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Imagem ilustrativa da imagem Feliz 2026, Brasil!

Por Mário Sérgio de Melo

Dizem os orixás, 2026 vai ser um ano de tensões: disputa entre os poderes da República, ameaça à paz na América do Sul, copa do mundo de futebol, instabilidade internacional, eleições... Um ano em que lucidez, compreensão e amorosidade vão ser essenciais, visto que nosso país ocupa posição chave nos dilemas civilizacionais atuais.

Que dilemas? São vários: guerras x paz, cooperação x dominação, justiça x espoliação, narcisismo x empatia, honestidade x logro, ambição x moderação, espiritualidade x charlatanismo e, talvez o mais agudo, verdade x embuste. No mundo que vive o dilema do embate EUA versus multilateralismo, nosso país passa a ser alvo de acirrada disputa ideológica, política, econômica, cultural...

Nosso território e população são muito grandes, os recursos naturais são riquíssimos, a situação geopolítica é estratégica: influenciamos toda a América do Sul e o Atlântico Sul, enviamos alimentos e minérios essenciais para todo o mundo, temos os maiores mananciais de água doce do planeta – o recurso considerado o mais vital do Século XXI, vítima da emergência climática.

Diante de tudo isso, quais deveriam ser nossos votos para o Brasil em 2026? Antes do país, vamos pensar no seu povo: que, além da lucidez, compreensão e amorosidade, tenhamos também a firmeza para resistirmos às ameaças que virão de fora, na forma das guerras comerciais, jurídicas e cognitivas, tais como o tarifaço de Trump, a Lei Magnitsky, a Lava Jato e as “fake news”.

Há ainda a ameaça da guerra de fato, a pretexto do inventado “narcoterrorismo” na América do Sul, e à alegação que o crime organizado represente uma ameaça terrorista internacional. Na verdade, facções criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital não são nem sombra da Yakuza japonesa, da Cosa Nostra e Camorra italianas, da Bratva russa. Ou do terrorismo das bombas de Hiroshima e Nagasaki, do assassinato do presidente Kennedy, do criminoso sequestro de Nicolás Maduro, travestido de “captura”. Há muitas organizações criminosas e interesses internacionais que, esses sim, deveriam ser combatidos em prol da segurança no planeta.

A lucidez para compreender tudo que está em jogo é essencial para que o povo brasileiro saiba ter a solidariedade e a firmeza para manter viva a esperança de um projeto de nação livre, soberana, equânime, próspera e pacífica. Já temos muitos dos requisitos para um feliz 2026 no Brasil: o país continente pleno de recursos naturais e, sobretudo, a maioria do povo mestiço e degredado, fruto de uma história de exploração, crueldade, discriminação e sofrimento. Ao longo dos séculos temos visto a diferença que faz a presença ou a ausência da justiça social e da solidariedade humana.

Talvez o que ainda nos falte, para um muito feliz 2026 no Brasil, seja romper com o conformismo, o comodismo e a leniência, e engajar-se de vez no fortalecimento da democracia e na construção da nova realidade, mais justa, harmoniosa e pacífica.

Mário Sérgio de Melo é Geólogo, professor aposentado do Departamento de Geociências da UEPG

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