeitar as orientações da Defesa Civil e compreender que uma casa construída em área de risco não é apenas uma questão de ocupação urbana, mas uma ameaça potencial à própria vida.

A tragédia da Ronda precisa deixar uma lição. Ponta Grossa não pode esperar o próximo deslizamento para voltar a discutir áreas de risco. Os levantamentos já existem, os pontos críticos são conhecidos e as ferramentas de prevenção estão disponíveis. O que falta, em muitos casos, é transformar informação em ação.

Prevenir sempre será menos doloroso do que lamentar. E, diante de vidas perdidas, nenhuma obra, nenhum protocolo e nenhuma política pública poderá ser considerada mais importante do que agir a tempo.

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