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Governo de SP volta a demitir tenente acusado de matar Leandro Lo

Henrique Otávio Velozo havia conseguido na Justiça a reintegração à Polícia Militar e retomado o recebimento de salário

O policial militar Henrique Otavio Oliveira Velozo, preso por ter matado o campeão mundial de jiu-jitsu Leandro Lo, em agosto de 2022
O policial militar Henrique Otavio Oliveira Velozo, preso por ter matado o campeão mundial de jiu-jitsu Leandro Lo, em agosto de 2022 -

Lucas Veloso

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), publicou nesta terça-feira (20) um novo decreto que restabelece a demissão do tenente da Polícia Militar Henrique Otávio Velozo, acusado de matar com um tiro na cabeça o campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo, em agosto de 2022.

A decisão ocorre após uma disputa judicial entre o governo paulista e a defesa do policial. Em setembro de 2025, Velozo havia sido demitido da corporação, mas conseguiu reverter temporariamente a medida por meio de uma decisão judicial.

Na ocasião, a Justiça determinou a reintegração do tenente à Polícia Militar, o que permitiu a retomada do vínculo com a corporação e a continuidade do recebimento de salário bruto mensal de R$ 14,6 mil.

Agora, o governo de São Paulo obteve uma decisão judicial que permite restabelecer a demissão antes do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça Militar no processo do Conselho de Justificação.

Com a nova medida, Tarcísio tornou sem efeito o decreto que havia suspendido a demissão anterior. Dessa forma, a punição administrativa publicada em setembro de 2025 volta a valer, e Velozo deixa novamente os quadros da Polícia Militar, com a perda do direito à remuneração como integrante da corporação.

O g1 procurou a defesa do tenente, que informou, por meio do advogado Claudio Dalledone, que pretende recorrer do decreto. “Uma decisão passível de recurso e que a defesa irá combater”, afirmou.

Velozo matou Leandro Lo em 2022 e foi absolvido pelo Tribunal do Júri de São Paulo no final do ano passado. Os jurados entenderam que o policial agiu em legítima defesa.

A defesa questionou a demissão publicada pelo governo paulista em setembro de 2025, sob o argumento de que a exclusão definitiva da corporação só poderia ocorrer após o esgotamento de todos os recursos. O ex-tenente chegou a obter uma liminar que suspendeu temporariamente a medida e garantiu o retorno do salário. Ainda cabe recurso aos tribunais superiores.

Relembre as mudanças na situação do policial

O caso teve diferentes desdobramentos ao longo dos últimos meses:

- Setembro de 2025: Henrique Otávio Velozo foi demitido pelo governo de São Paulo e deixou de receber o salário de R$ 14,6 mil.

- Outubro de 2025: conseguiu na Justiça a reintegração à Polícia Militar e voltou a receber a remuneração.

- Novembro de 2025: reassumiu o cargo após ser absolvido pelo Tribunal do Júri.

- Dezembro de 2025: o Comando-Geral da PM determinou novo afastamento das atividades policiais e o colocou em regime disciplinar específico. Ele ficou proibido de usar farda e passou a receber apenas um terço do salário.

- Fevereiro de 2026: a Justiça de São Paulo manteve a demissão do policial, mesmo após a absolvição na esfera criminal.

- Outubro de 2026: Tarcísio publicou novo decreto para restabelecer a demissão de Velozo da Polícia Militar.

Em fevereiro deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) derrubou a liminar que garantia o pagamento parcial e consolidou a perda do cargo e dos benefícios ligados à patente militar.

Segundo os desembargadores, a demissão é um “ato administrativo vinculado”. Na prática, isso significa que, após o Tribunal de Justiça Militar considerar o oficial “indigno para o oficialato” e determinar a perda do posto e da patente, cabe ao governador cumprir a decisão e efetivar a exclusão.

Na ocasião, o colegiado também rejeitou o argumento da defesa de que Velozo deveria permanecer no cargo até o trânsito em julgado, quando não há mais possibilidade de recurso. A decisão estabeleceu que eventuais recursos aos tribunais superiores não impedem a execução imediata da perda da patente.

A decisão de afastamento foi publicada no Diário Oficial em 1º de dezembro de 2025 e, segundo a publicação, tomada por unanimidade pelos integrantes do Conselho de Justificação da Polícia Militar.

Um dos principais pontos de insatisfação da corporação em relação ao caso é a conduta do policial após o homicídio. Segundo o relato, no dia do crime, Henrique Velozo não seguiu os protocolos da PM para comunicar esse tipo de ocorrência aos superiores.

Em vez de procurar imediatamente a chefia, ele deixou o local e foi a uma casa noturna. Na mesma noite, também esteve em um motel com uma prostituta antes de se entregar.

Confira um resumo da notícia:

Nova demissão: O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), publicou nesta terça-feira (20) um decreto que restabelece a demissão do tenente Henrique Otávio Velozo da Polícia Militar. Ele é acusado de matar o campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo, em 2022.

Disputa judicial: Velozo havia conseguido na Justiça a reintegração à corporação após ser demitido em setembro de 2025. O governo paulista obteve nova decisão para restabelecer a punição administrativa. A defesa do tenente afirmou que pretende recorrer.

Histórico do caso: Velozo foi absolvido pelo Tribunal do Júri no processo criminal, sob entendimento de legítima defesa. Apesar disso, decisões na esfera administrativa determinaram a perda do cargo e da patente militar, independentemente da absolvição criminal.

Com informações de g1.

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