Abstenção nas eleições passa de 33 milhões e atinge maior taxa em 28 anos
Número de ausentes no 1º turno é cerca de 14 vezes superior à diferença de votos entre Flávio Bolsonaro e Lula

Mais de 33 milhões de brasileiros não compareceram às urnas no primeiro turno das eleições realizado neste domingo (04). O índice de abstenção alcançou aproximadamente 21,08% do eleitorado total, configurando o maior percentual registrado em uma eleição presidencial desde o pleito de 1998.
O volume de eleitores ausentes destaca-se quando comparado à margem que separou os dois candidatos classificados para o segundo turno. Flávio Bolsonaro (PL) concluiu a primeira fase na liderança, somando 47% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 45%. A distância entre ambos foi de pouco mais de 2,3 milhões de votos,o equivalente a cerca de dois pontos percentuais. Assim, o contingente que deixou de votar superou em aproximadamente 14 vezes a vantagem obtida por Flávio em relação a Lula.
Em termos estritamente matemáticos, a massa de votos correspondente aos ausentes seria suficiente para alterar a ordem dos candidatos e até mesmo definir a disputa no próprio primeiro turno, a depender do eventual direcionamento desses sufrágios. Para que a eleição presidencial seja encerrada na primeira etapa, exige-se que um candidato conquiste mais da metade dos votos válidos, cálculo que exclui os votos brancos e nulos. A definição final da disputa presidencial ocorrerá no segundo turno, agendado para o dia 25 de outubro.
COMPARATIVO HISTÓRICO
A taxa de ausência verificada neste ano ultrapassou o índice do primeiro turno das eleições de 2022, ocasião em que 32.770.982 eleitores (20,95% do total) não votaram. Naquele ano, Lula atingiu 48,43% dos votos válidos, ante 43,20% registrados por Jair Bolsonaro. Já no pleito de 2018, dados da Justiça Eleitoral apontam que a abstenção foi de 20,33%, somando 29,9 milhões de pessoas ausentes.
Apesar do crescimento recente, o percentual de 2026 permanece abaixo do recorde de 1998, ano em que 21,49% do eleitorado não compareceu às urnas. Naquela eleição, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) garantiu a reeleição à Presidência da República ainda no primeiro turno.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Recorde em 28 anos: Mais de 33 milhões de eleitores (21,08%) não votaram no 1º turno de 2026, a maior taxa de abstenção desde o pleito de 1998.
- Impacto no resultado: O número de ausentes é cerca de 14 vezes maior do que a diferença de 2,3 milhões de votos entre Flávio Bolsonaro (47%) e Lula (45%).
- Segundo turno confirmado: Sem atingir a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno, os candidatos disputarão a eleição no dia 25 de outubro.



