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Operação investiga facção que trocava drogas por assinaturas no Paraná

Segundo o Gaeco, entorpecentes eram oferecidos a pessoas que assinassem projeto de lei sobre visitas íntimas em presídios; sete mandados de prisão foram cumpridos

As diligências foram realizadas em Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, no Paraná
As diligências foram realizadas em Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, no Paraná -

Michele Garcia

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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR), cumpriu sete mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão nesta quarta-feira (28), durante a segunda fase da Operação Umbra, denominada Umbra II. A investigação apura a atuação de uma facção criminosa no Norte do Paraná e em outras cidades.

As diligências foram realizadas em Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, no Paraná, além de Avaré e Marília, em São Paulo. As ordens judiciais foram autorizadas pelo Juízo das Garantias da 5ª Vara Criminal de Londrina.

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Operação investiga facção que trocava drogas por assinaturas no Paraná | Autor: gaeco

Investigação apura tráfico e comércio de armas

Segundo o Gaeco, a investigação busca esclarecer a atuação de integrantes da organização criminosa em municípios atendidos pelo DDD 43, no Norte do Paraná. Entre as atividades investigadas estão o tráfico de drogas, o comércio de armas de fogo e o controle disciplinar dos membros da facção.

Durante as buscas, os agentes procuraram apreender celulares, drogas, armas, dinheiro e documentos relacionados às atividades investigadas. Os suspeitos poderão responder por crimes como favorecimento ao domínio social estruturado e tráfico de drogas.

Drogas eram trocadas por assinaturas

Um dos pontos da investigação é a suposta distribuição de entorpecentes em troca de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que pretendia flexibilizar as regras para visitas íntimas e conjugais em estabelecimentos prisionais.

De acordo com as apurações, a campanha era promovida pela facção em Londrina e região, com a meta de reunir 290 mil assinaturas em todo o país. Para incentivar a participação, integrantes do grupo ofereciam porções de drogas às pessoas que apresentassem assinaturas coletadas.

A prática era chamada internamente de “trabalho de revertimento”. Planilhas e registros apreendidos indicavam a quantidade de entorpecentes disponibilizada por cada ponto de venda em relação ao número de assinaturas obtidas. Em um dos registros, cada grama de cocaína correspondia a oito assinaturas.

Facção teria estrutura hierárquica

Conforme o Gaeco, a estrutura regional da organização era comandada por dois irmãos que ocupavam posições distintas na hierarquia criminosa.

Um deles seria responsável pela disciplina dos integrantes, pela intermediação de ordens da liderança nacional e pela gestão regional. O outro, apontado como responsável pela supervisão financeira e operacional das atividades no Paraná, também coordenaria o comércio de drogas a partir da zona sul de Londrina.

Os demais investigados exerceriam funções relacionadas à contabilidade da organização, à coordenação de pontos de venda de drogas, ao chamado “tribunal do crime” e à negociação de armas de fogo de grosso calibre, incluindo fuzis.

Suspeitos continuariam atuando de dentro dos presídios

As investigações também apontaram que parte dos suspeitos já estava presa em unidades penitenciárias do Paraná e de São Paulo, mas supostamente continuava exercendo funções na organização criminosa.

Mesmo privados de liberdade, eles teriam repassado orientações, negociado armamentos e administrado a distribuição de drogas. Para dificultar a identificação, utilizariam linhas telefônicas registradas em nome de terceiros.

Investigação apura duplo homicídio em Rolândia

O material reunido pelo Gaeco também indica a possível participação de dois investigados em um duplo homicídio ocorrido em 2024, em Rolândia, no Norte do Paraná. Segundo a linha investigativa, o crime teria sido cometido em nome da facção contra um homem apontado como integrante de um grupo rival. Uma criança também morreu na ocasião.

Um dos investigados relacionados ao caso teria fugido para o Paraguai e é considerado foragido da Justiça.

A Operação Umbra II é conduzida pelo Núcleo Regional de Londrina do Gaeco, que segue investigando a estrutura e as atividades atribuídas à organização criminosa.

Resumo

Operação Umbra II: Gaeco cumpriu sete mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão em cidades do Paraná e de São Paulo nesta quarta-feira (28).

Drogas por assinaturas: investigação aponta que a facção distribuía entorpecentes para incentivar assinaturas em um projeto de lei sobre visitas íntimas e conjugais em presídios.

Outros crimes investigados: grupo é suspeito de tráfico de drogas, comércio de armas e participação em um duplo homicídio ocorrido em 2024, em Rolândia, que também vitimou uma criança.

Com informações das Assessorias.

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