Lula rebate clubes de futebol: ‘não podem sobreviver às custas das dívidas do povo pobre’ | aRede
PUBLICIDADE

Lula rebate clubes de futebol: ‘não podem sobreviver às custas das dívidas do povo pobre’

Presidente reagiu a apelos de dirigentes esportivos, reforçou que banirá apostas virtuais e apontou altos ganhos de equipes brasileiras

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) -

Publicado por Lilian Magalhães

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), rebateu fortemente a pressão exercida por entidades e dirigentes esportivos do país e afirmou que os clubes de futebol não têm o direito de basear seu sustento financeiro no endividamento dos torcedores de baixa renda.

Durante pronunciamento em comício realizado nesta sexta-feira (25) no Recife (PE), o chefe do Executivo revelou ter recebido um posicionamento formal das agremiações esportivas manifestando preocupação com as eventuais perdas de patrocínio decorrentes do banimento das plataformas de apostas online, conhecidas como “bets”. Lula descartou recuos e reiterou que a prioridade do governo é a proteção social da população.

VÍDEO
Assista ao vídeo clicando neste player. | Autor: Reprodução/SBT News.

Rejeição aos apelos dos times de futebol

Lula relatou ter sido alertado por dirigentes esportivos sobre o impacto financeiro que o fim das plataformas causaria nas contas dos clubes brasileiros. O presidente criticou a postura das entidades frente aos impactos sociais causados pela proliferação dos jogos.

“Sabe o que falaram para mim? Os times de futebol mandaram uma carta para mim, que se eu acabar com as bets eu vou acabar com os times de futebol. É importante lembrar: primeiro, os times de futebol não têm direito de querer sobreviver às custas das dívidas do povo pobre que torce para o time. O torcedor já compra a camisa, já vai ao estádio, compra camisa para a mulher, para o filho, obriga até o filho a torcer para o time que ele torce”, afirmou.

Críticas à gestão dos clubes e valores milionários

Ao abordar a sustentabilidade financeira das equipes, o presidente relembrou a aprovação da legislação que permitiu a criação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), destinada à profissionalização da gestão esportiva, e cobrou maior responsabilidade orçamentária dos dirigentes.

Lula mencionou os altos montantes repassados pelas empresas de apostas aos maiores clubes do país para ilustrar a dimensão dos dinheiros envolvidos no setor. “Nós aprovamos a lei, a SAF, para que os times virem empresas. E ninguém virou empresa, porque eles querem mamar… Sabe quanto o Flamengo recebe? R$ 240 milhões. O Corinthians? R$ 150 milhões. Vão ter que arrumar outro jeito de arrumar dinheiro, porque a bet vai acabar”, declarou.

Impactos na saúde pública e no orçamento das famílias

O presidente reiterou os motivos que fundamentam a decisão do governo federal de proibir a atuação dessas empresas no Brasil, citando o avanço do endividamento das famílias, os transtornos de saúde mental e os casos graves de vulnerabilidade associados à ludopatia.

“Eu sei que tem muita gente devendo, que pega dinheiro emprestado, do leite da criança e vai jogar. Tem muita gente doente por causa do jogo. Eu vou acabar com as bets. O dinheiro do jogo é para comprar comida para as crianças. Se tiver vontade de jogar, compra um litro de leite para sua casa, um pão. Compre mais comida. Não é correto a gente gastar o que não tem para tentar ganhar o que não existe”, discursou.

Lula também citou episódios dramáticos de perda patrimonial, falências e casos de violência autoimposta causados pelas dívidas de jogo para ilustrar a dimensão do problema enfrentado no país. “Eu não acho correto o povo brasileiro estar devendo e se matando, e ficando doente, com uma doença chamada ludopatia, por causa do jogo”, concluiu o presidente.

Com informações de: Brasil 247.

CONTEÚDO DE MARCA

PUBLICIDADE