Editorial
O projeto de um novo aeroporto não pode ser engavetado
Da Redação | 26 de março de 2026 - 02:45
Embora relevante, o anúncio do governo federal de incluir o
aeroporto Sant'Ana em um projeto de concessão não pode paralisar a ideia de
Ponta Grossa de construir um moderno espaço aeroportuário que represente, em
sua essência, a importância socioeconômica do município no Paraná e no Brasil.
Ponta Grossa consolidou-se como um dos principais polos
industriais do estado, com um PIB que saltou para cerca de R$ 25,5 bilhões,
registrando um expressivo crescimento de 31% em dois anos. A cidade abriga mais
de 1.160 indústrias, com destaque para os setores da Heineken, da Tetra Pak e
da Ambev, sendo a quinta maior indústria do estado. Não se pode aceitar um
"aeroporto meia-sola".
O governo federal pretende aproveitar a revisão dos
contratos de concessão aeroportuária com problemas financeiros para repassar 29
aeroportos regionais aos operadores. Diferentemente do que ocorrerá com o
Galeão, que será licitado individualmente, os aeroportos de Brasília e Campinas
(Viracopos) serão leiloados em blocos. Quem arrematar o aeroporto da capital
federal deverá assumir a operação de dez terminais regionais. Nesta lista
aparece o aeroporto de Sant'Ana, em Ponta Grossa.
A previsão do governo é realizar o leilão no início de
dezembro, após o período eleitoral. Antes disso, o TCU analisará as regras dos
editais e submeterá o documento à avaliação do plenário. A inclusão desses
terminais no edital faz parte do programa federal que coloca os aeroportos
regionais sob a administração de grandes contratos. Ao agrupá-los com Brasília
— terminal que movimentou 8 milhões de passageiros em 2025 —, o governo cria um
subsídio cruzado entre operações lucrativas e deficitárias.
O fato é que Ponta Grossa precisa construir um novo
aeroporto em uma área nova, pensando não na demanda da cidade de agora, mas
daqui a 30 ou 40 anos. A cidade e a região vêm crescendo de forma
extraordinária. Somos a locomotiva do crescimento econômico do Paraná. É
preciso pensar grande, em um aeroporto que corresponda ao gigantismo de Ponta
Grossa.
O aeroporto em funcionamento é um motor estratégico para o
desenvolvimento regional, essencial para atrair novos investimentos, gerar
empregos e fomentar a economia da região dos Campos Gerais. Neste fim de
semana, completa-se um ano da suspensão dos voos comerciais na cidade. A
paralisação afetou diferentes setores, prejudicando projetos futuros em áreas
específicas, como turismo e negócios.
Da mesma forma que as rodovias colocam Ponta Grossa em uma
rota de desenvolvimento interessante, um aeroporto estruturado e do tamanho das
necessidades da cidade pode colocá-la no centro das grandes operações aéreas,
com rotas para diferentes lugares do Brasil.