Editorial
Luzes sobre a fé e a história potencializarão o turismo em PG
Da Redação | 12 de maio de 2026 - 02:03
Poucas cidades do interior do Paraná conseguem reunir, de maneira tão harmoniosa, patrimônio histórico, espiritualidade, cultura e natureza quanto Ponta Grossa. Em meio ao avanço urbano e ao crescimento econômico das últimas décadas, os templos religiosos da cidade permanecem como testemunhas silenciosas da formação social, cultural e humana dos Campos Gerais. São igrejas que ajudaram a construir comunidades, fortaleceram valores e acompanharam gerações inteiras de ponta-grossenses.
Ao anunciar a implantação de um projeto de iluminação cênica
em igrejas históricas do município, a prefeita Elizabeth Schmidt acerta não
apenas pela homenagem aos 100 anos da Diocese de Ponta Grossa, mas também pela
visão estratégica de futuro. A proposta ultrapassa a estética urbana. Trata-se
de uma iniciativa capaz de conectar memória, identidade e desenvolvimento
econômico por meio do turismo religioso.
A iluminação cênica valoriza o patrimônio arquitetônico e
desperta um novo olhar sobre construções que fazem parte da rotina da
população. Muitas vezes, os moradores passam diariamente em frente às igrejas
sem perceber a riqueza artística, histórica e simbólica que elas carregam.
Quando iluminados de forma planejada, esses espaços ganham protagonismo,
transformando-se em verdadeiros cartões-postais urbanos.
E Ponta Grossa possui um acervo religioso relevante. Igrejas
centenárias, paróquias tradicionais, espaços de peregrinação e monumentos
ligados à fé católica ajudam a contar a trajetória da cidade e da própria
Diocese. O centenário da instituição religiosa reforça justamente esta
importância histórica. Afinal, a presença da Igreja esteve ligada diretamente à
educação, à assistência social, à formação comunitária e ao desenvolvimento
local ao longo de décadas.
Mas o maior mérito da proposta talvez esteja na compreensão
de que turismo também é desenvolvimento socioeconômico. Em um momento em que
cidades buscam alternativas para ampliar receitas e gerar empregos, investir em
turismo religioso é apostar em um setor que movimenta uma extensa cadeia
econômica. Peregrinos e visitantes consomem no comércio, utilizam hotéis,
frequentam restaurantes, abastecem veículos, contratam serviços e fortalecem a
economia regional.
O turismo deixou de ser apenas lazer. Hoje, ele representa
oportunidade de negócios, circulação de renda e fortalecimento de pequenos
empreendedores. Cada visitante atraído para eventos religiosos, celebrações ou
circuitos históricos ajuda a impulsionar diversos setores da economia local.
Hotéis registram maior ocupação, restaurantes ampliam o movimento e o comércio
ganha novos consumidores. É uma engrenagem que beneficia toda a cidade.
Além disso, Ponta Grossa possui uma vantagem competitiva
rara: a união entre turismo religioso e turismo natural. O município já atrai
visitantes do mundo inteiro por suas belezas naturais, como Parque Estadual de
Vila Velha, Buraco do Padre e os atrativos dos Campos Gerais. A criação de
roteiros integrados pode ampliar ainda mais o tempo de permanência dos turistas
na cidade, fortalecendo a economia e consolidando Ponta Grossa como um dos
principais destinos turísticos do Sul do Brasil.
Neste contexto, a iluminação cênica das igrejas representa
mais do que um investimento visual. É uma estratégia inteligente de valorização
cultural e promoção econômica. Cidades que reconhecem e preservam sua história
conseguem transformar patrimônio em oportunidade.
Celebrar os 100 anos da Diocese iluminando igrejas
históricas é, simbolicamente, iluminar também a própria identidade de Ponta
Grossa. Uma cidade que cresce sem esquecer suas raízes, que valoriza sua fé sem
deixar de olhar para o futuro e que compreende no turismo uma ferramenta
poderosa para gerar desenvolvimento, renda e orgulho coletivo.