Falta de ônibus, voos cancelados e problemas com barcos dificultam acesso às urnas pelo Brasil
Denúncias em diferentes estados marcam o segundo turno das eleições presidenciais neste domingo (25); Justiça determina retomada de transporte em Salvador, enquanto passageiros relatam dificuldades em aeroportos, rodoviárias e terminais fluviais

Eleitores de diferentes regiões do Brasil enfrentam dificuldades para chegar aos locais de votação neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, disputado entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Denúncias de falta de ônibus, cancelamentos de voos, problemas no transporte rodoviário e insuficiência de barcos e balsas ganharam repercussão nacional e provocaram a intervenção de autoridades eleitorais.
As ocorrências foram registradas em estados como Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Paraíba e Rio Grande do Sul. Em algumas localidades, partidos políticos recorreram à Justiça Eleitoral para exigir o cumprimento das determinações que garantem transporte gratuito aos eleitores, enquanto passageiros relataram longas esperas e dificuldades para realizar deslocamentos necessários ao exercício do voto.
A situação mais grave foi registrada em Salvador, na Bahia, onde a Justiça Eleitoral determinou o restabelecimento imediato da frota de ônibus e a prisão do secretário municipal de Mobilidade. Em outras regiões, denúncias envolvendo o transporte coletivo e fluvial também levantaram questionamentos sobre possíveis prejuízos à participação dos eleitores.
Bahia: Justiça determina prisão de secretário e multa de R$ 1 milhão por hora
Em Salvador, a redução da circulação de ônibus provocou uma crise durante a manhã de votação. Moradores de diferentes bairros denunciaram pontos lotados, longas esperas e dificuldades para chegar às seções eleitorais.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, acionou o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), alegando que a oferta de transporte coletivo estava reduzida em mais de 50% em relação aos dias úteis.
O presidente do TRE-BA, desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou o restabelecimento imediato de toda a frota, com frequência equivalente à dos dias úteis e gratuidade aos passageiros. A decisão estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento.
A Justiça também determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, e encaminhou o caso à Polícia Federal e ao Ministério Público Eleitoral para investigação de possíveis crimes eleitorais.
Durante fiscalizações, o Procon da Bahia encontrou 252 ônibus aptos a operar, mas parados em três garagens da capital. As empresas responsáveis foram alvo de medidas administrativas.
A Prefeitura de Salvador negou qualquer tentativa de prejudicar a votação. O prefeito Bruno Reis (União Brasil) afirmou que parte dos veículos ficou temporariamente retida devido à colocação irregular de adesivos eleitorais nos ônibus e garantiu que a circulação foi normalizada.
Diante das dificuldades, a federação partidária também solicitou à Justiça Eleitoral a ampliação do horário de votação em Salvador e em outros municípios baianos.
São Paulo: eleitores denunciam redução da frota de ônibus
Na cidade de São Paulo, passageiros relataram dificuldades para utilizar o transporte público durante o segundo turno.
As reclamações envolveram bairros da zona leste, como Itaim Paulista, além de regiões da zona norte, do centro e da avenida Paulista.
O Partido dos Trabalhadores acionou a Justiça Eleitoral alegando que a quantidade de ônibus em circulação estava abaixo do necessário para garantir o deslocamento dos eleitores.
A Justiça havia determinado que a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans mantivessem a frota em circulação conforme os parâmetros estabelecidos para o dia da eleição, sob pena de multa de R$ 100 mil e possível responsabilização dos gestores.
A administração municipal informou que enfrentou dificuldades operacionais para atender integralmente à determinação, recebida com menos de 12 horas de antecedência.
Além dos problemas no transporte urbano, também surgiram reclamações sobre a disponibilidade de passagens rodoviárias para deslocamentos entre a capital e municípios do interior paulista.
Pará: eleitores ficam sem barcos e balsas para chegar aos locais de votação
No Pará, as dificuldades atingiram principalmente moradores que dependem do transporte fluvial para se deslocar entre municípios e comunidades ribeirinhas.
Em Icoaraci, distrito de Belém, e em Breves, no Arquipélago do Marajó, passageiros denunciaram falta de embarcações, encerramento de embarques sem aviso prévio e dificuldades para conseguir passagens gratuitas.
Uma das passageiras relatou que aproximadamente 500 pessoas teriam ficado sem embarcar. O número, apresentado pela denunciante, ainda não havia sido confirmado pelas autoridades.
Segundo os relatos, havia crianças, idosos e pessoas que precisavam chegar a outros municípios para votar.
Passageiros também questionaram a quantidade de balsas disponibilizadas para atender à demanda eleitoral. Em uma das denúncias, uma moradora afirmou que apenas uma embarcação havia sido colocada à disposição de um grande número de pessoas.
O problema ganhou relevância porque o transporte fluvial é essencial para milhares de moradores do Pará, especialmente nas ilhas e comunidades do Arquipélago do Marajó.
A gratuidade do transporte havia sido determinada pelo governo estadual, mas passageiros relataram dificuldades para utilizar o benefício.
Rio de Janeiro: falta de ônibus também gera reclamações
No Rio de Janeiro, moradores de Petrópolis denunciaram escassez de ônibus durante o segundo turno.
Os relatos ocorreram apesar de uma determinação judicial para reforçar a circulação dos coletivos, após problemas semelhantes terem sido registrados durante o primeiro turno.
