Meio século da OCB

Por Roberto Rodrigues

Para celebrar os 50 anos de sua criação, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) realizou, 8 a 10 de maio, seu 14° Congresso, discutindo a construção do futuro do movimento diante do cenário econômico e político do país e do mundo, com mais de 1.300 participantes de todo o país.

Trata-se de um movimento que ganhou credibilidade ao longo deste meio século de existência, estando expressivamente presente nos diferentes segmentos socioeconômicos do Brasil, com cerca de 6.800 cooperativas atuantes que nucleiam mais de 14 milhões de cooperados. Para se ter uma ideia da importância dessas empresas, basta dizer que, na área rural, mais da metade da produção agropecuária nacional passa por cooperativas, com uma condição: a grande maioria dos associados é de pequenos e médios produtores. E, na área do crédito, o dado é ainda mais relevante: as cooperativas de crédito só cresceram depois da Constituição de 1988, na qual foram reconhecidas como integrantes do Sistema Financeiro Nacional e passaram a ser fiscalizadas pelo Banco Central, assim como já eram os demais bancos. Com isso, a evolução recente desse setor foi tão espetacular que, se todas as cooperativas de crédito integrassem um único banco de cúpula, este já seria o sexto maior do país, atrás apenas do Banco do Brasil, da CAIXA e dos privados Itaú, Bradesco e Santander. E é um velho sonho dos líderes cooperativistas que essa unicidade seja alcançada num futuro não muito distante.

No Congresso, foram discutidos alguns temas recorrentes nunca resolvidos até então. Entre eles, foi aprovada uma recomendação de que todas as cooperativas, de qualquer ramo de atividade, passassem a ter em seu Conselho de Administração pelo menos uma mulher e um(a) jovem. Antigos líderes não gostavam dessas ideias, argumentando que nos quadros sociais não havia representantes do sexo feminino ou da juventude suficientemente preparados para assumir um cargo nos Conselhos. Com isso, inibiam o acesso a tais pessoas.

Mas desta vez ficou aprovada a tese: mesmo que não existam mulheres ou jovens já capacitados para a função e, portanto, sem condições eleitorais, a direção da cooperativa cooptará pessoas indicadas nos seus comitês feminino e de juventude, que passarão a integrar o Conselho com direito a voz e sem direito a voto (para se diferenciar dos colegas eleitos).

Tal proposta ajudou na reafirmação de outros aspectos que têm a ver com o posicionamento das cooperativas no cenário global.

E aí ressalta a conceituação clara de que cooperativa é uma empresa; constituída sob a orientação da doutrina, margeada por valores e princípios universais, mas uma empresa. Presta serviços aos seus associados para que eles possam progredir econômica e socialmente, mas é uma empresa. Sendo assim, a cooperativa precisa estar inserida nos mercados de forma competitiva, com gestão profissional focada e eficiente, assumindo que a sustentabilidade da sua produção é elemento central da competitividade. Definitivamente, cooperativa não é sociedade beneficente, nem palco para amadores.

Num mundo tremendamente concorrencial, com “guerras comerciais” legítimas ou não – com lideranças mundiais desestabilizando instituições multilaterais construídas a duras penas por décadas, dando espaço para um neoprotecionismo que afetará os países emergentes –, as cooperativas serão elemento de destaque na defesa de pequenos e médios investidores de qualquer setor econômico, garantindo, assim, a inclusão social e a preservação da democracia no planeta.

 

*Roberto Rodrigues é coordenador do Centro de Agronegócio da FGV e Embaixador Especial da FAO para as Cooperativas

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