Editorial
Ampliação do Sant’Ana é estratégica para Ponta Grossa
Da Redação | 21 de agosto de 2026 - 01:47
A confirmação da ampliação de 150 metros da pista do Aeroporto Sant’Ana representa um avanço importante para Ponta Grossa e para os Campos Gerais. Mais do que uma obra de engenharia, trata-se de uma decisão que pode mudar o patamar da infraestrutura de transporte da região, permitindo a operação de aeronaves maiores, como os jatos da família Embraer E2, com capacidade para até 136 passageiros e autonomia de aproximadamente 1.400 quilômetros.
A reivindicação apresentada pela Prefeitura e por representantes da sociedade civil organizada era necessária. Não faria sentido incluir o Sant’Ana em um programa de concessão sem garantir que sua infraestrutura estivesse preparada para acompanhar o crescimento econômico e populacional da região. A ampliação da pista, somada à implantação de áreas de giro nas cabeceiras, aumenta a capacidade operacional e cria condições mais adequadas para a expansão da aviação comercial.
Ponta Grossa possui uma economia que exige conexões eficientes. Indústria, agronegócio, comércio, serviços, universidades e o setor de eventos dependem cada vez mais de uma logística moderna. Um aeroporto capaz de receber aeronaves de maior porte pode ampliar as possibilidades de ligações regionais e nacionais, reduzir a dependência de outros terminais e tornar a cidade mais competitiva na atração de investimentos.
O anúncio, portanto, deve ser comemorado. Mas não pode servir para esconder uma questão ainda mais urgente: o Aeroporto Sant’Ana está fechado há mais de um ano. Para a população e para o setor produtivo, a modernização somente terá sentido pleno quando o aeroporto voltar efetivamente a operar.
É preciso, portanto, cobrar agilidade de todos os órgãos envolvidos. Obras, licenciamento, concessão, adequações técnicas e demais providências precisam avançar de maneira coordenada, com cronogramas claros e transparência. Não é razoável que uma cidade do porte de Ponta Grossa permaneça por tanto tempo sem seu aeroporto funcionando enquanto se discute uma estrutura voltada justamente ao futuro.
Os investimentos federais anunciados, de R$ 35 milhões, representam uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. A ampliação da pista, o novo terminal de passageiros, a pavimentação do pátio e a construção da taxiway precisam sair do papel e produzir resultados concretos para os usuários.
Também merece atenção a retirada do ramal ferroviário da área aeroportuária. Se a remoção dos trilhos permitir novas ampliações no futuro, essa possibilidade precisa permanecer no planejamento. O aeroporto deve ser pensado para os próximos 20 ou 30 anos, e não apenas para atender às necessidades imediatas.
Ponta Grossa fez sua parte ao reivindicar uma estrutura compatível com seu desenvolvimento. Agora é hora de transformar anúncios em obras, obras em infraestrutura e infraestrutura em voos. A ampliação da pista é fundamental, mas tão importante quanto preparar o Sant’Ana para receber aviões maiores é garantir que ele volte a receber passageiros o quanto antes.