Médico detalha agressões sofridas por crianças durante invasão de CMEI, no São Braz: “Chutada nas costas”
O homem invadiu uma sala de aula, manteve 13 crianças reféns e morreu durante a intervenção da Polícia Militar; médico relata tensão antes do desfecho

O médico Márcio Nogarolli, do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate), revelou que às crianças feitas reféns durante a invasão de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), no bairro São Braz, em Curitiba, sofreram agressões durante o momento tensão. A situação ocorreu entre a tarde e ínicio da noite desta sexta-feira (9). Diante da falta de informações sobre o que acontecia dentro da sala de aula e do risco de violência contra os alunos, os profissionais se prepararam para a possibilidade de uma tragédia.
“Nós ficamos extremamente preocupados, montamos uma situação como se fôssemos ter uma tragédia. E é assim que a medicina funciona: ‘Nós nos preparamos para o pior e comemoramos o melhor", relatou Nogarolli.
O médico estava na Central de Operações do Corpo de Bombeiros quando recebeu a informação sobre a invasão, por volta das 15h01. Ele deixou a função na central e foi até o CMEI para auxiliar no atendimento. No local, encontrou equipes de emergência mobilizadas para prestar assistência às crianças assim que a situação fosse encerrada.
Segundo Nogarolli, a Polícia Militar repassou aos profissionais de saúde informações que ajudaram na identificação dos alunos que estavam dentro da sala. A equipe também se organizou para realizar a triagem e definir quais crianças precisariam de atendimento hospitalar.
Médico detalha resgate às crianças que sofreram agressões em CMEI
Ao todo, 13 crianças foram mantidas reféns pelo homem. Quando as equipes especializadas da Polícia Militar entraram na sala e encerraram a ocorrência, os profissionais conseguiram acessar o local e iniciar os atendimentos.
As crianças foram levadas para uma área de triagem, onde passaram por avaliações para identificar possíveis ferimentos. De acordo com Nogarolli, quatro alunos foram encaminhados ao Hospital Evangélico, em Curitiba, com apoio de ambulâncias do Siate e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
O médico explicou que a decisão de levar as crianças ao hospital também considerou a necessidade de tranquilizar as famílias e permitir que os alunos fossem examinados por especialistas.
“Uma tinha dor de cabeça, a outra tinha sido chutada nas costas pelo sequestrador, a outra tinha levado um soco no olho”, contou Nogarolli ao descrever os relatos da violência durante o período em que as crianças permaneceram na sala.
Médicos voluntários ajudaram no atendimento às crianças que sofreram agressões em CMEI
A ocorrência mobilizou médicos voluntários, enfermeiros e equipes do Siate e do Samu. Segundo Nogarolli, profissionais que estavam de folga também se deslocaram até o CMEI para ajudar no atendimento. Hospitais de Curitiba entraram em contato para oferecer suporte e receber possíveis vítimas.
O médico destacou que as crianças tinham entre 3 e 4 anos e que, antes da chegada ao local, as equipes não sabiam exatamente o que encontrariam dentro da sala. A preparação envolveu a organização do atendimento e a identificação dos alunos para que, assim que fossem resgatados, pudessem receber assistência adequada.
“Mas antes de nós sairmos para a situação, nós não tínhamos ideia do que nós íamos encontrar”, afirmou.
Após o encerramento da ocorrência, as crianças foram reunidas com os familiares. O homem que invadiu o CMEI foi morto durante a intervenção da Polícia Militar.
Homem que invadiu CMEI foi morto pela PM
A gravidade da situação também levou à mobilização de um helicóptero da Polícia Militar, que acompanha a ocorrência. A presença da aeronave foi registrada em vídeo durante a operação.
Mesmo com a atuação das forças de segurança, as crianças continuavam dentro da unidade. As negociações passaram a ser uma das principais frentes de atuação dos policiais para tentar resolver a ocorrência.
Em questão de horas, tiros e barulhos de bombas foram ouvidos. Logo depois, a PM confirmou que o homem acabou morto.
“A equipe de negociação fez o adentramento, a equipe do COE, do BOPE, fez o adentramento. Neste momento, nós temos a situação de refém encerrada. Nós tivemos 13 crianças que foram resgatadas, estão todas bem, e estão sendo encaminhadas para o atendimento médico, psicológico e acesso às famílias. O autor, ele foi neutralizado. Então toda a situação, o decorrer, a gente vai conseguir confirmar depois, tá? A informação que eu tenho agora é esse desfecho”, disse a tenente Letícia, da PM.
Ao todo, conforme a tenente da PM, as crianças que estavam na sala de aula foram logo sendo recolhidas pelos bombeiros, policiais e familiares.
Crianças com autismo estariam na sala invadida
Outro detalhe informado por familiares de alunos é que na sala onde o homem manteve as crianças estariam alunos com transtorno do espectro autista (TEA).
A informação ainda é preliminar e não há confirmação sobre as condições em que as crianças que permanecem no espaço se encontram.
Polícia apura detalhes
Como a prioridade das equipes de segurança era conseguir que as crianças deixassem o CMEI em segurança, algumas informações sobre a invasão do CMEI ainda não são evidentes.
Até o momento, não há confirmação sobre a motivação da invasão. Essas informações e outros detalhes devem ser apurados pela Polícia Civil.
Com informações da Banda B, parceira do Portal aRede.
RESUMO
Agressões e atendimento médico: Catorze crianças (de 3 a 4 anos) foram mantidas reféns em um CMEI em Curitiba e sofreram agressões do invasor, como chutes e socos. Quatro delas foram encaminhadas ao Hospital Evangélico pelo Siate e Samu, mobilizando uma força-tarefa de socorristas e médicos voluntários.
Intervenção policial e morte do suspeito: A ocorrência, que envolveu negociações e o cercamento do local por equipes do BOPE/COE e helicóptero da PM, terminou após os policiais entrarem na sala e neutralizarem (matarem) o sequestrador para garantir o resgate seguro de todos os alunos.
Investigação e perfil das vítimas: O caso contava preliminarmente com a presença de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na sala invadida. A motivação do crime ainda não foi confirmada e permanece sob apuração da Polícia Civil.



