Após receber ameaças de morte, presidente do Supremo da Bolívia foge do país | aRede
PUBLICIDADE

Após receber ameaças de morte, presidente do Supremo da Bolívia foge do país

Romer Saucedo, de 38 anos, diz que sofre perseguição do governo de Rodrigo Paz, de centro-direita, e que teme ser preso ou assassinado

Presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Romer Saucedo
Presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Romer Saucedo -

Da Redação

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Bolívia, Romer Saucedo, afirmou ter deixado o país nesta quinta-feira (5), após receber ameaças de morte e temer pela segurança da família. A saída ocorre em meio a investigações criminais contra o magistrado, que também acusa o governo do presidente Rodrigo Paz de perseguição política.

Segundo o Ministério Público boliviano, Saucedo é alvo de pelo menos duas investigações e teve uma ordem de prisão expedida na quarta-feira (4). O procurador-geral interino, José Armando Urioste, informou que pretende solicitar à Interpol a emissão de um alerta vermelho para localizar o juiz, de 38 anos.

Em publicação na rede social X (antigo Twitter), Saucedo afirmou que teme ser preso ou assassinado por contrariar interesses políticos. Ele citou o assassinato do magistrado Víctor Hugo Claure, do Tribunal Agroambiental, morto a tiros em Santa Cruz, em abril deste ano.

“Mataram-no porque afetou interesses de corruptos e são cúmplices aqueles que até hoje encobrem esse fato. Não quero que me aconteça o mesmo, por isso prefiro ir-me embora”, escreveu.

O presidente do TSJ negou responder a processos criminais em andamento, mas disse acreditar que novas ações poderão ser abertas contra ele.

Saucedo também afirmou que não pretende renunciar ao cargo e que voltará à Bolívia quando considerar que a segurança dele e da família está garantida.

“O governo já tem um acordo com quem se pretende que exerça a minha suplência. Quero dizer-lhes uma coisa muito clara: ¡NÃO VOU RENUNCIAR AO CARGO QUE ME DEU O VOTO DO POVO CRUZEÑO!”, publicou.

Suprema Corte aguarda retorno do magistrado

A Suprema Corte boliviana decidiu esperar seis dias pelo retorno de Saucedo antes de escolher um novo presidente. Durante esse período, a decana Rosmery Ruiz ficará responsável pelas funções do cargo.

Caso o magistrado não se apresente dentro do prazo estabelecido, poderá perder a posição.

Investigação envolve tráfico de drogas

Em entrevista à imprensa, o procurador-geral interino, José Armando Urioste, afirmou que a ordem de prisão contra Saucedo foi emitida na quarta-feira (4), pelos crimes de tráfico de substâncias controladas e associação criminosa.

O procurador não detalhou qual seria o envolvimento do magistrado nos crimes. Segundo ele, as investigações estão sob sigilo e contam com a colaboração de testemunhas protegidas.

As autoridades bolivianas também não confirmaram se Saucedo deixou efetivamente o território nacional. De acordo com Urioste, os registros migratórios indicam que o juiz entrou na Bolívia na terça-feira (3), mas não apontam uma saída posterior.

A principal suspeita é de que ele tenha cruzado a fronteira por via terrestre.

Caso envolve outros integrantes do Judiciário

A investigação contra Saucedo ocorre em meio a operações contra integrantes do sistema judiciário boliviano. Desde outubro, funcionários de alto escalão foram detidos por suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas.

Entre os investigados está o ex-procurador-geral Roger Mariaca, preso após os Estados Unidos cancelarem os vistos dele e de outros funcionários e empresários da Bolívia, Colômbia, Peru e Equador.

O governo norte-americano acusa Mariaca de receber subornos para facilitar o tráfico de drogas e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça.

O vice-ministro do Interior da Bolívia, Peter Maldonado, relacionou a saída de Saucedo ao caso do ex-procurador. “Muitos dos cúmplices de Mariaca e da criminalidade estão fugindo”, afirmou à imprensa local.

Rodrigo Paz comenta saída do presidente do TSJ

Na quarta-feira (4), o presidente boliviano Rodrigo Paz comentou o caso durante um encontro empresarial na Espanha. Segundo ele, Saucedo deixou o país em meio a uma série de acusações e investigações relacionadas ao sistema judiciário.

Saucedo assumiu a presidência da Suprema Corte em janeiro de 2025 e apoiava iniciativas do governo Paz voltadas à ampliação da transparência das instituições.

O magistrado também reconheceu ter amizade com Nadia Beller, ex-candidata ao Congresso que sobreviveu a uma tentativa de assassinato em agosto. Na ocasião, ela acusou um ex-assessor presidencial de envolvimento no ataque.

RESUMO

Saída da Bolívia: Presidente da Suprema Corte, Romer Saucedo, afirma ter deixado o país após receber ameaças de morte contra ele e sua família.

Investigação criminal: Magistrado é investigado por tráfico de drogas e associação criminosa. Ministério Público emitiu ordem de prisão e pretende acionar a Interpol.

Disputa pelo cargo: Saucedo nega renunciar à presidência da Corte e tem seis dias para retornar à Bolívia antes de uma possível substituição.

CONTEÚDO DE MARCA

PUBLICIDADE