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Multinacional francesa fecha fábrica no Brasil após 75 anos de produção

Isover encerrou fabricação de lã de vidro em unidade de São Paulo; empresa manterá vendas no país com produtos importados

A única fábrica da empresa no país, localizada em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, interrompeu a fabricação
A única fábrica da empresa no país, localizada em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, interrompeu a fabricação -

Publicado por Lilian Magalhães

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A multinacional francesa Saint-Gobain encerrou a produção industrial de sua marca Isover no Brasil após 75 anos de atividades. A única fábrica da empresa no país, localizada em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, interrompeu a fabricação de materiais de lã de vidro em 4 de julho de 2026.

Com a decisão, os produtos que antes eram fabricados em território nacional passarão a ser importados de outras unidades industriais da companhia. Apesar do fim da produção brasileira, a empresa pretende manter a comercialização dos materiais no mercado nacional e utilizar parte da antiga estrutura como centro de operações logísticas.

A fábrica iniciou as atividades em 1951 e produzia materiais utilizados principalmente na construção civil e na indústria. Entre os itens estavam mantas, painéis, feltros e tubos isolantes, aplicados no controle de temperatura e na redução de ruídos em imóveis, equipamentos e sistemas de climatização.

Isover encerra produção após 75 anos no Brasil

A unidade de Santo Amaro era responsável pela fabricação nacional de lã de vidro da Isover. O encerramento das atividades industriais incluiu o desligamento do forno utilizado na fusão do vidro, etapa fundamental do processo produtivo.

A decisão altera o modelo de abastecimento da companhia no Brasil. A Isover conta com uma estrutura internacional de aproximadamente 60 unidades industriais em 28 países, que poderão atender à demanda do mercado brasileiro.

Parte do complexo paulista deverá continuar sendo utilizada, mas com outra finalidade. O espaço será adaptado para receber, armazenar e distribuir produtos importados.

Fechamento afeta cerca de 150 trabalhadores

A operação da fábrica envolvia aproximadamente 100 funcionários diretos e outros 50 profissionais vinculados a atividades indiretas. A mudança, porém, não significa necessariamente que todos tenham sido demitidos, já que a empresa pretende manter atividades logísticas no local.

O encerramento da produção também ocorreu após anos de questionamentos sobre impactos da atividade industrial na vizinhança. Moradores da região relataram problemas relacionados a barulho, odores e fumaça.

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) acompanhou a situação e identificou irregularidades ambientais em fiscalizações realizadas entre 2023 e 2025. A empresa informou ter adotado medidas para reduzir os impactos e afirmou cumprir as exigências ambientais aplicáveis.

Acordo estabeleceu encerramento das atividades

Em dezembro de 2025, a Isover assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de São Paulo e a Cetesb. O documento estabeleceu compromissos relacionados à interrupção da produção e à desativação progressiva da estrutura industrial.

O desligamento definitivo do forno, em julho de 2026, marcou uma das etapas do processo. A desmontagem de equipamentos, a retirada de estruturas e a destinação de resíduos devem continuar nos próximos anos, com algumas atividades previstas até 2028.

A Saint-Gobain, no entanto, não está encerrando todas as operações industriais no Brasil. O grupo francês mantém outras fábricas no país, em diferentes segmentos ligados à construção civil e ao fornecimento de materiais para a indústria.

Dessa forma, o fechamento representa o fim da fabricação nacional de lã de vidro da Isover, mas não a saída da marca do mercado brasileiro. A empresa continuará atendendo clientes no país por meio de produtos importados e de sua estrutura comercial e logística.

Leia um resumo

- A Isover, marca do grupo francês Saint-Gobain, encerrou em julho de 2026 a produção de lã de vidro em sua única fábrica brasileira, em São Paulo.

- A unidade mantinha cerca de 100 funcionários diretos e outros 50 ligados a atividades indiretas; o número não representa necessariamente o total de demissões.

- A empresa continuará vendendo no Brasil, com produtos importados, e pretende adaptar parte da antiga fábrica para operações logísticas.

CONTEÚDO DE MARCA

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