Cotidiano
Deslizamento atinge casa e família morre soterrada em bairro de PG
João Bobato | 11 de setembro de 2026 - 06:55
A chuva que atingiu Ponta Grossa nesta quinta-feira (10) terminou em uma das mais graves tragédias provocadas por eventos climáticos dos últimos anos no município. Um deslizamento de terra atingiu uma residência na região do bairro Ronda e deixou três pessoas mortas: Kauan da Silva, Jaqueline de Lima Andrade e uma criança. As vítimas foram encontradas soterradas dentro da casa e, apesar do trabalho das equipes de emergência, não resistiram.
O chamado para o Corpo de Bombeiros ocorreu por volta das 8h44, na Rua República do Panamá. Um barranco cedeu e a massa de terra atingiu diretamente a residência, provocando o desabamento de parte de uma parede e do telhado. A família estava no interior do imóvel quando ocorreu o deslizamento.
A operação de resgate foi considerada de alta complexidade pelos bombeiros. Dez profissionais, com cinco viaturas, trabalharam na ocorrência, que também mobilizou equipes do Samu, Defesa Civil, Guarda Municipal e Polícia Militar. Para chegar às vítimas, foi necessário realizar o escoramento da estrutura e retirar manualmente terra e escombros.
As três vítimas foram encontradas inconscientes. Segundo as informações repassadas pelas equipes de atendimento, os profissionais de saúde ainda tentaram reanimar a criança, que sofreu uma parada cardiorrespiratória. Os esforços, porém, não tiveram resultado. O casal também não resistiu.
Durante a operação, um bombeiro ficou ferido. A área permaneceu interditada devido ao risco de novos movimentos de terra, enquanto as equipes avaliavam as condições da encosta e a segurança das estruturas próximas.
A tragédia ganhou uma dimensão ainda maior porque ocorreu em meio a um cenário de alerta meteorológico para todo o Paraná. O Instituto Nacional de Meteorologia mantém avisos para tempestades, com possibilidade de chuva volumosa, ventos fortes e granizo. Em situações mais severas, os alertas indicam possibilidade de chuva superior a 60 milímetros por hora ou mais de 100 milímetros em 24 horas, além de ventos que podem superar os 100 km/h.
Em Ponta Grossa, o Simepar prevê 54,1 milímetros de chuva acumulada nesta quinta-feira, com 98% de probabilidade de ocorrência. Para sexta-feira (11), a previsão aponta mais 40,8 milímetros, também com 98% de probabilidade, enquanto o sábado (12) pode registrar outros 23,8 milímetros. O cenário permanece instável no domingo, com previsão de 8,6 milímetros.
A sequência de chuva é especialmente preocupante porque ocorre depois de um período de precipitações que já deixou o solo encharcado. Com a continuidade das pancadas, aumenta a atenção sobre encostas, fundos de vale, margens de arroios e locais onde existem moradias próximas a áreas suscetíveis a movimentações de terra.
Ponta Grossa possui 105 áreas de risco identificadas em levantamento municipal, incluindo locais sujeitos a inundações e deslizamentos. Dez pontos eram monitorados de forma constante pela Defesa Civil. A região do Rio Ronda está entre as áreas vulneráveis a alagamentos e reúne famílias em moradias consideradas de risco. O aRede já havia mostrado o drama desses moradores e os estudos desenvolvidos para buscar soluções.
Prefeita presta apoio às famílias
Após a tragédia, a prefeita Elizabeth Schmidt esteve no local e afirmou que o município pretende ampliar o levantamento das famílias que ainda vivem em áreas de risco e promover a retirada daqueles que estiverem em locais considerados impróprios para moradia.
Segundo a prefeita, a região onde ocorreu o soterramento é um local que não deveria estar ocupado por residências. Elizabeth também afirmou que os pontos identificados como perigosos deverão ser interditados e que a administração municipal está avaliando alternativas para as famílias que precisarem deixar suas casas.
A Prefeitura também informou que a estrutura da Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa está preparada para atender moradores que precisarem sair de suas residências. Entre as alternativas citadas estão o encaminhamento para casas de familiares e, quando necessário, o aluguel social. A preocupação não se limita ao ponto onde ocorreu o soterramento.
A prefeita afirmou que também acompanha a situação do Rio Ronda, cujo nível da água subiu significativamente, com possibilidade de transbordamento e impactos inclusive sobre a rodovia.