Chefe do Banco Central do Paraguai renuncia após crise no Ueno
Carlos Carvallo deixou o comando do Banco Central a pedido do presidente Santiago Peña, em meio ao processo de resolução da instituição, que tem cerca de 3 milhões de clientes.

O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo em meio à crise do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país. A saída ocorreu a pedido do presidente paraguaio, Santiago Peña, após o início do processo de resolução do banco, que enfrenta problemas de solvência.
A renúncia foi formalizada na terça-feira (3). Carvallo havia informado inicialmente que permaneceria no cargo durante o procedimento para garantir a continuidade dos trabalhos. Nesta quarta-feira (4), a diretora Liana Caballero assumiu interinamente a presidência do Banco Central.
A crise também levou o Ministério Público paraguaio a solicitar a abertura de uma investigação criminal sobre a instituição. Oito dirigentes ligados ao banco tiveram a prisão determinada pelas autoridades, em apurações que envolvem suspeitas de irregularidades na gestão e na concessão de empréstimos a empresas relacionadas ao grupo controlador.
Relações políticas entram no centro da crise
A saída de Carvallo ocorre em meio a questionamentos sobre a fiscalização do Ueno Bank e as relações políticas envolvendo a instituição.
Antes de assumir o comando do Banco Central, em 2023, Carvallo presidiu o Ueno. Já Santiago Peña foi sócio do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025.
A instituição passou a enfrentar maior pressão após a identificação de problemas em seu índice de solvência, que ficou abaixo de 50% do mínimo exigido pela regulamentação paraguaia. O Banco Central iniciou o procedimento de resolução em 2 de novembro, com o objetivo de proteger os depositantes e preservar a estabilidade financeira.
Auditores foram designados para avaliar a situação patrimonial da instituição. Durante o processo, agências permaneceram fechadas e os clientes ficaram temporariamente sem acesso aos serviços bancários e à movimentação de recursos pelo aplicativo.
Banco tem cerca de 3 milhões de clientes
O Ueno Bank possui aproximadamente 3 milhões de clientes e administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos. Entre os correntistas estão aposentados que recebem benefícios por meio da instituição.
A situação também envolve recursos do Instituto de Previdência Social (IPS), estimados em aproximadamente US$ 380 milhões, segundo informações divulgadas durante a crise.
O Banco Central informou que os depósitos estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos, com cobertura de até 75 salários mínimos por cliente, valor equivalente a aproximadamente US$ 38 mil. A estimativa é de que cerca de 97% dos depositantes tenham os valores integralmente cobertos pela garantia.
Nesta quarta-feira (4), a autoridade monetária anunciou que trabalha para iniciar os pagamentos aos correntistas. A previsão é de um primeiro repasse de até 10 milhões de guaranis por depositante, com pagamentos posteriores para completar os valores cobertos pela garantia.
O governo paraguaio também articula medidas legislativas para acelerar a devolução dos recursos aos clientes e garantir a recuperação de fundos públicos e de aposentadoria.
Crise preocupa autoridades e investidores
A situação do Ueno Bank provocou preocupação sobre a fiscalização do sistema financeiro paraguaio e os impactos na confiança de investidores. O Banco Central, porém, afirmou que o caso é específico da instituição e não representa um problema generalizado no setor bancário do país.
Resumo
Carlos Carvallo renunciou à presidência do Banco Central do Paraguai após o início do processo de resolução do Ueno Bank.
A instituição tem cerca de 3 milhões de clientes e administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos.
O governo anunciou medidas para acelerar a devolução dos depósitos, com previsão de um primeiro pagamento de até 10 milhões de guaranis por cliente.



