Paraguai: entenda por que Peña pode sofrer impeachment após crise no banco Ueno | aRede
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Paraguai: entenda por que Peña pode sofrer impeachment após crise no banco Ueno

Pedido de impeachment contra Santiago Peña envolve suspeitas de conflito de interesses e irregularidades no banco Ueno, que teve a liquidação determinada pelo Banco Central.

Deputados paraguaios se reuniram em sessão extraordinária para discutir o processo de impeachment do presidente.
Deputados paraguaios se reuniram em sessão extraordinária para discutir o processo de impeachment do presidente. -

Michele Garcia

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A crise envolvendo o banco digital Ueno colocou o presidente do Paraguai, Santiago Peña (Partido Colorado), no centro de uma disputa política que pode resultar em seu impeachment. Nesta quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados iniciou a discussão de um pedido de julgamento político contra o presidente e o vice-presidente Pedro Alliana. A iniciativa foi apresentada por parlamentares da oposição e ganhou força após a crise financeira da instituição, que deixou milhões de clientes sem acesso às próprias contas.

O pedido de impeachment foi protocolado inicialmente por 35 deputados, que acusam Peña de conflito de interesses, possíveis irregularidades envolvendo recursos de fundos previdenciários e omissão de autoridades na fiscalização do banco. O presidente teve participação acionária no Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025, dois anos depois de assumir o governo. Essa ligação comercial está entre os principais pontos questionados pelos parlamentares.

Como começou a crise bancária

O Ueno Bank teve sua liquidação determinada pelo Banco Central do Paraguai em 3 de novembro, após a identificação de problemas graves de solvência. A instituição, que atendia aproximadamente 3 milhões de clientes, não apresentava recursos suficientes para cumprir suas obrigações financeiras. A situação foi agravada por operações de crédito envolvendo empresas relacionadas ao próprio grupo controlador.

O banco também administrava aproximadamente US$ 850 milhões (cerca de R$ 4,63 bilhões) em recursos públicos, incluindo valores do Instituto de Previdência Social (IPS), destinados ao pagamento de aposentadorias e outros benefícios. Após a intervenção, clientes encontraram dificuldades para acessar suas contas, entre eles aposentados que recebiam pagamentos por meio da instituição.

A crise também provocou consequências na estrutura financeira do país. Carlos Carvallo renunciou à presidência do Banco Central, enquanto o Ministério Público abriu uma investigação criminal para apurar possíveis irregularidades nas operações do Ueno.

Oito pessoas ligadas à direção do banco foram detidas. Além disso, a Procuradoria apresentou acusações formais contra 27 pessoas relacionadas à instituição e a empresas do grupo, por suspeitas de crimes como lesão de confiança, conduta indevida em situações de crise e tentativa de fraude. A Justiça também foi acionada para determinar medidas cautelares contra os investigados.

O que pode acontecer com o presidente

Para que o pedido de impeachment avance, é necessária a aprovação de dois terços dos deputados presentes na sessão. Se a acusação for aprovada na Câmara, o processo seguirá para o Senado, responsável pelo julgamento. Na Casa Alta, também será necessária uma maioria de dois terços para que o presidente seja afastado definitivamente.

A movimentação política ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira. Segundo a agência Reuters, o presidente da Câmara dos Deputados, Basilio Núñez, e o líder do Partido Colorado, Horacio Cartes, retiraram o apoio a Peña, aumentando o isolamento político do presidente em meio à discussão.

Diante da repercussão, Peña anunciou um acordo com lideranças do Congresso para acelerar a votação de um projeto que prevê ampliar a cobertura do Fundo de Garantia de Depósitos e permitir a devolução dos recursos aos clientes afetados. O governo também defendeu a responsabilização dos envolvidos em eventuais irregularidades.

A crise, portanto, ultrapassou o setor bancário e passou a representar um desafio político para o governo paraguaio. Além das consequências para milhões de clientes e para os recursos públicos, o caso levantou questionamentos sobre a relação entre interesses privados, autoridades governamentais e os mecanismos de fiscalização do sistema financeiro.

Resumo

Deputados discutem pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña em meio à crise do banco digital Ueno.

Instituição tinha cerca de 3 milhões de clientes e administrava US$ 850 milhões em recursos públicos.

Investigação envolve suspeitas de irregularidades financeiras, ligação do presidente com o grupo controlador e falhas na fiscalização.

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