O coronavírus e o Brasil

Por Mário Sérgio de Melo

No Brasil o coronavírus está fazendo das suas. Aqui a crise na saúde soma-se à crise política, econômica, civilizatória. A começar da enxurrada de besteirol nas redes sociais. Como nosso povo é pobre, de espírito, de linguagem, de discernimento! Instalou-se mais uma polarização entre dois extremos. Nunca ficou tão claro que a polarização é a medíocre realidade de quem não quer ou não é capaz de ponderar. Assume posições extremas como dogmas, como o beato de fé cega submete-se sem refletir.

De um lado temos a histeria do povo que lota supermercados, as filas de vacinas contra a gripe, o entulho das redes sociais. A pandemia parece ser o fim do mundo. Uma contradição típica do pânico insano. Estão apavorados, ao invés de isolarem-se juntam-se à multidão ensandecida para depois, contaminados, poderem talvez isolar-se.

De outro lado o brado de desvario do dinheirismo levado ao extremo da canalhice: ─ É uma gripezinha. Não podemos nos assustar com ela. Não podemos parar de trabalhar. Ou o mercado não vai resistir. A economia não vai resistir. ─ Há uma verdade clara e cruel nestas afirmações: o vírus vai provocar uma crise econômica sem precedentes, talvez com consequências mais agudas que o próprio vírus. E uma verdade oculta: o mercado é mais importante que a vida das pessoas, principalmente aquelas vítimas potenciais do vírus, os idosos, os vulneráveis, os miseráveis. É o dinheiro mais importante que a vida.

Mas esta pandemia tem seus caprichos. Ameaça também o vovô, a vovó, o tiozinho excêntrico e o priminho franzino das famílias da elite econômica. O medo alastra-se por todas as classes sociais, ainda que tenha suas preferências. Comparado com outros flagelos, como a fome, a insegurança, o desemprego, a discriminação, o vírus até pode ser considerado imparcial. Veremos se também vai ser imparcial o tratamento dos casos agudos nos hospitais públicos e privados.

Certo que a crise econômica desencadeada pelo vírus vai trazer o risco de mais sacrifícios, talvez mais mortes, vítimas da miséria e da violência. Mas uma consequência benéfica do vírus que muitos já têm ressaltado é que talvez a crise econômica nos obrigue a rearranjos mais solidários e mais lúcidos na ordem e na consciência mundial. Talvez a humanidade evolua desta civilização da desigualdade, da iniquidade, da competitividade, da locupletação de uns poucos à custa da miséria de muitos, do consumo desvairado ao preço do desequilíbrio do planeta.

E quem brada em defesa do mercado e da economia parece considerar que as mortes sejam um dano colateral inevitável, um pequeno sacrifício em nome de tudo continuar como tem sido, de uma ideia de progresso baseada em estatísticas e não no bem estar social.

No fundo, é o brado de quem não quer ser apeado de um governo que já se mostrava desorientado antes da crise, e agora, com o vírus, revela seu completo desvario.

Mário Sérgio de Melo é Geólogo, professor aposentado do Departamento de Geociências da UEPG

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