Eleitores afirmaram que a oferta insuficiente de veículos dificultou o deslocamento até as seções eleitorais.
As denúncias foram encaminhadas às autoridades competentes, que deverão avaliar se houve descumprimento das determinações relacionadas ao transporte público durante a votação.
Paraíba: dificuldades para viajar ao interior
Na Paraíba, passageiros também relataram dificuldades para conseguir transporte rodoviário gratuito entre João Pessoa e municípios do interior.
As reclamações envolveram a disponibilidade de ônibus para eleitores que precisavam viajar até as cidades onde possuem domicílio eleitoral.
A situação provocou questionamentos sobre a oferta de veículos e a capacidade de atendimento à demanda durante o segundo turno.
Rio Grande do Sul: voos cancelados provocam protestos de passageiros
Os problemas de deslocamento também atingiram o transporte aéreo.
No Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, passageiros protestaram após o cancelamento de um voo da Gol que partiria para Salvador no sábado (24), véspera da eleição.
O voo G3 1979 transportaria 184 passageiros. Segundo relatos, alguns viajantes aguardaram aproximadamente seis horas por uma solução.
A Gol informou que o cancelamento ocorreu por problemas técnicos na aeronave e que os passageiros receberam assistência e foram reacomodados. A companhia também programou um voo adicional para Salvador durante a madrugada de domingo, buscando permitir a chegada dos passageiros antes da votação.
Neste domingo, outros dois voos com destino a Guarulhos, operados pela Azul e pela Latam, também tiveram cancelamentos registrados em Porto Alegre. Um voo da Azul para Recife sofreu alteração de horário.
Os episódios provocaram manifestações de passageiros e repercussão nas redes sociais, especialmente entre pessoas que precisavam viajar para votar.
Governo federal cobra explicações sobre cancelamentos
Diante das reclamações, o Ministério de Portos e Aeroportos solicitou esclarecimentos às companhias aéreas e determinou o acompanhamento da situação pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Em nota oficial divulgada neste domingo, o ministério informou que, conforme os dados recebidos das empresas, três decolagens haviam sido suspensas por motivos operacionais e que os passageiros teriam sido reacomodados em outras aeronaves.
A Anac afirmou que as operações aéreas brasileiras seguiam dentro da normalidade, considerando que o país registra, em média, mais de 3 mil decolagens diariamente.
As autoridades não identificaram evidências de cancelamentos generalizados ou de uma ação coordenada para impedir o deslocamento de eleitores.
Em São Paulo, as fortes chuvas registradas entre sábado e domingo também provocaram cancelamentos e desvios de voos, além de alagamentos que exigiram alterações emergenciais em locais de votação nos municípios de Itapevi, Itupeva e Americana.
Justiça Eleitoral determina transporte gratuito para garantir direito ao voto
As denúncias ocorrem apesar das regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para assegurar o deslocamento dos brasileiros durante as eleições.
A legislação determina que o poder público ofereça transporte coletivo urbano municipal, intermunicipal e metropolitano gratuitamente nos dias de votação, com frequência compatível com a dos dias úteis.
A redução injustificada da oferta de transporte pode configurar crime eleitoral, conforme previsto no Código Eleitoral.
Também existem medidas específicas para garantir o deslocamento de eleitores residentes em áreas rurais, comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas.
Nesses casos, o transporte pode envolver ônibus, veículos públicos, barcos e outras embarcações, mediante autorização da Justiça Eleitoral.
O governo federal organizou um plano logístico para atender comunidades tradicionais e moradores de regiões de difícil acesso, com participação de diferentes órgãos públicos.
Denúncias levantam preocupação sobre possível aumento da abstenção
A sucessão de reclamações em diferentes estados provocou preocupação sobre os possíveis reflexos dos problemas de transporte no comparecimento às urnas.
Partidos políticos questionam se a redução da oferta de ônibus e outros meios de deslocamento pode ter prejudicado o exercício do voto, especialmente entre eleitores que dependem exclusivamente do transporte público.
Até o momento, entretanto, não existe um levantamento nacional consolidado sobre quantas pessoas deixaram de votar em consequência dos problemas registrados neste domingo.
Também não há comprovação de que as diferentes ocorrências tenham sido resultado de uma ação coordenada ou motivada por interesses políticos.
As autoridades eleitorais deverão analisar individualmente as denúncias, verificar eventuais descumprimentos de decisões judiciais e apurar possíveis responsabilidades.
Com o encerramento da votação previsto para as 17h, os problemas de transporte registrados ao longo do domingo ampliam o debate sobre as condições necessárias para garantir que todos os brasileiros possam exercer o direito ao voto, independentemente da região onde vivem ou do meio de transporte utilizado.
Reportagem atualizada com informações disponíveis até a tarde deste domingo (25).
RESUMO
Eleitores de vários estados enfrentaram dificuldades para chegar aos locais de votação no segundo turno, com denúncias de falta de ônibus, barcos e balsas, além de cancelamentos de voos.
Em Salvador, a Justiça Eleitoral determinou a recomposição da frota de ônibus e a prisão do secretário municipal de Mobilidade. Também houve reclamações em São Paulo, Rio de Janeiro, Pará e Paraíba.
Autoridades cobraram providências para garantir o transporte gratuito e o direito ao voto. Até a tarde deste domingo (25), não havia levantamento nacional sobre quantas pessoas deixaram de votar por causa dos problemas.



