Flávio Bolsonaro elege 30 aliados e supera Lula no Senado
Grupo ligado ao senador conquistou 12 cadeiras a mais que os candidatos apoiados pelo presidente entre as 54 vagas renovadas em 2026

As Eleições 2026 provocaram uma mudança significativa na composição do Senado Federal. Dos 54 senadores eleitos neste domingo (4), em dois terços das cadeiras da Casa, 30 receberam apoio de Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha, enquanto 18 foram apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Juntos, os dois grupos conquistaram 48 das 54 vagas renovadas.
A vantagem do grupo ligado a Flávio Bolsonaro foi de 12 cadeiras entre os novos senadores. Os demais seis eleitos não integraram as listas de apoio dos dois candidatos que avançaram ao segundo turno da disputa presidencial.
O resultado também se refletiu na composição partidária. O PL elegeu 19 senadores e passará a contar com 28 representantes, tornando-se a maior bancada da Casa a partir de 2027. O PT elegeu seis novos senadores e terá nove parlamentares.
Como ficaram os apoiados
Flávio Bolsonaro havia declarado apoio a candidatos ao Senado em diferentes estados. Dos nomes apoiados pelo senador e candidato à Presidência, 30 conquistaram uma das duas vagas disponíveis em cada unidade da Federação.
Entre os eleitos estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, no Distrito Federal; Filipe Barros e Deltan Dallagnol, no Paraná; Carlos Portinho e Carlos Jordy, no Rio de Janeiro; Guilherme Derrite, em São Paulo; Carlos Bolsonaro, em Santa Catarina; além de outros nomes de PL, Novo, Republicanos, PP e Podemos.
No caso de Lula, 18 candidatos apoiados pelo presidente foram eleitos. O desempenho foi especialmente concentrado no Nordeste, onde 13 dos 18 nomes apoiados pelo petista conquistaram cadeiras. Lula também teve três aliados eleitos no Norte e dois no Sudeste. Nenhum dos candidatos de sua lista venceu no Sul ou no Centro-Oeste.

Paraná tem duas cadeiras alinhadas a Bolsonaro
No Paraná, as duas vagas do Senado foram conquistadas por Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo). Os dois são identificados como integrantes do campo político alinhado ao bolsonarismo e receberam apoio de Flávio Bolsonaro.
Barros terminou a apuração com 27,25% dos votos válidos, enquanto Dallagnol ficou com 25,16%. Alexandre Curi (Republicanos), apoiado pelo governador Ratinho Junior, terminou em terceiro, com 16,83%.
Com o resultado, as duas cadeiras paranaenses que estavam em disputa passam a ser ocupadas por nomes do campo político apoiado por Flávio Bolsonaro.
PL se torna maior bancada
O avanço do grupo bolsonarista também aparece na composição partidária. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, elegeu 19 dos 54 novos senadores e chegará a 2027 com 28 parlamentares, assumindo a maior bancada do Senado.
O PT, por sua vez, terá nove senadores, após eleger seis nomes em 2026. MDB ficará com oito parlamentares, enquanto PP e União Brasil terão seis cada. PSD e Republicanos terão cinco senadores cada.
Além dos 28 integrantes do PL, levantamentos publicados após a eleição apontam que o grupo político de Flávio Bolsonaro poderá contar com aliados de outras legendas. A Folha identificou 11 senadores eleitos por outros partidos que são apoiados pelo grupo, o que elevaria a uma base potencial de 39 votos — embora esse número não represente necessariamente uma bancada fechada ou votos garantidos em todas as matérias.
Comparativo entre os grupos
Eleitos apoiados em 2026
Flávio Bolsonaro: 30
Luiz Inácio Lula da Silva: 18
Vantagem entre os novos eleitos: +12
—
Partidos de origem
Novas cadeiras do partido principal
PL: 19
PT: 6
Bancada a partir de 2027
PL: 28
PT: 9
Os números mostram, portanto, maior presença do grupo de Flávio Bolsonaro entre as cadeiras renovadas em 2026. A diferença, porém, precisa ser analisada considerando que o Senado continuará formado por 81 parlamentares e que 27 senadores eleitos em 2022 permanecem com mandato até 2031. Esses parlamentares não participaram da disputa deste ano e não podem ser automaticamente classificados como integrantes de um dos dois grupos.
A nova configuração deverá ter impacto nas negociações para a Presidência do Senado, na formação das maiorias e em votações de interesse dos dois campos políticos. Entre as pautas que podem ganhar destaque está a discussão sobre processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, que exige 54 votos, equivalente a dois terços da Casa. Um levantamento publicado pela Folha apontou ao menos 49 senadores favoráveis à abertura desses processos, embora cinco votos ainda separassem o grupo do quórum necessário para aprovação de um afastamento.



