Editorial
Prevenção é a melhor resposta diante dos extremos climáticos
Da Redação | 04 de agosto de 2026 - 02:06
Durante muito tempo, o Brasil acostumou-se a reagir aos desastres naturais apenas depois que eles aconteciam. A imagem de cidades alagadas, pontes destruídas, famílias desalojadas e prejuízos milionários tornou-se recorrente, enquanto a prevenção permanecia em segundo plano. Felizmente, essa lógica começa a mudar, e iniciativas como a divulgação do Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos representam um passo importante nessa transformação.
O alerta da Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG) chega em momento oportuno. As previsões indicam que o fenômeno El Niño poderá intensificar as chuvas na Região Sul, elevando significativamente os riscos de enchentes, enxurradas, deslizamentos e outros eventos que colocam em risco vidas humanas, patrimônio público e privado, além da própria economia regional. Ignorar esses sinais seria repetir erros que o país conhece bem.
A boa gestão pública não se mede apenas pela capacidade de reconstruir o que foi destruído, mas principalmente pela habilidade de evitar que a tragédia aconteça ou, ao menos, reduzir seus impactos. Planejamento, organização e prevenção custam menos do que obras emergenciais, indenizações e recuperação da infraestrutura devastada. Mais importante ainda, preservam vidas.
O guia elaborado pela Associação Brasileira de Municípios oferece orientações objetivas para todas as etapas da gestão de riscos. O mapeamento de áreas vulneráveis, a atualização dos planos de contingência, a preparação de equipes, a definição prévia de abrigos e equipamentos, além da integração entre Defesa Civil e demais secretarias, são medidas que deveriam fazer parte da rotina administrativa de qualquer município, independentemente da existência de um fenômeno climático específico.
Outro aspecto fundamental é a comunicação com a população. Em períodos de emergência, informação rápida, clara e confiável salva vidas. Ao mesmo tempo, combate a disseminação de boatos e reduz o pânico, permitindo que as pessoas saibam exatamente como agir diante de situações de risco.
Os Campos Gerais possuem características geográficas bastante distintas entre seus municípios. Há cidades com áreas suscetíveis a alagamentos, outras convivem com encostas e regiões rurais vulneráveis às chuvas intensas. Isso significa que cada administração municipal precisa adaptar seus planos à sua realidade, sem perder de vista a atuação integrada em âmbito regional.
Também é preciso compreender que as mudanças climáticas deixam de ser uma preocupação restrita aos ambientalistas para se tornarem uma questão de gestão pública. Eventos extremos tendem a ser mais frequentes e intensos, exigindo investimentos permanentes em infraestrutura, drenagem urbana, monitoramento meteorológico, preservação ambiental e capacitação técnica.
A iniciativa da AMCG reforça exatamente essa mudança de postura: preparar antes para sofrer menos depois. Que o alerta não seja encarado apenas como uma recomendação protocolar, mas como um compromisso coletivo dos gestores públicos com a segurança da população. Afinal, quando a natureza impõe seus desafios, improviso nunca foi sinônimo de eficiência. Prevenção continua sendo o investimento mais inteligente, mais econômico e, sobretudo, mais humano que um município pode fazer.