Toyota fecha fábrica no Brasil após 28 anos e transfere produção
Unidade de Indaiatuba encerrou as atividades em junho de 2026 após fabricar mais de 1 milhão de veículos; quase mil funcionários aderiram ao plano de demissão voluntária

A Toyota encerrou as atividades de uma de suas tradicionais fábricas no Brasil após 28 anos de funcionamento. Localizada em Indaiatuba, no interior de São Paulo, a unidade deixou de produzir veículos em 30 de junho de 2026, colocando fim a uma trajetória marcada pela fabricação de mais de 1 milhão de automóveis e pela geração de aproximadamente 1.500 empregos.
A decisão faz parte de uma reestruturação industrial da montadora japonesa, que transferiu a produção para Sorocaba, também no interior paulista. A mudança envolveu negociações com os trabalhadores, que tiveram a opção de continuar na empresa em outra cidade ou aderir a um programa de desligamento com indenizações especiais.
O encerramento da fábrica, entretanto, não significa a saída da Toyota do mercado brasileiro. A companhia mantém um plano de investimentos superior a R$ 11 bilhões até 2030, com ampliação da capacidade produtiva e preparação para novos modelos de veículos.
Toyota encerra fábrica após quase três décadas de produção
Inaugurada em setembro de 1998, a fábrica de Indaiatuba se tornou uma das principais unidades da Toyota no Brasil. Durante quase três décadas, o complexo ficou conhecido principalmente pela produção do Corolla Sedan, um dos modelos mais tradicionais da fabricante.
Além do Corolla, a unidade também produziu o Corolla Fielder, versão perua do veículo, e participou de diferentes etapas da fabricação de componentes automotivos.
Ao longo de sua história, a fábrica ultrapassou a marca de 1 milhão de veículos produzidos, contribuindo para consolidar a presença da montadora japonesa no mercado nacional.
A reorganização das operações foi anunciada em 2024, quando a Toyota informou que concentraria a fabricação do Corolla em Sorocaba.
A despedida aconteceu em junho de 2026. No dia 19 daquele mês, a unidade produziu seu último automóvel, um Corolla Altis Premium híbrido. O veículo foi apresentado aos funcionários durante uma cerimônia realizada no dia seguinte.
Em 30 de junho, a montadora concluiu oficialmente o encerramento das atividades produtivas em Indaiatuba.
O que aconteceu com os funcionários da fábrica da Toyota?
O fechamento da unidade também provocou mudanças na vida dos trabalhadores. Durante as negociações, aproximadamente 1.470 funcionários estavam vinculados à fábrica, número que se aproxima de 1.500 profissionais.
Para organizar a transferência das operações, a Toyota negociou um acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região. Os trabalhadores puderam escolher entre continuar na empresa, com transferência para Sorocaba, ou aderir ao Programa de Demissão Voluntária (PDV).
Segundo informações divulgadas em junho de 2026, aproximadamente 150 funcionários aceitaram a transferência, enquanto quase mil optaram pelo desligamento voluntário.
Outros 400 trabalhadores temporários tiveram seus contratos encerrados no início de julho.
As negociações começaram em 2024 e foram acompanhadas por mobilizações dos funcionários, incluindo uma greve para reivindicar melhores condições de desligamento e garantias para quem desejasse permanecer na montadora.
Toyota ofereceu indenização de até 85 salários
Um dos principais pontos do acordo foi o pacote de indenizações oferecido aos funcionários que optassem pelo desligamento voluntário.
Pelas condições negociadas em maio de 2024, os trabalhadores poderiam receber o equivalente a 45 salários, acrescidos de outros dois salários para cada ano de serviço na empresa.
Na prática, um funcionário com 20 anos de trabalho na Toyota poderia receber uma indenização correspondente a 85 salários.
O pagamento seria realizado sem prejuízo das demais verbas rescisórias previstas em lei.
O acordo também estabeleceu a manutenção de benefícios por 36 meses após o desligamento, incluindo assistência médica e cartão de alimentação, conforme as condições negociadas.
Na época, representantes sindicais consideraram o pacote um dos maiores já negociados com uma fabricante de automóveis no Brasil.
