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A luta contra a escala 6x1 não acabou

Imagem ilustrativa da imagem A luta contra a escala 6x1 não acabou

Por Claudir Messias da Rosa

A aprovação, pela Câmara dos Deputados, da proposta que reduz a jornada de trabalho e avança no fim da escala 6x1 foi uma vitória da classe trabalhadora. Mas a luta está longe de terminar.

Foram 472 votos favoráveis conquistados depois de anos de mobilização sindical e pressão popular. Agora, o projeto está no Senado Federal, onde começa a etapa mais difícil. É neste momento que cresce o risco de setores conservadores tentarem desfigurar a proposta construída a partir das necessidades reais dos trabalhadores brasileiros.

O texto aprovado reduz gradualmente a jornada para 40 horas semanais e fortalece a jornada 5x2, garantindo mais tempo de descanso, convivência familiar, lazer e qualidade de vida sem redução salarial. É uma mudança histórica para milhões de brasileiros que hoje vivem praticamente sem tempo para a própria vida.

A realidade da escala 6x1 é cruel. Muitos trabalhadores passam a maior parte da semana dedicados exclusivamente ao trabalho, enfrentando jornadas cansativas, deslocamentos longos, desgaste físico e mental e pouco para atividades como estudos ou até mesmo para cuidar da saúde. Não é exagero afirmar que existe uma geração inteira adoecendo em função de um modelo de trabalho ultrapassado e desumano.

Por isso, o debate sobre a redução da jornada ultrapassa a questão econômica. Trata-se de uma discussão sobre dignidade humana e qualidade de vida. Países do mundo inteiro discutem redução de jornada, produtividade e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. O Brasil não pode continuar preso a um modelo em que o trabalhador vive apenas para produzir.

Mas justamente por representar uma mudança profunda, a proposta enfrenta resistência. Setores da direita e da extrema direita já articulam alterações no texto aprovado pela Câmara. Existem movimentações para apresentar emendas que podem enfraquecer ou descaracterizar completamente a proposta construída pelos trabalhadores e pelo movimento sindical.

Por isso, o momento exige atenção máxima da classe trabalhadora.

Nos próximos dias, a direção do nosso sindicato estará novamente em Brasília acompanhando as discussões no Senado, participando das agendas da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) e reforçando a pressão junto aos parlamentares. Nenhum direito trabalhista caiu do céu. Toda conquista da nossa classe foi resultado de mobilização e pressão popular.

Foi exatamente isso que aconteceu na Câmara. O Congresso Nacional estava tomado por dirigentes sindicais de várias categorias, representantes de movimentos populares e trabalhadores pressionando deputados nas comissões, nos corredores e nas redes sociais. E os próprios discursos dos parlamentares mostraram que a pressão popular influenciou diretamente o resultado da votação.

Nós estivemos nas portas das fábricas coletando assinaturas, dialogando com os trabalhadores, fortalecendo o Plebiscito Popular e ajudando a ampliar nacionalmente a pressão pelo fim da escala 6x1.

Agora, mais do que nunca, precisamos manter a mobilização nas ruas e nas redes sociais. Estamos em um momento político em que deputados e senadores sentem a pressão da opinião pública e sabem que votar contra os trabalhadores tem consequências.

Trabalhadores e trabalhadoras: a luta continua! Vamos pressionar o Senado nas ruas e nas redes até garantir o fim definitivo da escala 6x1!

Claudir Messias da Rosa é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Ponta Grossa e Região

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