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Imagem ilustrativa da imagem Sustentabilidade

Por Mário Sérgio de Melo

“Sustentabilidade” é a harmonia natureza-sociedade-economia. Uma harmonia que assegure que a atividade humana seja sensata, garantindo que nossa civilização seja durável, sustente-se através dos tempos, sem crises nem colapsos. A simplicidade da definição é só aparente. Qual a amplitude da natureza, do meio ambiente que faculta a vida no planeta Terra? Ela vai desde os micro-organismos que fertilizam o solo até a atmosfera que nos protege da radiação solar. E sociedade engloba a crescente complexidade da nossa civilização, sobretudo diante das revolucionárias novas tecnologias. E quando tratamos de economia, damo-nos conta do vil sistema econômico, que promove o hiperconsumismo, a insana depredação dos recursos naturais, a competição e a ambição, concentra riqueza e dissemina pobreza?

A palavra “sustentabilidade” tem sido vulgarizada, para ser um enganoso verniz em produtos, ações e ideias concebidos dentro do insano sistema econômico, que não é nada sustentável. Na questão ambiental, os exemplos de crise são o aquecimento global, a degradação de ecossistemas, a extinção de espécies, a pandemia. Na sociedade, temos crescente criminalidade e intolerância, efeito da injustiça social, a vitória da mentira sobre verdade, a falência da ética e da política, o belicismo entre nações, os temores com a subversão da inteligência artificial, a educação para o emburrecimento, o risco de novas pandemias... São evidências de que a sociedade não está sustentável. Hoje o que é gasto com armas seria suficiente para resolver os problemas mundiais de alimentação, saúde, emprego e moradia dignos, educação para a emancipação, cultura, lazer... Os gastos com armas são a mais clara evidência da insustentabilidade atual.

Não é só a palavra “sustentabilidade” que está divorciada de seu real significado. Outras fazem companhia a ela: “Deus”, “Cristo”, “fé”, “família”, “pátria” são algumas. O aviltamento destas palavras e de seu sentido nos impõe uma reflexão, se buscamos mais clareza para nos situarmos nesta crescente desarmonia do mundo em que vivemos. Implica a psicanálise do ser humano e da sociedade atual, que decide movida por pulsões, e não pela razão e sensibilidade.

O entendimento que temos destas vulgarizadas palavras não é mais fruto de um sentimento legítimo, pessoal, refletido: é fruto de uma massificação irrefletida, que é a principal tática de preservação dos oportunistas que se aproveitam do aviltamento do valor do trabalho para locupletar-se. Eles investem tudo que podem para que a sociedade continue se confundindo. O povo ignorante e desunido é mais fácil de ser logrado.

Desde que o reflexo condicionado foi estudado, a repetição da mentira até parecer verdade tem sido poderoso aliado do embuste do povo. O ser humano prefere aceitar uma afirmação alheia pronta do que ter de refletir para compreender a complexa realidade.

Se não refletirmos e escutarmos a própria consciência, continuaremos sendo bucha de canhão daqueles que enriquecem com a insustentabilidade.

Mário Sérgio de Melo é Geólogo, professor aposentado do Departamento de Geociências da UEPG

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