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A tragédia na BR-373 requer reflexões e ações pontuais

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A tragédia registrada ontem (19) na BR-373, na região de Ponta Grossa, com 23 mortes e cinco pessoas feridas, não pode ser tratada apenas como mais uma ocorrência lamentável nas estatísticas das rodovias paranaenses. O número de vítimas é grande demais para permitir que, passada a comoção inicial, tudo volte à normalidade. É preciso que as autoridades assumam responsabilidades e apresentem medidas concretas para aumentar a segurança no trecho.

A duplicação da BR-373 é uma reivindicação antiga dos municípios da região e, diante de mais uma tragédia, volta a se mostrar como uma necessidade urgente. A rodovia exerce papel fundamental para o deslocamento de moradores, para o transporte de cargas e para a integração dos Campos Gerais com outras regiões do Paraná. Não é aceitável que uma infraestrutura tão importante continue convivendo com condições que elevam os riscos para motoristas e passageiros.

É evidente que uma duplicação não ocorre da noite para o dia e depende de planejamento, recursos e decisões dos governos. Mas justamente por isso é necessário cobrar prazos, projetos e investimentos. A população precisa saber quais providências estão sendo estudadas, quais obras podem ser executadas imediatamente e qual é o cronograma para uma solução definitiva. Medidas emergenciais de fiscalização, sinalização, iluminação, melhorias nos acessos e reforço do policiamento também precisam ser consideradas.

Ao mesmo tempo, a tragédia expõe outro problema que precisa entrar definitivamente na agenda das autoridades: a estrutura de saúde disponível para os moradores dos municípios dos Campos Gerais. Não basta melhorar as estradas se milhares de pessoas continuam dependendo de longos deslocamentos para conseguir atendimento médico especializado.

É uma situação que precisa ser enfrentada com a mesma seriedade. Moradores de cidades da região não deveriam precisar sair de madrugada de suas casas, muitas vezes percorrendo dezenas ou centenas de quilômetros, para realizar consultas e exames em hospitais da Região Metropolitana de Curitiba. Além do desgaste físico e financeiro, esses deslocamentos aumentam a exposição das famílias aos riscos das próprias rodovias.

Investir em saúde regional significa ampliar a oferta de consultas, exames, cirurgias e atendimentos especializados nos municípios-polo, fortalecendo hospitais e serviços já existentes. Significa, também, reduzir a necessidade de viagens e garantir que o cidadão tenha atendimento próximo de sua casa, com mais dignidade e segurança.

As autoridades estaduais e federais precisam deixar de lado respostas protocolares e transformar a indignação em ações. A região de Ponta Grossa não pode esperar por outra tragédia para voltar a cobrar aquilo que já deveria estar sendo planejado e executado há muito tempo. Vidas não podem depender da demora da burocracia.

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