Caso Deltan: Curi descarta disputar nova eleição ao Senado
Terceiro colocado na disputa de outubro, presidente da Alep ainda pode assumir a vaga sem voltar às urnas, a depender de decisão do TSE

O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi (Republicanos), afirmou na terça-feira (3) que não pretende disputar uma eventual nova eleição ao Senado caso a Justiça Eleitoral confirme a inelegibilidade de Deltan Dallagnol (Novo). Curi, terceiro colocado em outubro, ainda pode assumir a vaga sem eleição, a depender do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Eu não pretendo disputar uma nova eleição, não. Acho que disputei essa eleição, sou muito grato à população paranaense pelos quase 2 milhões de votos. Tenho que agradecer e respeito a vontade da maioria da população paranaense”, afirmou Curi.
Na eleição de outubro, Filipe Barros (PL) foi o mais votado para o Senado, com 3.148.583 votos, seguido por Deltan, com 2.904.594. Curi terminou em terceiro, com 1.947.135 votos.
Ação pede anulação dos votos de Deltan
A possibilidade de Curi assumir o mandato está ligada a uma ação apresentada pela Coligação Paraná para Todos e pela Federação Brasil da Esperança, integrada pelo PT.
Os autores pedem que os 2.904.594 votos de Deltan sejam anulados caso o registro dele seja indeferido em definitivo. A ação também pede que a Justiça Eleitoral refaça a contagem e declare Curi eleito para a segunda vaga do Paraná no Senado.
O argumento é que Deltan recebeu menos de 50% dos votos válidos, o que, segundo os autores, permitiria a retotalização sem eleição suplementar. Outra interpretação jurídica defende a realização de nova votação por se tratar de eleição majoritária. Caberá ao TSE decidir qual regra será aplicada.
Curi diz que não é parte da ação
Curi afirmou que não pretende participar da disputa judicial, embora pudesse ter questionado a candidatura do adversário.
“Eu não sou parte dessa ação. Poderia ter ingressado com uma ação antes, durante ou após as eleições e entendi que não é da minha forma fazer isso. Não contestei, não judicializei. Tenho acompanhado muito pouco”, declarou.
“Foi uma eleição nacionalizada, em que essa polarização foi muito forte. Mesmo assim, consegui quase 2 milhões de votos, que é uma votação muito expressiva”, avaliou o deputado.
Entenda o caso Deltan
A disputa judicial tem origem na cassação do mandato de deputado federal de Deltan, em 2023. Na ocasião, o TSE entendeu que ele deixou o Ministério Público Federal enquanto respondia a procedimentos administrativos, situação enquadrada na Lei da Ficha Limpa.
Em setembro deste ano, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) aprovou a candidatura de Deltan ao Senado por quatro votos a três, mas a decisão foi contestada.
Às vésperas da eleição, o ministro Floriano de Azevedo Marques indeferiu o registro. A decisão foi suspensa depois pelo presidente do TSE, Nunes Marques, o que permitiu a contabilização dos votos até o julgamento definitivo.
Curi deixa a Assembleia em janeiro
Após seis mandatos consecutivos como deputado estadual, Curi deixará a Assembleia em janeiro de 2027. Segundo ele, a prioridade é concluir a gestão como presidente do Legislativo, sem se envolver na disputa pela vaga de Deltan.
“Eu respeito o resultado das urnas e estou trabalhando para que possa encerrar minha gestão como presidente da Assembleia”, concluiu.
Com informações do Diário do Sudoeste.
RESUMO
Recusa de nova disputa: O presidente da Alep, Alexandre Curi (3º colocado ao Senado em outubro), declarou que não participará de uma eventual eleição suplementar no Paraná e que respeita a vontade das urnas.
Improcedência de ação judicial própria: Curi afirmou não ser parte da ação movida por coligações (como a do PT) que pedem a anulação dos votos de Deltan Dallagnol e a retotalização direta para lhe conceder a segunda vaga.
Incerteza sobre a vaga no TSE: A definição da segunda vaga depende de julgamento definitivo do TSE sobre o registro de Deltan, cabendo à Corte decidir se haverá posse do próximo colocado ou convocação de novo pleito majoritário.



