Em "despedida", Peña diz que renunciou para "evitar mais danos" ao Paraguai | aRede
PUBLICIDADE

Em "despedida", Peña diz que renunciou para "evitar mais danos" ao Paraguai

O presidente também declarou que não deseja que sua permanência seja motivo de "maior divisão ou instabilidade"

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo em uma publicação nas redes sociais na noite desta sexta-feira (6).
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo em uma publicação nas redes sociais na noite desta sexta-feira (6). -

Publicado por João Bobato

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo em uma publicação nas redes sociais na noite desta sexta-feira (6). A mensagem foi divulgada enquanto o Senado paraguaio realiza a votação do pedido de impeachment contra o chefe de Estado, acusado de envolvimento em irregularidades relacionadas ao Ueno Bank. As informações são da CNN Brasil.

Em publicação na rede social X, Peña afirmou que decidiu deixar o cargo para "evitar mais danos ao país e contribuir para devolver a tranquilidade ao Paraguai". O presidente também declarou que não deseja que sua permanência seja motivo de "maior divisão ou instabilidade".

"Colocar o país acima de seu destino pessoal", escreveu Peña ao justificar a decisão. Ele também afirmou que se despede "sem ignorar a angústia daqueles que hoje aguardam respostas".

A sessão do Senado começou por volta das 10h desta sexta-feira. A presença do presidente era esperada, mas ele não compareceu e foi representado pelos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda. Os representantes foram ao Congresso depois que os senadores rejeitaram o pedido de prorrogação de 72 horas do processo.

Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade o impeachment de Peña. A Casa, porém, rejeitou o pedido de afastamento do vice-presidente Pedro Alliana, que deve assumir o governo caso a saída do atual presidente seja confirmada.

O processo acusa Peña de “grave e sistemático mau desempenho de suas funções” e propõe a “retirada da investidura” do governante. Ele assumiu a Presidência em agosto de 2023, para um mandato de cinco anos.

Os advogados de Peña sustentam que o processo de impeachment é nulo, sob o argumento de que o presidente apresentou sua renúncia às vésperas das sessões.

Crise do Ueno Bank

A crise política teve início após o fechamento do Ueno Bank, na terça-feira (3). A instituição, pertencente ao Grupo Vázquez, teve as atividades encerradas depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação ao identificar problemas nos índices de solvência, relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social do Paraguai.

Peña, economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista do grupo proprietário da instituição até março de 2025. A oposição passou a acusá-lo de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central.

Durante uma sessão, a deputada da oposição Rocío Vallejo criticou a atuação do presidente e atribuiu a ele responsabilidade pela crise.

“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, declarou.

Peña, por sua vez, afirmou nas redes sociais que os responsáveis pelas irregularidades serão responsabilizados pela Justiça, sem exceções. A declaração foi publicada pouco antes de o presidente promulgar uma lei que permitirá aos correntistas do Ueno Bank recuperar os valores depositados em menos tempo.

“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.

CONTEÚDO DE MARCA

PUBLICIDADE