Debates
O reúso de água como estratégia de competitividade industrial
Da Redação | 05 de maio de 2026 - 01:03
Por Francisco Carlos Oliver
Diante do cenário das mudanças climáticas e o aumento da
escassez ou época de secas, a indústria que não dominar seu ciclo de água vai
perder competitividade. Por isso, qualquer gestor hoje precisa refletir como um
‘passivo ambiental’, como as chuvas, pode se transformar em um ‘ativo
financeiro’ com o tratamento eficiente de efluentes para reúso.
O aproveitamento de efluentes deve ser entendido como uma
unidade de economia circular, que é aquele modelo de produção que procura
reduzir desperdício e a poluição, usando o maior tempo possível materiais e
produtos por meio de reutilização, reciclagem ou compartilhamento.
Na competividade industrial a reutilização da água,
especialmente a de chuva, passou a ser um recurso eficaz. A razão é que essa
alternativa amortiza os custos operacionais e simultaneamente fica em
conformidade ambiental. Além de tudo, fortalece a imagem da sustentabilidade no
negócio. Hoje em dia, diversas indústrias entenderam a relevância desse
procedimento e estão aplicando tecnologias de reutilização da água.
E para complementar, o reúso é uma resposta direta diante
das frequentes estiagens. Cada vez mais os brasileiros percebem pelo noticiário
ou no seu próprio ambiente o aumento de crises de abastecimento de água. Por
isso mesmo, investir em tecnologias de melhor aproveitamento da chuva e de
outras possibilidades de reprocessamento é uma prática que não poderá mais ser
desvalorizada ou dispensada pelas plantas industriais pelo país que estão
conectadas com as tendências atuais e tecnológicas.
O impacto na competitividade pode ser constatado com
facilidade pela eficiência operacional com processos mais estáveis e menos
desprotegidos por interrupções pela falta de água. Algumas empresas descobriram
que financeiramente a mudança de comportamento é muito positiva na economia
financeira, havendo reduções de até 40% na conta, em alguns segmentos.
Segundo informações de mercado, conforme a tecnologia e
escala de reúso de água, o investimento na infraestrutura é bem elástico e pode
variar de R$ 500 mil a R$ 5 milhões. O payback também não é imediato e em média
leva de 3 a 7 anos, dependendo da tarifa de água da cidade e do volume de
consumo.
Hoje em dia, as inovações tecnológicas mais usuais e
acessíveis são eletroanálise reversa – EDR –, ultrafiltração, flotação por ar
dissolvido, tratamento biológico avançado, inteligência hídrica ou recirculação
em torres de resfriamento. São novos sistemas que fortalecem o posicionamento
da empresa como um líder ativo nas novas conquistas ambientais. Todas as
empresas que seguirem nesse caminho podem capitalizar como marca sustentável
norteada pela ESG, e porque a aplicação gera maior empatia e admiração pela
opinião pública.
As aplicações por setor são múltiplas e cada qual tem seu
objetivo. Na indústria petroquímica há o reúso de água para torres de
resfriamento e processos de lavagem. Na Indústria têxtil é empregado para o
reaproveitamento em processos de tingimento e lavagem de tecidos. Dentro da
indústria de alimentação e bebidas a água tratada é usada para limpeza de
equipamentos e até na irrigação de áreas verdes. E na indústria siderúrgica a
água processada é aproveitada na recirculação em sistemas de refrigeração.
No reúso estratégico de água há visível redução da
dependência de captação de água potável e queda nos gastos com tratamento de
efluentes. Em algumas regiões onde crises hídricas costumam castigar a produção
nota-se um risco menor de escassez. E havendo o cumprimento da legislação,
normas e exigência ambientais não aparecerão despesas indigestas como multas e
restrições na operação da fábrica.
Naturalmente há também desafios e riscos. Como já foi
exposto, os sistemas de tratamento e monitoramento exigem geralmente
investimentos significativos. Em algumas empresas não é qualquer água que pode
ser reutilizada sem que passe por tratamento avançado, exigindo por isso
tecnologia especializada. É preciso ainda alinhar reúso hídrico com políticas
de sustentabilidade e metas de produção. Pela complexidade técnica, a mão de
obra tem que ser capacitada.
Em São Paulo e outros estados, onde há frequente escassez hídrica, fazer investimentos em tecnologias de reúso é mais que uma prática sustentável, trata-se de uma estratégia de sobrevivência e competitividade industrial. Portanto, investir em tecnologias de reúso é bem vantajoso estrategicamente e quase indispensável para indústrias que querem se manter competitivas.
*Engº Francisco Carlos Oliver é diretor técnico industrial
da Fluid Feeder Indústria e Comércio Ltda., especializada em tratamento de água
e de efluentes por meio de soluções personalizadas. www.fluidfeeder.com.br