Debates
O desafio de se preservar a biodiversidade
Da Redação | 21 de maio de 2026 - 00:12
Por Amanda Grzebielucka
O 22 de Maio, Dia Mundial da Biodiversidade, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a necessidade da preservação da diversidade biológica em todos os ecossistemas do planeta. A data faz referência à aprovação da Convenção sobre Diversidade Biológica, durante a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro em 1992, marco histórico sobre as discussões ambientais globais.
A biodiversidade engloba todas as formas de vida existentes, sejam animais, plantas, fungos e microrganismos, além das relações entre esses seres vivos e os ambientes em que vivem. Essa variedade é essencial para manter o equilíbrio ecológico, garantir a produção de alimentos, a qualidade da água, do ar e até o desenvolvimento de medicamentos.
O Brasil possui uma das maiores biodiversidades do mundo, reunindo biomas como Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa. Essa riqueza natural, porém, enfrenta ameaças constantes, como desmatamento, queimadas, poluição, mudanças climáticas e extinção de espécies. A perda da biodiversidade impacta diretamente a vida humana e compromete o equilíbrio dos ecossistemas.
O Brasil, um dos países mais biodiversos do mundo, enfrenta um cenário preocupante de destruição ambiental. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), somente na Amazônia, foram desmatados 5.796 km² de floresta entre agosto de 2024 e julho de 2025. No Cerrado, bioma considerado essencial para o abastecimento hídrico do país, o desmatamento ultrapassou 7.235 km² no mesmo período. Embora a redução registrada em comparação aos anos anteriores, os números demonstram que a devastação continua avançando sobre áreas fundamentais para o equilíbrio climático.
A Mata Atlântica, um dos biomas mais destruídos do Brasil, possui atualmente apenas cerca de 12% de sua vegetação original preservada, segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica. Já o Pantanal enfrenta recordes de queimadas e degradação ambiental impulsionadas pela expansão agropecuária e pelos efeitos das mudanças climáticas. Além disso, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) aponta que mais de 1.300 espécies da fauna brasileira encontram-se ameaçadas de extinção, consequência direta da destruição de habitats naturais.
Embora grande parte do debate ambiental ainda tente transferir a responsabilidade para atitudes individuais da população, os maiores impactos ambientais são provocados por grandes setores econômicos, como o agronegócio predatório, o garimpo ilegal, a mineração e o desmatamento incentivado pela exploração de terras. Estudos do MapBiomas apontam que a agropecuária é responsável pela maior parte das áreas desmatadas no país, especialmente na Amazônia e no Cerrado. Além disso, empresas e grupos econômicos frequentemente avançam sobre territórios indígenas e áreas de preservação ambiental, colocando em risco comunidades tradicionais, recursos naturais e milhares de espécies.
O Dia Internacional da Biodiversidade não deve ser apenas uma data simbólica, mas um momento para tomada de decisões que enfrentam o modelo de desenvolvimento que se apropria da natureza unicamente para o lucro. Preservar os ecossistemas é uma questão de sobrevivência de toda espécie de vida no Planeta, incluindo nós humanos.
Amanda Grzebielucka, 4º ano de Jornalismo UEPG e bolsista do projeto de extensão Pauta Ambiental