Fintech da Faria Lima é investigada por esquema de R$ 1 bilhão em bets
Alvo da Operação Azzardo da PCDF, a instituição A55 atuava na intermediação financeira de apostas clandestinas e lavagem de dinheiro

A fintech A55 Sociedade de Crédito Direto, sediada na Faria Lima, em São Paulo, e empresas do mesmo grupo movimentaram cerca de R$ 1 bilhão em transações financeiras ligadas a um esquema de apostas ilegais e lavagem de dinheiro. A instituição foi um dos alvos da "Operação Azzardo", deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) nesta quinta-feira (05).
De acordo com a corporação, a empresa possuía autorização do Banco Central para atuar como Sociedade de Crédito Direto (SCD). As investigações apontaram que a fintech funcionava como uma das principais estruturas financeiras do grupo criminoso. Em julho deste ano, o Banco Central do Brasil havia divulgado publicamente a intenção de cancelar a autorização de funcionamento da instituição.
A A55 já havia ganhado repercussão nacional anteriormente ao cancelar, sob alegação de irregularidades e movimentações atípicas, uma conta usada pelo advogado Willer Tomaz de Souza para enviar recursos à plataforma de apostas Blaze. O Metrópoles procurou a fintech, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem, mantendo o espaço aberto para manifestações.
ESTRUTURA DO ESQUEMA
Segundo a PCDF, pagamentos de apostadores via Pix eram direcionados a diversas contas na A55. Em seguida, parte dos valores era repassada para empresas investigadas e casas de apostas sem autorização federal.
A operação foi deflagrada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) após cinco meses de apuração. A ação mobilizou cerca de 200 policiais civis para o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.
A investigação revelou a utilização de dezenas de empresas de fachada para disfarçar a origem do dinheiro. Algumas declaravam atividades sem relação com apostas, como comércio de artigos de tarô e assistência psicossocial em Sobradinho. Em Ceilândia, os policiais identificaram dez empresas registradas em um mesmo lote e com o mesmo telefone corporativo, criadas principalmente entre fevereiro e julho de 2026 com capitais sociais idênticos.
DECISÃO JUDICIAL E BLOQUEIOS
Diante das evidências, o Juízo das Garantias de Sobradinho determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões pertencentes aos investigados. A ordem judicial também estabeleceu a suspensão dos registros de 100 empresas e proibiu os envolvidos de abrir novas contas bancárias pelo prazo de 90 dias.
Além disso, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas. Os suspeitos poderão responder por crimes cujas penas somadas alcançam até 33 anos de reclusão.
As informações são do Metrópoles.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Investigação e alvos: A PCDF deflagrou a Operação Azzardo contra um esquema de apostas ilegais que movimentou R$ 1 bilhão via fintech A55 Sociedade de Crédito Direto, na Faria Lima (SP).
- Empresas de fachada: O grupo utilizava dezenas de empresas fictícias no DF e em cinco estados, registradas sob atividades diversas (como lojas de tarô), para mascarar repasses do esquema.
- Medidas judiciais: A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões, a suspensão de 100 empresas, a proibição de abertura de contas por 90 dias e a quebra de sigilo de 165 pessoas e empresas.



