Consumo e felicidade: o que a filosofia tem a ver com isso?

Por Antoine Abed

Compras física ou on-line. Eletrônicos, vestuários, cosméticos, imóveis ou veículos. Qual sentimento surge quando somos bombardeados por essa infinidade de produtos e opções? Acredito que a maioria, em um primeiro impulso, pensaria: dá vontade de comprar tudo!  

Essa vontade de adquirir produtos de forma aleatória não é por acaso e muitos pensadores já estudaram esse tema um tanto complexo. É preciso contextualizar a sociedade contemporânea para compreender como nos tornamos uma sociedade baseada na “compra da felicidade’’.

Quando necessito fazer essa contextualização, sempre recorro aos pensamentos do sociólogo Zygmunt Bauman. Ao analisar os cenários contemporâneos, afirmou que estamos vivendo a passagem da modernidade sólida para a modernidade líquida. Nesse primeiro contexto, as perspectivas duradouras de identidades sociais, trabalho e entendimento do que é “família’’ traziam a sensação de segurança, pois tais valores se transformavam em ritmo lento e previsível.

Na passagem para a modernidade líquida, Bauman destacou que ela é marcada por transformações amplas como a fragmentação do indivíduo, ou seja, a sociedade atual não é fixa em um determinado espaço ou tempo. Estamos sempre adotando maneiras de experimentar o novo e manter uma forma fixa.

A questão é que sem uma identidade definida, acabamos perdidos nas milhares de possibilidades de “ser”, abrindo, assim, oportunidades para aumentar a base de consumidores através de uma nova forma de comunicação. Hoje, empresas especializadas em propaganda e marketing focam e exploram seu produto, não por seus benefícios, mas por apelos que enaltecem e glamourizam um estilo de vida “prometido” àqueles que fizerem seu consumo.

Podemos dizer, indiscutivelmente, que o homem contemporâneo consome mais do que precisa para viver. Nesse sentido, houve uma grande mudança desde o início do capitalismo industrial, quando o homem moderno só se preocupava em produzir as mercadorias, enquanto o homem contemporâneo precisa se tornar um consumidor para retroalimentar o sistema.

Exemplos são os mais variados: se o leitor estiver na faixa dos 40+, vai se lembrar do “mundo de Marlboro”, em que um homem forte e viril fazia um chamado para que o incauto freguês se tornasse um “Marlboro man” como ele. Se o leitor for mais jovem, podemos lembrar das enormes filas que se formam em frente às lojas da Apple à espera da sua abertura, a fim de adquirir um novo gadget só pelo prazer de possuir o novo modelo e se sentir incluído nesse grupo, apesar do antigo aparelho ainda funcionar perfeitamente.

Assim exposto, fica mais fácil entender que a sociedade contemporânea sofre um descolamento entre sua identidade e culturas locais com o que ela representava poucas décadas atrás. Com a perda da identidade, o indivíduo cria uma cultura baseada no consumo de produtos aleatórios e na ostentação de uma vida “bem-sucedida’’ relacionada com sua capacidade de compra. A manipulação dos desejos que estamos sofrendo por meio das propagandas atrapalha sobremaneira a construção da identidade de um indivíduo.

Logo, construir um estilo próprio em um mundo em que as identidades estão escassas é algo muito difícil nos tempos atuais. A crise de identidade e as barreiras de consumo estão interligadas no desenvolvimento de um estilo de vida ilusório. Então, na próxima vez que receber propagandas pela internet ou sair para um passeio nos shoppings, se pergunte: será que necessito realmente disso, ou estou agindo por impulso? Tenha em mente que o consumismo como forma de conforto para sua inquietação moral tem prazo curto de satisfação. Lembre-se, felicidade não se compra em vitrines de shoppings!


Antoine Abed é presidente fundador do Instituto Dignidade, filantrópico, empreendedor, estudante de Filosofia e autor da obra “Ensaio Sobre a Crise da Felicidade”.

 

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