Campos Gerais
Municípios dos Campos Gerais pontuam projetos únicos para o desenvolvimento
Para prefeito de Sengés e presidente da AMCG, Gerson Nunes, a região já é uma das referências em termos de desenvolvimento no Paraná, entretanto, o gestor afirma que também enfrenta desafios que precisam ser tratados de forma conjunta pelas cidades
João Iansen e Milena Batista | 21 de fevereiro de 2026 - 06:55
Os municípios dos Campos Gerais têm se tornado referência no desenvolvimento do Estado do Paraná nos últimos anos, sendo uma das principais regiões produtivas e com rodovias importantes, ligando diferentes pontos do país, sendo um corredor para o escoamento da produção.
Para o prefeito de Sengés e presidente da Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG), Gerson Nunes, a região já é uma das referências em termos de desenvolvimento no estado do Paraná e tem potencial extraordinário. Entretanto, por outro lado, o gestor afirma que também enfrenta desafios que precisam ser tratados de forma conjunta pelas cidades.
“Entre as principais pautas que estamos defendendo nesta nova gestão estão a saúde pública, especialmente o fortalecimento constante do atendimento regionalizado; a continuidade dos investimentos em infraestrutura; e a melhoria da logística das nossas estradas, com foco na recuperação e modernização das rodovias que ligam nossos municípios e escoam a produção”, comenta Gerson.
A respeito do escoamento da produção, na região, as principais rodovias são a PR-151, PR-090, PR-092, BR-277, BR-373 e BR-376. Atualmente, inúmeras intervenções são realizadas para melhorar a infraestrutura nas estradas.
Na PR-151, no trecho entre Ponta Grossa e Palmeira, está sendo realizada a restauração em concreto em 32,7 quilômetros, com aporte de R$ 257,2 milhões do Governo do Estado.
Além da restauração em concreto de toda a pista, serão implantados 15,2 quilômetros de terceiras faixas, novas vias marginais, correções de geometria de curvas, além de nova sinalização horizontal e sinalização vertical, e instalação de dispositivos de segurança viária.
Também será construído um novo viaduto no perímetro urbano de Palmeira, no entroncamento da PR-151 com a rua XV de Novembro, Rua Manoel Ribas, Rua Daniel Mansani e a Avenida Nacim Bacila. A previsão é concluir a obra em 2027.
Outra importante obra está sendo realizada na BR-277, entre Irati e Palmeira. Será feita a duplicação da rodovia, com aporte de R$ 240 milhões. Nesta primeira etapa, serão 27,5 quilômetros de duplicações, além de novos dispositivos de retorno e obras de arte especiais, com conclusão prevista para fevereiro de 2027.
Atrelada à questão da produção, outra demanda apontada por Gerson Nunes é a necessidade de ampliar o apoio ao desenvolvimento industrial e a agricultura familiar. “Também temos como prioridade o apoio a projetos e iniciativas para fortalecer ainda mais a geração de emprego e renda, por meio do incentivo ao desenvolvimento industrial e à agricultura familiar”, reforça o presidente da AMCG.
Neste sentido, municípios como Carambeí, Irati, Imbaú, entre outros, têm investido na criação e infraestrutura de distritos industriais, para atrair cada vez mais investimentos no setor.
Recentemente, o Instituto Água e Terra (IAT) emitiu a Licença Ambiental que viabiliza a implantação do distrito industrial de Imbaú. Já em Irati, foi publicado o edital de licitação para contratação de uma empresa especializada para iniciar a pavimentação do Distrito Industrial, localizado às margens da BR-277.
A questão levanta preocupações para problemas relacionados ao fornecimento de energia elétrica e abastecimento de água nestes locais. Isto porque algumas demandas recentes apontadas por prefeitos é a precariedade destes serviços em zonas rurais. As questões são tratadas junto a equipes da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e da Companhia de Energia Elétrica do Paraná (Copel).
Em dezembro de 2025, o prefeito de Piraí do Sul, Henrique Carneiro, pediu providências para a falta de energia elétrica na zona rural. “O problema tem gerado prejuízos econômicos, dificuldades no abastecimento de água e riscos à manutenção das atividades básicas no campo, especialmente para quem depende de sistemas elétricos para ordenha, refrigeração e bombeamento de água”, conta.
