Endividamento atinge 81,6% das famílias brasileiras em outubro, aponta CNC
Inadimplência recua pelo segundo mês consecutivo, mas chega a 38,6% entre famílias com renda de até três salários mínimos

O endividamento das famílias brasileiras ficou praticamente estável em outubro, atingindo 81,6% dos lares do país. O índice representa uma leve queda em relação a setembro, quando 81,7% dos consumidores tinham dívidas a vencer. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta quinta-feira (5).
Apesar da pequena redução, o indicador permanece em um patamar historicamente elevado. Na prática, mais de oito em cada dez famílias brasileiras possuem algum compromisso financeiro, como cartão de crédito, empréstimos ou financiamentos.
Por outro lado, a inadimplência apresentou uma redução um pouco mais expressiva. O percentual de consumidores com contas em atraso caiu de 29,6% em setembro para 29,3% em outubro, alcançando o menor nível desde o início de 2026.
O tempo médio de atraso das dívidas também recuou, passando de 65,3 para 65,1 dias. Mesmo assim, 48,8% dos débitos em atraso ultrapassam 90 dias. Além disso, 19,3% das famílias comprometem mais da metade da renda mensal com o pagamento de dívidas.
Famílias de menor renda enfrentam mais dificuldades
A CNC aponta que o endividamento representa uma situação de maior vulnerabilidade para os consumidores de menor poder aquisitivo. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, a inadimplência subiu de 38,5% em setembro para 38,6% em outubro.
Nesse mesmo grupo, 18,3% das famílias afirmaram que não terão condições de quitar as contas atrasadas.
"O estrato que recebe até três salários mínimos registrou aumento nessa taxa de inadimplência em outubro, subindo para 38,6% (contra 38,5% em setembro). Nesse mesmo segmento mais vulnerável, o percentual de famílias que admitem que não terão condições de quitar seus débitos atrasados fechou o mês em 18,3%”, detalhou o economista-chefe da entidade, Fabio Bentes.
A pesquisa também identificou mudanças na percepção dos consumidores sobre suas dívidas. O percentual de famílias que se consideram muito endividadas caiu para 16,8%, enquanto a parcela que se considera pouco endividada aumentou para 35,8%.
Endividamento varia conforme a renda familiar
Na análise por faixa de renda, as famílias que recebem mais de dez salários mínimos registraram a maior redução no endividamento, de 71,9% para 71,5%.
Em contrapartida, entre os consumidores com renda de cinco a dez salários mínimos, o indicador avançou de 77,9% para 79,3%.
Na inadimplência, as famílias com renda de até três salários mínimos foram as únicas a apresentar aumento em outubro. Já entre aquelas que recebem mais de dez salários mínimos, o índice permaneceu estável em 15%.
RESUMO
Endividamento elevado: 81,6% das famílias brasileiras tinham dívidas em outubro, ante 81,7% em setembro.
Inadimplência recua: Índice caiu de 29,6% para 29,3%, atingindo o menor nível desde o início do ano.
Famílias vulneráveis: Inadimplência aumentou entre quem recebe até três salários mínimos, chegando a 38,6%.



