Editorial
A importante iniciativa de entidades de PG para salvar hospitais
Da Redação | 27 de junho de 2026 - 00:31
Os hospitais filantrópicos deixaram de ser apenas instituições complementares ao Sistema Único de Saúde. Hoje, são protagonistas da assistência hospitalar brasileira, responsáveis por grande parte dos atendimentos de média e alta complexidade. Sem eles, o SUS simplesmente não consegue atender a demanda da população. Por isso, a proposta de criação da Tabela SUS Paraná merece apoio amplo e célere.
A defasagem histórica da tabela nacional do SUS é um problema conhecido por gestores, profissionais da saúde e pacientes. Enquanto os custos de medicamentos, equipamentos, energia, tecnologia e mão de obra aumentam ano após ano, os valores pagos pelos procedimentos permanecem insuficientes para cobrir as despesas reais dos hospitais. O resultado é um desequilíbrio financeiro permanente que ameaça a sustentabilidade das instituições beneficentes.
A iniciativa apresentada pela Associação Médica de Ponta Grossa (AMPG) e pela Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), ao solicitar à Assembleia Legislativa do Paraná a criação de uma tabela estadual complementar, representa uma alternativa responsável para enfrentar essa realidade. O modelo já existe em São Paulo e demonstra que estados podem exercer papel decisivo no fortalecimento da rede hospitalar pública conveniada ao SUS.
Não se trata de criar privilégios para hospitais, mas de preservar serviços essenciais para a população. Hemodiálise, oncologia, cirurgias cardiovasculares, leitos de terapia intensiva e diversos procedimentos de alta complexidade dependem da capacidade financeira dessas instituições. Quando um hospital reduz atendimentos ou deixa de investir por falta de recursos, quem sofre é o cidadão que aguarda por uma consulta, um exame ou uma cirurgia.
Nos Campos Gerais, essa discussão ganha ainda mais importância. Hospitais de referência atendem pacientes de dezenas de municípios, desafogando outras unidades e garantindo assistência especializada próxima de casa. Manter essas estruturas funcionando com qualidade significa preservar vidas, reduzir deslocamentos e oferecer maior dignidade aos usuários do sistema público.
Também não se pode ignorar o impacto econômico dessa rede hospitalar. Hospitais filantrópicos geram milhares de empregos, movimentam fornecedores, atraem investimentos em tecnologia e contribuem para o desenvolvimento regional. Saúde e economia caminham juntas. Um hospital forte fortalece toda a cidade.
É evidente que a solução definitiva passa pela revisão nacional da tabela do SUS. Entretanto, enquanto essa atualização não acontece, estados não podem permanecer inertes diante do agravamento da crise. A complementação estadual surge como um instrumento de equilíbrio, capaz de assegurar a continuidade dos serviços sem interromper tratamentos indispensáveis para milhares de paranaenses.
A mobilização conjunta de representantes da medicina e do setor empresarial demonstra que esta deixou de ser uma pauta corporativa para se transformar em uma questão de interesse público. Quando diferentes segmentos da sociedade convergem em torno da mesma proposta, o debate ganha legitimidade e evidencia a urgência do problema.
Cabe agora aos deputados estaduais e ao Governo do Paraná analisar a proposta com responsabilidade e visão estratégica. Investir no fortalecimento dos hospitais filantrópicos não significa apenas ampliar recursos financeiros. Significa investir na preservação da vida, na qualidade da assistência, na redução das filas e na segurança de milhões de cidadãos que dependem exclusivamente do SUS. A criação da Tabela SUS Paraná pode representar um passo decisivo para garantir que essas instituições continuem cumprindo sua missão de atender quem mais precisa.