A Prefeitura de Sengés também emitiu uma nota para a falta de energia por quatro dias em comunidades e distritos. “A Administração Municipal tem ciência dos graves transtornos causados pelas frequentes quedas e pela falta de energia em algumas localidades, como o Bairro Erva Doce, Barra, distrito do Reianópolis e Ouro Verde, entre outras áreas urbanas e rurais, gerando prejuízos às famílias, ao comércio e à produção rural. Diante dessa situação, a Prefeitura de Sengés vem cobrando de forma constante e oficial a Copel", inicia a nota.
Por fim, Gerson destaca a necessidade de ampliar, ainda mais, a segurança pública na região. "Outra pauta que merece destaque é a segurança pública, com a busca pelo aumento do efetivo policial e por ações integradas que garantam mais tranquilidade e proteção para a nossa população. Reconhecemos todo o trabalho competente que vem sendo realizado pelas nossas forças de segurança ao longo dos últimos anos e sabemos que se trata de um setor muito importante. Um exemplo é o debate sobre a implantação da Companhia Independente da Polícia Militar em Castro, pauta já defendida pelo prefeito Dr. Reinaldo, que beneficiaria vários municípios da região”, disse.
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GOVERNO DO ESTADO RECONHECE O CRESCIMENTO DA REGIÃO
Em recente entrevista concedida pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, ele destaca o desenvolvimento dos Campos Gerais, além de sua importância para o Paraná. Para o governador, em resposta ao Portal aRede, os Campos Gerais se tornaram um ponto estratégico para o Paraná, em especial no agronegócio. “O agronegócio é muito forte. Nós temos várias cooperativas aqui na região, em Castro, Carambeí, Ponta Grossa, de um modo geral em todos os Campos Gerais”. Outro ponto citado por Ratinho foi o desenvolvimento do polo industrial da região. “O polo começou em Ponta Grossa, há anos atrás, e agora vem se expandindo para as cidades vizinhas. Este é o caso de Carambeí, Castro, Piraí do Sul, onde estão sendo organizados novos parques industriais”, explica.
Por fim, Ratinho afirma que o Governo do Estado estará sempre acompanhando o crescimento regional. “Isto para poder dar condições para quem mora, quem vier morar e quem se instalar como indústria poder ter um ambiente saudável para poder gerar emprego e riqueza para a região”, finaliza.
Com o reconhecimento do Estado, Gerson Nunes também destaca a importância de garantir cada vez mais representatividade política para os Campos Gerais. “Devemos manter o diálogo permanente com o Governo do Estado, que está sempre caminhando ao lado dos municípios e garantindo o apoio necessário para estimular o desenvolvimento. A AMCG precisa ser a voz ativa dos municípios, defendendo seus interesses e construindo soluções conjuntas”, comenta.
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AMCG TRABALHA PARA BUSCAR SOLUÇÕES
Conforme o presidente Gerson Nunes, a AMCG tem trabalhado, ao longo de toda a sua história, para dialogar e atuar lado a lado com o Governo do Estado, apresentando as principais demandas das nossas cidades e buscando soluções. “É uma postura que pretendemos manter e fortalecer nesta administração. Com essa atuação conjunta, que já rende frutos muito importantes, esperamos seguir somando novas conquistas para os Campos Gerais”, explica.
Na sequência, Gerson afirma que procura dialogar e atuar em parceria com entidades como o Consórcio Intermunicipal SAMU Campos Gerais (CimSamu), o Consórcio Intermunicipal de Saúde (CimSaúde) e demais entidades e comitês territoriais. “Além disso, estamos sempre abertos a novas parcerias institucionais e técnicas que tragam inovação e eficiência para as administrações municipais. Nosso compromisso é defender os interesses dos municípios, garantir mais representatividade para os Campos Gerais e construir soluções por meio do diálogo e do trabalho conjunto. A força da nossa região está na união, e é assim que vamos avançar”, complementa.
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COPEL PROJETA R$ 82,5 MILHÕES EM INVESTIMENTOS NOS CAMPOS GERAIS
A equipe de Jornalismo do Portal aRede e Jornal da Manhã entrou em contato com a Companhia Paranaense de Energia (Copel), para debater os futuros projetos da empresa para a região dos Campos Gerais.
A companhia destacou a previsão de investimentos contínuos na melhoria da rede elétrica em todas as regiões do Paraná, consolidando uma estratégia voltada à segurança energética e ao desenvolvimento econômico do Estado.
“Em 2025, a companhia fechou o ano com R$ 2,7 bilhões investidos em obras. No ano anterior, outros R$ 2,1 bilhões já haviam sido aplicados em melhorias na rede elétrica paranaense”, afirmou a empresa.
