Senado do Paraguai aprova impeachment do presidente Santiago Peña | aRede
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Senado do Paraguai aprova impeachment do presidente Santiago Peña

Pedro Alliana, atual vice-presidente do país, deve assumir o governo; isso acontece após fechamento de banco que afetou milhões de pessoas

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta um processo de impeachment após a crise financeira
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta um processo de impeachment após a crise financeira -

João Iansen

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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta um processo de impeachment após a crise financeira envolvendo o Ueno Bank, instituição que teve as operações suspensas pelo Banco Central do país. O escândalo atingiu aproximadamente 3 milhões de clientes e provocou uma crise política que ameaça a permanência do chefe de Estado no cargo.

Nesta sexta-feira (6), o Senado paraguaio deu continuidade ao julgamento político e aprovou, por unanimidade, o recebimento das provas apresentadas pela comissão de acusação. A decisão permite o avanço do processo, mas ainda não representa a aprovação definitiva do impeachment.

Peña não compareceu pessoalmente à sessão, apesar de ter anunciado que apresentaria sua defesa. O presidente foi representado pelos advogados Ricardo Preda e Adolfo Ferreiro.

Antes da audiência, os senadores rejeitaram o pedido do chefe de Estado para adiar o julgamento em 72 horas. O presidente argumentou que precisava de mais tempo para analisar as acusações e os documentos apresentados contra ele.

A Câmara dos Deputados já havia aprovado a abertura do processo na quinta-feira (5), por 78 votos favoráveis e nenhum contrário.

Presidente do Paraguai tentou renunciar antes do julgamento

A crise política também levou Santiago Peña a anunciar que deixaria a Presidência. Na quinta-feira (5), o chefe de Estado apresentou um pedido de renúncia, mas o Congresso não conseguiu avançar na análise da medida por falta de quórum.

A situação provocou uma disputa entre parlamentares. Enquanto aliados do presidente defendiam a aceitação da renúncia, opositores sustentavam que o processo de impeachment deveria continuar.

A diferença está relacionada às consequências jurídicas das duas possibilidades. Segundo a legislação paraguaia, um ex-presidente que deixa o cargo por renúncia pode assumir uma cadeira vitalícia no Senado, com imunidade parlamentar. Já uma condenação no processo de impeachment pode retirar essa condição.

Com a continuidade do julgamento, o vice-presidente Pedro Alliana permanece na linha de sucessão. Ele também enfrentou uma tentativa de impeachment na Câmara, mas a acusação contra ele foi rejeitada.

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Entenda a crise do Ueno Bank no Paraguai

O processo contra Santiago Peña está relacionado ao fechamento do Ueno Bank, instituição financeira que teve as operações interrompidas após uma intervenção do Banco Central do Paraguai.

Na terça-feira (3), o órgão regulador iniciou o procedimento de liquidação do banco depois de identificar insuficiência nos índices de solvência da instituição, situação relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

O Ueno Bank pertencia ao Grupo Vázquez e reunia aproximadamente 3 milhões de clientes. A instituição também concentrava mais de US$ 800 milhões em recursos públicos, incluindo depósitos do Instituto de Previdência Social.

A intervenção deixou milhões de paraguaios temporariamente sem acesso aos serviços bancários, provocando manifestações e cobranças por explicações das autoridades.

Por que Santiago Peña foi acusado?

A oposição acusa o presidente de conflito de interesses por sua antiga relação empresarial com o grupo controlador do banco.

Peña foi acionista do Grupo Vázquez até março de 2025, período em que a holding mantinha participação no controle da instituição financeira.

Entre as acusações apresentadas pelos parlamentares estão possíveis favorecimentos regulatórios, utilização irregular de recursos previdenciários e omissão de autoridades responsáveis pela fiscalização do sistema bancário.

Os opositores também questionam a concentração de recursos públicos no Ueno Bank e a atuação do Banco Central diante dos problemas financeiros da instituição.

Durante uma sessão parlamentar, a deputada da oposição Rocío Vallejo criticou a atuação do presidente.

“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, declarou.

As acusações ainda dependem da apuração das autoridades competentes e do julgamento político no Congresso.

Peña promete responsabilizar envolvidos no escândalo

Diante da repercussão do caso, Santiago Peña afirmou, em publicação na rede social X, que os responsáveis pelas irregularidades deverão responder perante a Justiça.

O presidente também pediu que os setores políticos priorizem a situação dos clientes afetados pelo fechamento do banco. “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.

Pouco antes, Peña havia promulgado uma lei que prevê medidas para permitir que os clientes do Ueno Bank recuperem seus recursos em menos tempo.

Enquanto o processo de impeachment avança, o Paraguai enfrenta o desafio de solucionar a crise bancária e esclarecer as responsabilidades pelo colapso da instituição financeira.

CONTEÚDO DE MARCA

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