Campanha de Lula aponta interferência da Meta na eleição presidencial
Aliados do presidente acusam a empresa de favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno; big tech nega intenção e atribui episódios a falhas técnicas

A coordenação da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou pública preocupação com a atuação da Meta na reta final do segundo turno da disputa presidencial contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL). Em declarações concedidas nesta sexta-feira (16), integrantes da cúpula governista afirmaram que a big tech estaria adotando medidas na gestão de suas redes sociais que interferem no equilíbrio do processo eleitoral em benefício do adversário. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles.
O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, e o senador Camilo Santana (PT-CE) destacaram que a postura das plataformas digitais ameaça a integridade democrática não apenas no Brasil, mas em âmbito internacional. Além de acionar a Justiça Eleitoral brasileira para fazer cumprir as determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a campanha petista levou os relatos de suposta parcialidade a observadores e organismos internacionais.
A controvérsia envolve uma sequência de episódios registrados nas plataformas operadas pela multinacional de tecnologia:
- Conta de anúncios desativada: A conta de anúncios da campanha do presidente foi suspensa em 23 de setembro.
- Alcance de publicação: A coordenação apontou retenção injustificada e prejuízo nas métricas de engajamento de um vídeo no formato reels publicado por Lula.
- Respostas do assistente de IA: A ferramenta de inteligência artificial Meta AI recusou-se a gerar imagens com o número e o nome de Lula, mas atendeu a solicitações similares referentes ao candidato da oposição.
Em nota oficial encaminhada à imprensa, a Meta negou categoricamente a intenção de favorecer qualquer candidato ou de manipular a corrida eleitoral no Brasil. A empresa justificou que a suspensão da conta de anúncios da campanha governista ocorreu por erro automático durante uma varredura antifraude, ao classificar a peça incorretamente como tentativa de personificação de programa social.
Sobre a restrição de métricas no vídeo do presidente, a big tech atribuiu o evento a um problema técnico que afetou temporariamente a contagem de visualizações da ferramenta na data da postagem. Em relação ao assistente de inteligência artificial no WhatsApp, a empresa explicou que implementou bloqueios para impedir a geração de conteúdo partidário envolvendo candidatos, mas que falhas operacionais pontuais impediram o reconhecimento imediato de nomes próprios compostos combinados a números eleitorais.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Acusação da campanha: Aliados do presidente Lula afirmam que a Meta atua de forma parcial e prejudica a candidatura no segundo turno contra Flávio Bolsonaro.
- Medidas adotadas: A coordenação da campanha recorreu ao TSE e apresentou denúncias a observadores internacionais para garantir o cumprimento das normas eleitorais.
- Resposta da Meta: A empresa de tecnologia nega favorecimento, atribui as falhas a erros técnicos ou automáticos do sistema e afirma agir de forma neutra.