Agora, em 2026, a Copel abre um novo ciclo de investimentos para os próximos cinco anos, com aportes de R$ 1,9 bilhão destinados à melhoria contínua da rede de distribuição de energia.
Conforme a empresa, desse total, cerca de R$ 1,5 bilhão será aplicado ainda neste ano em novas intervenções. O restante será direcionado a ações permanentes de manutenção, fundamentais para garantir a segurança energética em todas as cidades paranaenses.
A Copel ressaltou que a segurança energética é um fator preponderante ao crescimento econômico. “Nesse contexto, o planejamento da Copel tem dado importante suporte ao crescimento do Estado com investimentos recordes revertidos na ampliação da infraestrutura de alta tensão e média tensão e na modernização da rede elétrica em todas as regiões”.
Na Região Centro-Sul oriental, onde estão os Campos Gerais, a companhia mantém frentes robustas de investimento, com destaque para a implantação de nova rede trifásica, construção de subestações, ampliação das redes de média e baixa tensão e modernização tecnológica com novos equipamentos.
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REDE TRIFÁSICA BENEFICIA PRODUTORES RURAIS
“Nos Campos Gerais, são cerca de 2 mil quilômetros de nova rede trifásica implantada e disponível aos produtores rurais de 14 cidades: Reserva, Castro, Ortigueira, Ponta Grossa, Palmeira, Tibagi, Sengés, Piraí do Sul, Jaguariaíva, Ventania, Carambeí, Arapoti, Imbaú e Telêmaco Borba”, comentou a Copel.
A nova estrutura, mais robusta e resistente, amplia a capacidade de fornecimento e melhora o desempenho de equipamentos no campo, favorecendo atividades como a produção de proteína animal, que depende de sistemas de refrigeração, ventilação e automação, além da conexão entre máquinas agrícolas.
As melhorias incluem ainda a instalação de novos transformadores, equipamentos de automação e reforço no atendimento direto aos clientes.
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NOVAS SUBESTAÇÕES
Além da rede trifásica, a região dos Campos Gerais recebeu novas subestações de distribuição, estruturas fundamentais para garantir fornecimento estável, seguro e eficiente tanto no campo quanto nas cidades.
“Em Piraí do Sul, a nova subestação de 138 mil volts foi desenhada para atender a 13 mil unidades consumidoras diretamente. Foram investidos R$ 44,4 milhões da Copel nessa estrutura que irá garantir a entrega de energia a cerca de 40 mil pessoas”, ressaltou a empresa.
Já em Ponta Grossa, o sistema elétrico foi reforçado com a subestação Itaiacoca, que atende 1,7 mil unidades consumidoras e beneficia diretamente mais de 5 mil clientes.
Segundo a Copel, as subestações são planejadas conforme as necessidades específicas de cada região, considerando crescimento populacional, desenvolvimento econômico, características climáticas e demandas locais de consumo. “As novas subestações na região reforçam a distribuição estável de energia para o atendimento a indústrias, comércio, residências e propriedades rurais”.
Para 2026, o plano de investimentos da Copel nos Campos Gerais prevê ainda aportes adicionais de R$ 82,5 milhões no sistema de distribuição, incluindo expansão da rede, novos transformadores, automação e reforço no atendimento.
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PLANEJAMENTO INTEGRADO
O planejamento da Copel visa garantir a segurança energética no presente e no futuro de todas as regiões do Estado. “Nesse contexto, são considerados não apenas a estrutura existente dos municípios, como também a possibilidade de ampliação, com a atração de novas empresas, implantação de parques industriais, entre outros investimentos”, afirmou a companhia.
A Copel mantém uma Divisão do Poder Público, com equipe dedicada que atua em conjunto com gerentes de base em todo o Estado. “O setor funciona como canal direto com as prefeituras, apoiando o acompanhamento de demandas e o planejamento de longo prazo”, disse a empresa.
Na região Centro-Sul, onde estão os Campos Gerais, consultores da empresa atendem 53 prefeituras, alinhando estratégias e ações conjuntas que envolvem temas comerciais, investimentos e atendimento a emergências. O canal exclusivo busca dar maior celeridade à comunicação e assertividade às ações.
A Copel é uma empresa de energia e os investimentos da companhia em infraestrutura têm por objetivo a segurança energética. A falta de energia afeta todas as áreas do setor produtivo, com maior ou menor impacto. “Sejam os setores de produção de proteína animal, que dependem de equipamentos de refrigeração, de aeração, ventilação, como também a conexão entre máquinas no campo”, declarou a companhia.
