Vítima de agressões no Rio relata medo e diz que lutador queria matar | aRede
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Vítima de agressões no Rio relata medo e diz que lutador queria matar

Mulher afirmou que foi atacada sem motivo por Lucas Portela Fontana Gomes, de 32 anos

As vítimas foram agredidas pelo lutador sem motivo algum
As vítimas foram agredidas pelo lutador sem motivo algum -

Lucas Veloso

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Uma das mulheres agredidas na última quinta-feira (5) pelo lutador de jiu-jítsu Lucas Portela Fontana Gomes, de 32 anos, relatou que temeu pela própria vida durante o ataque em um condomínio no bairro Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro. Segundo a vítima, o homem demonstrava muito ódio e parecia ter a intenção de matar alguém.

Em entrevista à GloboNews, sem identificação, a mulher contou que clamou a Deus enquanto era agredida. Ela afirmou que nunca havia visto o suspeito e que não tinha feito nada para provocá-lo.

VÍDEO
Confira o depoimento das vítimas | Autor: Divulgação.

Vítima diz que foi atacada sem motivo

A mulher relatou que ouviu um barulho no prédio e desceu para verificar se alguém precisava de ajuda. Ao encontrar Lucas, foi surpreendida pelo homem, que partiu para cima dela.

Durante a agressão, o lutador aplicou um golpe conhecido como "mata-leão". A vítima contou que quase desmaiou, mas conseguiu reagir mesmo enquanto era sufocada.

"Pensei, 'meu Deus, será que eu vou morrer?'", relatou. Segundo ela, o suspeito a soltou e deixou o local logo depois.

A mulher também afirmou que Lucas dizia que iria matar todos os moradores do condomínio. Para ela, o comportamento do homem indicava que as agressões eram direcionadas às mulheres.

"Mas ele tinha ódio, muito ódio. E só dava soco na minha cabeça, só. Na verdade, eu só consegui ver meu estado no dia seguinte porque eu não tinha um espelho. (...) Ele estava com a intenção de matar alguém. Ele falava o tempo todo só em matar", contou à reportagem.

A vítima relatou que talvez precise passar por uma cirurgia no rosto. Apesar das dores físicas, ela destacou o sofrimento emocional causado pelo episódio e disse que está com medo de que o lutador volte ao prédio.

"O que deixa mais dor não é só a dor do corpo, as feridas, mas, sim, a dor da alma, do sentimento que fica, que a gente tem que tentar ver como vai lidar com isso. (...) Muito medo, muito medo que, sei lá, o que poderia ter acontecido, o que pode acontecer", afirmou ao Fantástico, da TV Globo.

Idosa de 81 anos também foi agredida

A outra vítima é uma moradora de 81 anos. O irmão dela, Jorge Santos, afirmou estar revoltado com a violência. Segundo ele, a irmã está chocada e não compreende como foi atacada por um vizinho que sempre recebeu tratamento cordial.

De acordo com Jorge, o lutador arrombou o apartamento da idosa e a agrediu até que ela perdesse a consciência. Ele classificou a sobrevivência da irmã como quase milagrosa.

"Um monstro, só posso chamar assim, teve a coragem de agredir uma senhora de 81 anos, franzina, incapaz de fazer mal a qualquer pessoa. A revolta é imensa. (...) Eu considero a sobrevivência dela quase que miraculosa, porque, possivelmente, talvez um soco numa região mais delicada poderia tê-la matado", declarou.

Em entrevista exibida pelo Fantástico, a idosa afirmou que Lucas precisa pagar pelas agressões cometidas contra ela e as outras mulheres.

Justiça mantém lutador preso preventivamente

A Justiça do Rio de Janeiro converteu em preventiva a prisão de Lucas Portela Fontana Gomes. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (6), durante audiência de custódia, após a prisão temporária do suspeito.

O caso é investigado como tentativa de feminicídio contra duas vizinhas, após uma sequência de invasões e agressões em um edifício na Avenida Maracanã. A prisão temporária havia sido decretada por 30 dias. Com a conversão para preventiva, o suspeito permanece detido enquanto o processo avança na 4ª Vara Criminal da Comarca da Capital.

Segundo o registro policial, o ataque ocorreu na madrugada de quinta-feira (5), quando o homem entrou no apartamento de uma vizinha e ameaçou matar as pessoas que estavam no local.

Na sequência, uma moradora subiu para verificar os pedidos de socorro e a situação da idosa, que estava sozinha no imóvel. Ao sair do elevador no terceiro andar, ela foi surpreendida e agredida. Conforme o relato à polícia, a mulher foi obrigada a ficar de joelhos, recebeu golpes na cabeça e no rosto, sofreu estrangulamento e foi ameaçada de morte.

A vítima conseguiu escapar e recebeu ajuda do porteiro no térreo. Com sangramento intenso, foi atendida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada ao Hospital Municipal Souza Aguiar.

Imagens de câmeras de segurança obtidas pelo UOL mostram a mulher sendo socada, chutada e estrangulada por aproximadamente três minutos. Depois das agressões, ela aparece ferida e ensanguentada.

Policiais militares e guardas municipais foram acionados. Conforme o registro, o suspeito resistiu à abordagem, entrou em luta corporal com os agentes e tentou tomar a arma de um policial. Ele foi atingido por disparos nas pernas e imobilizado.

Como denunciar casos de violência contra a mulher

Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher. O serviço funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior, e oferece orientação especializada, recebe denúncias e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico. A ligação é gratuita.

Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp, no número (61) 99656-5008.

Outra opção é o Disque 100, canal destinado ao recebimento de denúncias de violações de direitos humanos. Os registros também podem ser feitos pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil e pela página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).

Em situações de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha.

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