Debates
Homo sapiens vs Homo religiosus
Da Redação | 16 de julho de 2026 - 12:58
Por Julio Medeiros
De um lado, temos um homem, um ser humano, que carrega em seu DNA milhares de anos de história, cultura e conhecimento. De outro, o homem que abdicou de todo esse cabedal, para numa atitude pouco racional, que ele atribui à “fé”, abraçar de forma simplista uma miríade de rituais e dogmas da “igreja”, usando Deus como resposta leviana para todas as inquirições e inquietações do espírito humano.
Nem um, nem outro. Observo essa pantomima na esperança de que o ser humano escolha o caminho certo, para realizar o “salto” – ou próximo salto – na cadeia evolutiva.
Você já pensou em teologia? Calma, eu explico: a igreja, que surgiu na intenção de libertar o homem, a partir do momento em que aceitou ser governada pelo homem, ao invés de seu Criador, passou a sufocar e a estrangular quem deveria ser liberto.
O ser insurgente cria a via do renascentismo, que deságua com toda sua força para o Iluminismo, provocando a liberdade almejada, protagonizando o ser humano. Nesse contexto, a teologia vem a ser classificada como religião e, dessa forma, jogada para o “andar de baixo” do conhecimento.
Ledo engano! Por mais conhecimento que tenha entrado no mundo por conta dos iluministas, há muitas coisas – ideias, premissas, conceitos e filosofias – que não se sustentam. Nenhum ser humano detém o conhecimento absoluto. Por outro lado, fora com o obscurantismo imposto pela igreja, penso eu. Quem quer voltar para trás?
Contudo, consideremos o fato de que, embora a etimologia da palavra teologia, o estudo da teologia fala mais do ser humano que, objetivamente, de Deus. Sim, isto mesmo. A partir do momento em que se estuda e se procura entender o Criador, entende-se melhor a criatura e a si mesmo.
E como estudar, ou saber sobre Deus?
Existem alguns caminhos: primeiro, a simples observação da natureza (a harmonia existente não se justifica pelo acaso). Segundo, observando a si mesmo. Olhe-se no espelho: a complexidade harmoniosa de células que formaram seus olhos, suas cordas vocais para emissão de sons, os membros que servem para locomoção e as mãos com o dedão contraposto que servem para agarrar. É impossível, diante das evidências, escolher acreditar ser obra do acaso em detrimento de algo planejado. Por último existe a Bíblia. Encare esse fato sem preconceitos. Um carro tem manual, um liquidificador tem manual e, de forma metafórica, a Bíblia é o manual de Deus.
Há de se considerar todo conhecimento amealhado na história humana, atribuindo-lhe o devido valor. Contudo, em análise crítica, devemos rejeitar o que não é salutar para o crescimento do indivíduo como ser humano e aceitar, num salto de fé racional, que somos produto de um Deus Criador.
* Julio Medeiros é um poeta e prosador moldado por uma vida de aventuras. Em seu livro “Nátaly e Vitor”, compartilha reflexões sobre fé e dilemas existenciais.