Como as redes de transmissão e distribuição estão expostas a agentes externos, eventos climáticos severos podem provocar interrupções. Um dos principais fatores de desligamentos complexos é o contato da vegetação com a rede elétrica.
A ampliação e o reforço da rede caminham lado a lado com ações permanentes de poda preventiva e manutenção corretiva. “Por mais resistente que seja um circuito, ele não suporta a queda de uma árvore. Por isso, a segurança energética tem que ser entendida como uma causa compartilhada para o desenvolvimento local e regional”, contou a Copel.
Para a empresa, nesse cenário, a segurança energética é entendida como uma causa compartilhada, que exige diagnóstico, planejamento, investimento e atuação integrada entre companhia de energia, setor produtivo e poder público.
Por fim, a companhia ressalta que o desenvolvimento de novos distritos industriais e a ampliação de empreendimentos dependem do alinhamento entre prefeituras e equipes técnicas da Copel — um trabalho contínuo que conecta infraestrutura elétrica ao futuro econômico do Paraná.
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SANEPAR AMPLIA ACESSO À ÁGUA TRATADA
A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) destaca ser contratualmente responsável pelo abastecimento de água nas áreas urbanas dos municípios onde atua. “Fora das sedes urbanas, a responsabilidade pelo serviço é das prefeituras. Ainda assim, com o objetivo de ampliar o acesso à água tratada nas comunidades rurais, a Companhia tem firmado contratos aditivos e parcerias com os municípios por meio do programa Sanepar Rural”.
Segundo a Sanepar, na região dos Campos Gerais, estão em andamento iniciativas como a implantação de sistemas de abastecimento nas comunidades de Catanduvas de Fora, em Carambeí; Campina dos Pupo, em Ortigueira; Nova Restinga e Restinga Seca, em Porto Amazonas; além de Cachoeira e Canudos, em São João do Triunfo.
A Sanepar mantém relacionamento contínuo com as administrações municipais. “As demandas para atendimento em áreas rurais são apresentadas, na maioria das vezes, pelos próprios gestores públicos. A partir disso, a Companhia desenvolve estudos e projetos de viabilidade técnica e econômica”.
Confirmada a viabilidade, é formalizada a parceria por meio do Sanepar Rural — um acordo de cooperação técnica e financeira. Nesse modelo, a Sanepar elabora os projetos de engenharia, fornece materiais e executa as instalações elétricas e hidráulicas, além de capacitar a comunidade para a gestão do sistema de abastecimento.
Já as prefeituras entram com a mão de obra e os insumos necessários para o assentamento das tubulações e são responsáveis pelo manancial de abastecimento, normalmente poços artesianos.
Criado há mais de 40 anos, o programa é uma das principais ferramentas para expandir o acesso à água potável de qualidade no campo, gerando benefícios diretos às famílias que vivem nas áreas rurais.
Quando o tema é recurso hídrico, a responsabilidade não recai apenas sobre a Sanepar ou sobre as prefeituras. O compromisso é de toda a sociedade. A Companhia tem buscado contribuir com os municípios que enfrentam os impactos das mudanças climáticas, que vêm comprometendo fontes de abastecimento em propriedades rurais.
Além da ampliação dos sistemas de água, a Sanepar promove programas ambientais que incentivam a proteção de matas ciliares e nascentes, fundamentais para garantir qualidade e disponibilidade hídrica. A empresa também investe continuamente na infraestrutura de saneamento das cidades onde atua, fortalecendo os sistemas de água e esgoto.
Entre as ações estratégicas está a participação no Programa Rota do Progresso, do Governo do Estado, iniciativa que visa impulsionar o desenvolvimento de 68 municípios por meio da expansão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
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PLANEJAMENTO PARA DISTRITOS INDUSTRIAIS
No caso dos distritos industriais, a Sanepar realiza análises específicas sobre as condições de abastecimento de água e de esgotamento sanitário de cada município. São avaliadas as particularidades técnicas e econômicas de cada projeto para, em conjunto com as prefeituras, definir a possibilidade de expansão do atendimento por meio de um dos programas de investimento da Companhia.
O objetivo é assegurar que o crescimento urbano e industrial ocorra com infraestrutura adequada, garantindo segurança hídrica e sustentabilidade para o desenvolvimento regional.