Araucária prevê economizar R$ 13,5 milhões com cortes de despesas
Decreto prevê exoneração de ao menos 50 comissionados, revisão de contratos e cancelamento de eventos diante de uma queda projetada de R$ 175 milhões na arrecadação

A Prefeitura de Araucária anunciou medidas de contenção de despesas para enfrentar a queda na arrecadação municipal. O prefeito Gustavo Botogoski assinou, na terça-feira (27), um decreto de reorganização administrativa que prevê economizar R$ 13,5 milhões até o fim de 2026.
Segundo a administração municipal, o orçamento previsto para este ano caiu de R$ 1,91 bilhão para R$ 1,74 bilhão, uma diferença de aproximadamente R$ 175 milhões em relação à projeção do Plano Plurianual. O anúncio foi feito em uma entrevista coletiva realizada no recém-reinaugurado Anfiteatro do Paço Municipal.
Na apresentação que fez aos jornalistas, secretários, servidores e representantes da comunidade, o prefeito enumerou algumas das razões que resultaram na frustração da arrecadação projetada: “De acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio, em setembro deste ano 81,7% das famílias brasileiras estavam endividadas – e 29,6% delas tinham contas em atraso”, relatou. “É um efeito cascata: quem está endividado consome menos, o consumo menor resulta em menos vendas, menor produção e, consequentemente, queda na arrecadação.” O que tem um impacto significativo quando quase metade da receita da cidade vem do ICMS, como lembrou Botogoski.
Ele citou ainda as dificuldades financeiras que atingem o setor empresarial, como o aumento de 23,3% no total de empresas em recuperação judicial; e a redução de R$ 40 milhões nos repasses estaduais e de R$ 15 milhões nas transferências federais – ou R$ 55 milhões a menos que em 2025. Nesse cenário, o orçamento de Araucária em 2026 deve ter uma redução de cerca de R$ 175 milhões em relação ao que havia sido previsto no último Plano Plurianual – de R$ 1,91 bilhões para R$ 1,74 bilhões.
Cobertor curto
O prefeito também fez um raio-x das despesas. Lembrou que, só com a folha de pagamento (R$ 824 milhões), o município consome praticamente o orçamento inteiro de Fazenda Rio Grande, que é de quase R$ 843 milhões.
Entram ainda na conta das despesas os mais de R$ 8 milhões que o município gasta por mês em financiamentos herdados das gestões anteriores, os R$ 13,5 milhões mensais destinados ao Fundo de Previdência Municipal e os mais de R$ 100 milhões por ano decorrentes do subsídio para manter a tarifa do TRIAR em R$ 1. “Mesmo com toda essa dificuldade, conseguimos entregar 11 das 19 obras inacabadas ou suspensas na gestão anterior, como a Escola Lucy Machado, as UBSs Santa Mônica e Centro e a UBSF Alceu do Valle, por exemplo”, destacou.
Contingenciamento
Para minimizar o impacto dessa queda brutal na arrecadação, o decreto assinado pelo prefeito inclui a revisão de contratos, reorganização administrativa, a exoneração de pelo menos 50 cargos comissionados, o controle rigoroso das despesas não essenciais e o cancelamento dos eventos festivos programados para este ano.
“Não é a notícia que eu gostaria de dar, mas precisamos nos adaptar à realidade. E podem ficar tranquilos, porque os serviços essenciais como Saúde, Educação, Segurança, os repasses à Previdência Municipal, a tarifa dos ônibus a R$ 1 e a coleta de lixo não serão afetados, e também não vai haver qualquer aumento dos impostos municipais”, garantiu o prefeito. “Vamos cortar na carne, mas sem prejudicar o cidadão.”
Com informações de Assessoria de Imprensa.
Leia o resumo da notícia
Queda de receita e orçamento: Diante de uma frustração de arrecadação de aproximadamente R$ 175 milhões devido à queda no ICMS e repasses, a Prefeitura de Araucária reduziu a estimativa orçamentária de R$ 1,91 bilhão para R$ 1,74 bilhão em 2026.
Medidas de corte: O prefeito Gustavo Botogoski assinou um decreto de reorganização administrativa prevendo economizar R$ 13,5 milhões até o fim do ano, incluindo a exoneração de ao menos 50 cargos comissionados, revisão de contratos e cancelamento de eventos festivos.
Manutenção de serviços essenciais: Apesar do contingenciamento e do peso de despesas fixas (como folha de R$ 824 milhões e subsídio do transporte público), a gestão garantiu que saúde, educação, segurança, previdência e a tarifa do TRIAR a R$ 1 não serão afetadas, nem haverá aumento de impostos.



