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O projeto de um novo aeroporto não pode ser engavetado

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Embora relevante, o anúncio do governo federal de incluir o aeroporto Sant'Ana em um projeto de concessão não pode paralisar a ideia de Ponta Grossa de construir um moderno espaço aeroportuário que represente, em sua essência, a importância socioeconômica do município no Paraná e no Brasil.

Ponta Grossa consolidou-se como um dos principais polos industriais do estado, com um PIB que saltou para cerca de R$ 25,5 bilhões, registrando um expressivo crescimento de 31% em dois anos. A cidade abriga mais de 1.160 indústrias, com destaque para os setores da Heineken, da Tetra Pak e da Ambev, sendo a quinta maior indústria do estado. Não se pode aceitar um "aeroporto meia-sola".

O governo federal pretende aproveitar a revisão dos contratos de concessão aeroportuária com problemas financeiros para repassar 29 aeroportos regionais aos operadores. Diferentemente do que ocorrerá com o Galeão, que será licitado individualmente, os aeroportos de Brasília e Campinas (Viracopos) serão leiloados em blocos. Quem arrematar o aeroporto da capital federal deverá assumir a operação de dez terminais regionais. Nesta lista aparece o aeroporto de Sant'Ana, em Ponta Grossa.

A previsão do governo é realizar o leilão no início de dezembro, após o período eleitoral. Antes disso, o TCU analisará as regras dos editais e submeterá o documento à avaliação do plenário. A inclusão desses terminais no edital faz parte do programa federal que coloca os aeroportos regionais sob a administração de grandes contratos. Ao agrupá-los com Brasília — terminal que movimentou 8 milhões de passageiros em 2025 —, o governo cria um subsídio cruzado entre operações lucrativas e deficitárias.

O fato é que Ponta Grossa precisa construir um novo aeroporto em uma área nova, pensando não na demanda da cidade de agora, mas daqui a 30 ou 40 anos. A cidade e a região vêm crescendo de forma extraordinária. Somos a locomotiva do crescimento econômico do Paraná. É preciso pensar grande, em um aeroporto que corresponda ao gigantismo de Ponta Grossa.

O aeroporto em funcionamento é um motor estratégico para o desenvolvimento regional, essencial para atrair novos investimentos, gerar empregos e fomentar a economia da região dos Campos Gerais. Neste fim de semana, completa-se um ano da suspensão dos voos comerciais na cidade. A paralisação afetou diferentes setores, prejudicando projetos futuros em áreas específicas, como turismo e negócios.

Da mesma forma que as rodovias colocam Ponta Grossa em uma rota de desenvolvimento interessante, um aeroporto estruturado e do tamanho das necessidades da cidade pode colocá-la no centro das grandes operações aéreas, com rotas para diferentes lugares do Brasil.

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