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Acessibilidade e inclusão ainda são desafios em Ponta Grossa

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A dificuldade de caminhar pelas ruas de Ponta Grossa não é apenas um problema urbano. É, acima de tudo, uma questão de cidadania. Em uma cidade que se orgulha do crescimento econômico, da expansão imobiliária e da posição estratégica no Paraná, ainda existe uma realidade silenciosa e cruel para milhares de pessoas: o direito básico de ir e vir continua comprometido por calçadas irregulares, ausência de acessibilidade e planejamento urbano insuficiente.

Os números divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa (Iplan) ajudam a traduzir um problema que, para cadeirantes, cegos e idosos, é sentido diariamente no corpo. Cerca de 84% das calçadas da cidade não possuem acessibilidade adequada. Apenas 15% estão em boas condições. O restante se divide entre estruturas razoáveis, ruins e péssimas. Na prática, isso significa buracos, degraus, rampas inadequadas, postes no meio da passagem, pisos táteis interrompidos e ausência de espaços seguros para circulação.

A cidade cresceu rápido, mas cresceu olhando prioritariamente para os carros. Durante décadas, o urbanismo ponta-grossense foi conduzido por uma lógica rodoviarista, baseada na ampliação de vias, estacionamentos e fluxo de veículos, enquanto os pedestres foram deixados em segundo plano. O resultado aparece hoje nas ruas estreitas, nas travessias perigosas e em calçadas incapazes de comportar uma cadeira de rodas ou garantir segurança para uma pessoa com deficiência visual.

O drama relatado por moradores evidencia que a exclusão não está apenas na infraestrutura, mas na rotina. Para muitos, sair de casa exige planejamento semelhante ao de uma operação de risco. Pessoas cegas precisam buscar trajetos alternativos para evitar acidentes. Cadeirantes dependem de carros ou aplicativos porque simplesmente não conseguem circular pelas vias públicas. Idosos convivem com o medo constante de quedas. Em diversos pontos da cidade, caminhar virou um desafio físico e psicológico.

Os depoimentos apresentados revelam uma cidade que ainda não compreendeu plenamente o significado de acessibilidade. O problema não está apenas na ausência de rampas ou piso podotátil. Está também na falta de continuidade das estruturas, na ocupação indevida dos espaços, na inexistência de semáforos sonoros e na baixa conscientização da população. Em muitos locais, até mesmo onde existem recursos acessíveis, eles acabam inutilizados pelo descaso coletivo.

É verdade que existem avanços importantes. O Iplan vem ampliando a fiscalização das calçadas irregulares, notificando proprietários e intensificando vistorias. A Prefeitura afirma que novos projetos de pavimentação já incluem acessibilidade e que as calçadas antigas terão prazo de cinco anos para adequação. Há ainda obras previstas, como a instalação de elevador no Terminal Central, além de adaptações em escolas e prédios públicos.

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