Editorial
Tecnologia abre caminhos para uma PG mais inclusiva
Da Redação | 08 de agosto de 2026 - 01:44
A inclusão digital deixou de ser uma escolha para se transformar em uma necessidade. Em uma sociedade na qual boa parte dos serviços, das relações e das oportunidades passa pela internet, garantir acesso à tecnologia significa também garantir cidadania. Ponta Grossa parece ter compreendido essa mudança ao construir, nos últimos anos, uma estratégia que combina conectividade, educação, inovação e modernização dos serviços públicos.
O desafio, porém, vai muito além de instalar redes ou disponibilizar computadores. Ter internet não significa, necessariamente, estar incluído digitalmente. Idosos, moradores de áreas rurais e pessoas em situação de vulnerabilidade ainda podem encontrar dificuldades para utilizar ferramentas que, para boa parte da população, já fazem parte da rotina. É justamente nesse ponto que as iniciativas desenvolvidas no município ganham relevância.
A ampliação da Infovia Digital e o PG Conectada, com Wi-Fi gratuito em 110 pontos, mostram que a infraestrutura é uma das portas de entrada para a inclusão. Mas é igualmente importante que essa conectividade esteja acompanhada de orientação. A Estação Hub, os cursos promovidos pela assistência social e as ações da Universidade Aberta para a Terceira Idade demonstram que aprender a utilizar a tecnologia é tão importante quanto ter acesso a ela.
Há, ainda, um aspecto que merece atenção especial: começar cedo. Os Laboratórios de Aprendizagem Criativa aproximam crianças e adolescentes da programação, da robótica e da computação, mas, sobretudo, ajudam a formar usuários mais conscientes. Ensinar os estudantes a pesquisar, identificar informações falsas, criar conteúdos e utilizar a internet com responsabilidade significa prepará-los para uma sociedade na qual o domínio tecnológico será cada vez mais determinante.
Nesse processo, a participação das universidades amplia o alcance das políticas públicas. Projetos de extensão da UTFPR e da UEPG levam conhecimento digital a crianças, pessoas com deficiência e idosos, aproximando a academia das necessidades concretas da comunidade. Essa união entre poder público, escolas, universidades e sociedade é um dos caminhos mais consistentes para evitar que a transformação digital produza novas formas de exclusão.
Ponta Grossa, portanto, tem percorrido uma trajetória que merece ser observada não apenas pela quantidade de pontos de internet ou de pessoas alcançadas, mas pela tentativa de construir uma cultura digital. O reconhecimento do município entre as cidades mais inteligentes do mundo, pelo quarto ano consecutivo, reforça essa caminhada.
O próximo passo é garantir continuidade, ampliar o alcance das iniciativas e assegurar recursos para que nenhum público fique para trás. Afinal, uma cidade verdadeiramente digital não é aquela que apenas oferece tecnologia, mas aquela que transforma a tecnologia em oportunidade, autonomia, conhecimento e participação social.