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O grande desafio de PG em crescer e preservar a memória

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O desenvolvimento de uma cidade não pode ser medido apenas pela quantidade de obras, novos empreendimentos ou expansão imobiliária. O verdadeiro progresso também se revela na capacidade de preservar a própria história. Esse equilíbrio esteve no centro de uma importante discussão promovida na Associação Comercial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), que reuniu representantes da entidade e da Diocese para tratar do processo de tombamento de igrejas e da preservação do patrimônio histórico do município.

Independentemente das posições apresentadas durante o encontro, o debate merece ser valorizado. Afinal, discutir o futuro da cidade exige compreender que crescimento econômico e conservação do patrimônio não são conceitos opostos. Ao contrário, podem caminhar lado a lado.

Ponta Grossa vive um momento de forte expansão. Novos investimentos industriais, grandes obras de infraestrutura, loteamentos e projetos públicos desenham uma cidade cada vez mais moderna. Esse movimento é positivo e deve continuar. O município precisa manter o ritmo de desenvolvimento para gerar empregos, atrair empresas e melhorar a qualidade de vida da população.

No entanto, essa evolução não pode apagar as marcas do passado. Os prédios históricos, as igrejas, as antigas construções e os espaços que testemunharam diferentes fases da cidade representam muito mais do que paredes de alvenaria. Eles guardam a memória coletiva, contam histórias e ajudam a construir o sentimento de pertencimento das futuras gerações.

Grandes cidades brasileiras e do exterior mostram que é perfeitamente possível conciliar modernidade com preservação. Centros históricos convivem com edifícios contemporâneos, áreas comerciais dividem espaço com patrimônios culturais e o turismo encontra justamente nessa combinação um de seus principais atrativos. Não existe incompatibilidade entre investir no futuro e respeitar a história.

Nesse contexto, ganha relevância também a proposta apresentada durante a reunião sobre a construção de uma réplica da antiga Catedral em um novo loteamento. A iniciativa demonstra que há espaço para soluções criativas capazes de valorizar a memória arquitetônica sem impedir novos projetos urbanos. Ainda que a ideia precise de estudos e debates mais aprofundados, ela evidencia que preservar também significa encontrar novas formas de manter viva a identidade de uma comunidade.

O processo de tombamento, naturalmente, desperta opiniões divergentes. Proprietários, entidades religiosas, órgãos de patrimônio e sociedade possuem argumentos legítimos que precisam ser ouvidos com respeito. O essencial é que qualquer decisão seja construída por meio do diálogo, da segurança jurídica e da busca pelo interesse coletivo.

Ponta Grossa não precisa escolher entre crescer ou preservar. Precisa fazer as duas coisas com inteligência. Uma cidade que avança sem memória perde parte de sua identidade. Da mesma forma, uma cidade que transforma seu patrimônio em obstáculo ao desenvolvimento também deixa de aproveitar oportunidades.

O desafio está justamente em encontrar esse ponto de equilíbrio. Porque desenvolvimento sólido não significa apagar o passado, mas utilizá-lo como alicerce para construir um futuro ainda mais promissor.

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