Funcionários transferidos terão estabilidade até 2029
Os profissionais que decidiram continuar na Toyota também receberam condições específicas para a mudança de cidade.
O acordo estabeleceu estabilidade no emprego até julho de 2029 para os funcionários transferidos de Indaiatuba para Sorocaba.
Além disso, foram previstas compensações financeiras para auxiliar na adaptação ao novo local de trabalho.
Quem aceitou a transferência sem mudar de residência teria direito a uma quantia equivalente a dois salários, acrescida de R$ 15 mil.
Já os profissionais que optaram por mudar de cidade poderiam receber um adicional correspondente a 2,4 salários.
Outra condição estabelecida foi um prazo de sete meses para que os funcionários reconsiderassem a decisão de permanecer na empresa. Nesse período, poderiam solicitar o desligamento e acessar o pacote de indenização, com possibilidade de desconto dos valores já recebidos pela transferência.
Por que a Toyota fechou a fábrica de Indaiatuba?
O encerramento das atividades em Indaiatuba está relacionado à estratégia da Toyota de modernizar e reorganizar sua estrutura industrial no Brasil.
Em vez de manter a produção distribuída entre diferentes complexos, a montadora decidiu concentrar a fabricação de automóveis em Sorocaba, onde pretende integrar etapas produtivas e ampliar a eficiência das operações.
A mudança também está ligada à preparação da empresa para fabricar novos modelos e ampliar a participação de veículos eletrificados no mercado brasileiro.
Entre as prioridades da Toyota estão os automóveis híbridos e a tecnologia híbrida flex, que combina motor elétrico com propulsores a combustão capazes de utilizar gasolina ou etanol.
Dessa maneira, o fechamento da unidade histórica representa uma mudança na estratégia industrial da companhia, e não um abandono do mercado brasileiro.
Toyota investe mais de R$ 11 bilhões em novas fábricas
Enquanto encerrou a produção em Indaiatuba, a montadora avança com um programa de investimentos superior a R$ 11 bilhões até 2030.
O planejamento prevê modernização das instalações, ampliação da capacidade industrial e desenvolvimento de novos veículos.
Uma das principais iniciativas é a construção de uma segunda fábrica em Sorocaba, que deverá receber a produção do Corolla Sedan.
A inauguração da nova unidade foi anunciada para o início de novembro de 2026. O complexo foi projetado para concentrar diferentes etapas da fabricação, como estamparia, funilaria, pintura e montagem.
A expansão também deverá acrescentar aproximadamente 100 mil veículos por ano à capacidade produtiva da Toyota no Brasil.
Montadora prevê criar 2 mil empregos até 2030
A ampliação das operações em Sorocaba também deverá gerar novas oportunidades de trabalho.
De acordo com as projeções divulgadas pela fabricante, os investimentos poderão resultar na criação de aproximadamente 2 mil empregos diretos até 2030.
As contratações estão relacionadas à expansão das linhas de produção e à preparação das instalações para receber novos modelos.
O crescimento das atividades também poderá beneficiar fornecedores de componentes, transportadoras e empresas prestadoras de serviços ligadas à cadeia automotiva.
Além das unidades de Sorocaba, a Toyota mantém uma fábrica de motores em Porto Feliz, também no interior de São Paulo.
Assim, o encerramento da unidade de Indaiatuba marca o fim de uma etapa de quase três décadas na história da montadora no Brasil. Ao mesmo tempo, a empresa direciona seus investimentos para novos complexos industriais, tecnologias híbridas e ampliação da produção nacional.
RESUMO
Toyota encerrou a fábrica de Indaiatuba (SP) em 30 de junho de 2026, após 28 anos de atividades e mais de 1 milhão de veículos produzidos.
Cerca de mil funcionários aderiram ao programa de demissão voluntária, com indenizações que poderiam chegar a 45 salários mais dois por ano trabalhado. Outros 150 foram transferidos para Sorocaba.
A montadora investe mais de R$ 11 bilhões no Brasil até 2030, com expansão industrial em Sorocaba e previsão de gerar cerca de 2 mil empregos diretos.



