Delegado revela como suspeito agiu após crime contra Fernanda na Grande Curitiba
Segundo o delegado, o homem já tinha antecedentes criminais e havia sido condenado por um homicídio cometido em Guaratuba

O caso de Fernanda da Costa Gouvea, que estava desaparecida desde 2018, ganhou novos desdobramentos após uma reviravolta nas investigações levar o marido dela, considerado o principal suspeito do crime, indicar o local onde a ossada da vítima estava. As buscas começaram na última quinta-feira (24). O caso ocorreu na área rural de Cerro Azul, Região Metropolitana de Curitiba.
Já nesta sexta-feira (25), o delegado Gabriel Girardi, titular da Delegacia de Polícia de Cerro Azul, deu detalhes sobre como foi a investigação contra o suspeito. O homem já estava preso suspeito de um homicídio, em Guaratuba, em 2010.
“Ele indica o local para nós, de onde que foi ocultado o cadáver, onde que foi enterrado, mas em nenhum momento ele alega a autoria para ele […] ele atribuiu o crime a uma terceira pessoa e ele não comenta”, disse o delegado.
Conforme a Polícia Civil, o sogro de Fernanda estava no momento em que ela foi golpeada. O idoso, identificado como Antônio, teria ajudado o filho a esconder o corpo, logo após o crime.
“A gente sabe é que o Antônio estava junto, e talvez, possivelmente foi ele que ocultou o cadáver e deu fuga para o principal suspeito”, detalhou o policial.
Antônio, sogro de Fernanda, morreu em 2021, três anos depois do desaparecimento dela.
Criança limpou o sangue da mãe enquanto padrasto tentava esconder cadáver
De acordo com o delegado, o filho mais velho de Fernanda, que era apenas filho dela e não do casal, teria presenciado o momento em que o companheiro da mulher a agrediu.
A criança teria sido retirada da residência enquanto o corpo era ocultado. Depois, segundo o relato apresentado à polícia, o menino teria sido obrigado a limpar o sangue da própria mãe.
“Ele presenciou ali no momento que ele teria agredido ela e teria sido colocado para fora da casa, enquanto que eles ocultavam o cadáver dela”, relatou o delegado.
O menino tinha cinco anos na época.
Suspeito levou menino para Curitiba
Outro comportamento que chamou a atenção da Polícia Civil ocorreu depois do desaparecimento de Fernanda. Segundo o delegado, o investigado deixou o próprio filho biológico com uma vizinha, mas levou o filho de Fernanda para Curitiba. A situação foi considerada estranha pelos investigadores porque a criança teria presenciado o que aconteceu com a mãe.
“Ele deixou o filho biológico dele aqui e levou esse filho que era só dela, que tinha 5 anos na época e que viu a cena”, explicou.
O menino posteriormente foi encontrado na companhia de um idoso que não parente. O homem havia procurado atendimento em um hospital, onde a situação chamou a atenção dos funcionários. A criança foi acolhida e, atualmente, está com familiares.
Homem usava outros nomes e tinha antecedentes
A identificação do principal investigado também demorou a ser esclarecida. Na época em que Fernanda desapareceu, ele era conhecido na região pelos nomes de “Anderson” ou “Everton”.
Posteriormente, a Polícia Civil descobriu a verdadeira identidade dele. Segundo o delegado, o homem já tinha antecedentes criminais e havia sido condenado por um homicídio cometido em Guaratuba, no litoral do Paraná.
A investigação também encontrou registros anteriores que apontariam para um histórico de comportamento agressivo.
“Pessoa bem agressiva. Ele já tem histórico de atendimento da prefeitura, de assistência, de conselhos tutelares, de vizinhos relatando possível violência doméstica”, afirmou o delegado.
Familiares teriam tido medo de falar sobre suspeito de matar Fernanda
Outro detalhe revelado durante a investigação foi o medo que algumas pessoas teriam de falar sobre o suspeito. Segundo o delegado, familiares dele já tinham conhecimento da verdadeira identidade do homem, mas evitaram revelar informações por medo.
A polícia também apurou que, depois que o menino foi levado para Curitiba, o investigado teria frequentado o bairro onde a criança estava.
Segundo o delegado, ele fazia isso para verificar se o menino havia contado o que teria acontecido com Fernanda.
“Ele frequentava o bairro onde esse menino estava para ver se o menino falava alguma coisa”, disse.
O caso agora é investigado como possível homicídio qualificado seguido de ocultação de cadáver. As diligências continuam para esclarecer as circunstâncias da morte e a participação de cada envolvido.
Com informações da Banda B, parceira do Portal aRede.
RESUMO
Localização de ossada e reviravolta: O marido da vítima, considerado o principal suspeito do desaparecimento de Fernanda da Costa Gouvea em 2018, indicou o local na área rural de Cerro Azul onde o corpo foi enterrado, embora atribua o crime a uma terceira pessoa.
Testemunha infantil e ocultação: O filho mais velho de Fernanda, que tinha cinco anos na época, presenciou a agressão, foi obrigado a limpar o sangue da mãe e posteriormente foi levado para Curitiba pelo suspeito, que monitorava a criança por medo de que ela revelasse o ocorrido.
Histórico e investigações: O suspeito utilizava identidades falsas (como “Anderson” ou “Everton”), possuía antecedentes criminais por homicídio e histórico de violência, e o caso agora é investigado como homicídio qualificado e ocultação de cadáver.



