Mãe de motociclista morto em acidente no PR promete lutar por justiça
Empresário que atingiu Lucas Orozimbo, de 32 anos, foi liberado após pagar R$ 32,4 mil de fiança; investigação apura embriaguez, avanço de sinal e excesso de velocidade

A morte do motociclista Lucas Orozimbo, de 32 anos, em um acidente de trânsito em Londrina, no Norte do Paraná, mobiliza a família em busca de justiça. O jovem trabalhava como vigilante quando foi atingido por um carro conduzido pelo empresário João Henrique Venturine Vecchi, de 37 anos, na madrugada de quinta-feira (29).
O motorista foi preso em flagrante, mas deixou a prisão na manhã de sexta-feira (30), após pagar R$ 32.420 de fiança, equivalente a 20 salários mínimos. Ele foi inicialmente autuado por homicídio culposo na direção de veículo automotor, com agravante de embriaguez.
Lucas foi sepultado na manhã de sexta-feira. Após a despedida, a mãe dele, Valdenice dos Santos, afirmou que pretende buscar justiça pela morte do filho. "Vou enterrar meu filho e depois eu vou lutar para que seja feita justiça por ele. Por ele, pelo filho dele, por mim, pela família", disse Valdenice.
Motorista pode responder por homicídio doloso
A investigação da Polícia Civil apura três possíveis fatores relacionados ao acidente: consumo de bebida alcoólica, excesso de velocidade e avanço do sinal vermelho.
Segundo o delegado responsável pelas diligências, Edgard Soriani, imagens de câmeras de segurança já analisadas indicam que o empresário atravessou o cruzamento com o semáforo fechado. "Já são duas negligências. A terceira seria o excesso de velocidade, se comprovada. Isso pode mudar a competência, porque ele foi autuado com homicídio culposo no trânsito, mas somados três fatores, embriaguez, excesso de velocidade e imprudência no sinal vermelho, isso pode somar dolo eventual e ele responder pelo homicídio do Código Penal, cuja pena pode chegar a 20 anos de prisão, e não de cinco a oito".
O delegado explicou que, caso os três fatores sejam confirmados, o enquadramento poderá mudar de homicídio culposo para homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual. Nesse cenário, o empresário poderá responder por um crime cuja pena pode chegar a 20 anos de prisão.
Atualmente, a investigação está sob responsabilidade da Delegacia de Trânsito de Londrina. O Instituto de Criminalística realiza perícias para determinar a velocidade dos veículos antes e no momento da colisão.
Também serão analisados o estado dos pneus, as marcas de frenagem, o funcionamento do odômetro do automóvel e as imagens de câmeras de segurança instaladas nas proximidades.
Empresário pagou R$ 32,4 mil de fiança
Após o acidente, o empresário foi encaminhado à Central de Flagrantes. Ele recusou a realização do teste do bafômetro, mas, segundo informações da investigação, teria admitido em depoimento que consumiu bebidas alcoólicas horas antes da colisão, em uma casa noturna.
Inicialmente, a defesa solicitou liberdade provisória na quinta-feira (29), mas o pedido foi negado pelo juiz plantonista. Na sexta-feira (30), uma nova decisão autorizou a soltura mediante pagamento de fiança de R$ 32.420.
O empresário deverá cumprir medidas cautelares, incluindo: proibição de frequentar bares e casas noturnas; recolhimento domiciliar das 20h às 6h; recolhimento domiciliar aos finais de semana e suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Segundo o delegado Edgard Soriani, caso o enquadramento permaneça como homicídio culposo no trânsito, existe a possibilidade de aplicação de medidas alternativas, incluindo um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), com ressarcimento à família da vítima.
Se houver mudança para homicídio doloso, o caso poderá ser submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Novas testemunhas ainda devem ser ouvidas.
Acidente foi registrado por câmeras de segurança
A colisão aconteceu no cruzamento da Rua Goiás com a Avenida Juscelino Kubitschek, na região central de Londrina.
Imagens de câmeras de segurança mostram Lucas trafegando de motocicleta pela Rua Goiás. Ao chegar ao cruzamento, ele foi atingido pelo automóvel. Com a força do impacto, o carro arrastou a motocicleta e bateu contra um poste. O vigilante morreu no local.
De acordo com o delegado Roberto Fernandes, o motorista afirmou que dirigia a 50 km/h. Entretanto, a análise das imagens indica que a velocidade poderia ser superior. "Ele disse que estava a 50 km/h. Pelas imagens, percebe-se que estava além disso. Mas isso depende do laudo pericial", relatou o delegado.
Defesa lamenta morte e aguarda processo
Em manifestação sobre o caso, a defesa de João Henrique Venturine Vecchi lamentou a morte de Lucas e apresentou condolências aos familiares e amigos.
“A defesa do acusado manifesta seu profundo pesar pelo falecimento da vítima e apresenta suas sinceras condolências aos familiares e amigos, reconhecendo a gravidade da perda e a dor decorrente desse acontecimento.
Em respeito à apuração dos fatos e à seriedade que o caso exige, a defesa reserva suas manifestações aos autos do processo, perante o Poder Judiciário, onde apresentará os esclarecimentos e fundamentos pertinentes ao exercício de sua atuação.”
Leia o resumo da notícia
Morte de vigilante e pedido de justiça: O vigilante Lucas Orozimbo, de 32 anos, morreu após ter sua moto atingida no cruzamento da Rua Goiás com a Avenida Juscelino Kubitschek, em Londrina, pelo empresário João Henrique Venturine Vecchi, cuja família da vítima cobra justiça.
Soltura sob fiança e cautelares: O empresário, que admitiu ter consumido álcool e recusou o bafômetro, foi preso em flagrante, mas solto após pagar R$ 32,4 mil de fiança e terá de cumprir medidas como CNH suspensa, restrição noturna e proibição de ir a bares.
Possível agravamento da pena: A Polícia Civil investiga se o motorista combinou embriaguez, avanço do sinal vermelho e excesso de velocidade; caso comprovados os três fatores, o crime pode mudar de homicídio culposo para homicídio doloso (dolo eventual), indo a júri popular e podendo chegar a 20 anos de prisão.



