'Milei mente sobre urnas e tenta interferir no processo eleitoral do Brasil', afirma Itamaraty
Ministério das Relações Exteriores divulgou nota em reação a um post do argentino no X. Milei disse esperar que a campanha de Lula não utilize 'artimanha' para 'roubar a eleição'

O Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty, criticou nesta terça-feira (20) declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, sobre as eleições brasileiras. Em nota, a pasta classificou as manifestações como uma “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”.
A reação ocorreu após Milei publicar, em uma rede social, um trecho de uma entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e afirmar que esperava que a “última artimanha suja da campanha” petista não envolvesse fraude eleitoral.
“Progressistas machistas. Depois, saem por aí acusando todos os seus oponentes de serem misóginos. A máscara desses criminosos está caindo... Espero que a última artimanha da campanha suja deles não envolva roubar a eleição... esquerdista ladrão”, escreveu o presidente argentino.
Declaração de Lula motivou publicação
O trecho compartilhado por Milei foi retirado de uma entrevista de Lula ao SBT, na qual o presidente comentou a escala de trabalho 6x1 e os impactos da jornada na rotina das mulheres.
“Vamos ser francos. Nós não podemos continuar numa escala de trabalho em que as pessoas trabalham seis dias e descansam só um. E você sabe que no caso das mulheres o dia que ela fica em casa é o dia que ela mais trabalha”, afirmou Lula.
Na nota, o Itamaraty classificou a postura de Milei como antidemocrática e incompatível com o comportamento esperado de um líder de um país vizinho e amigo.
“A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25”, declarou a pasta.
O ministério também defendeu a segurança do sistema brasileiro de votação eletrônica e afirmou que sua lisura foi confirmada por observadores internacionais de diferentes partes do mundo após o primeiro turno.
Atritos entre Brasil e Argentina
As declarações ocorrem a poucos dias do segundo turno das eleições brasileiras, marcado para domingo (25). Milei, identificado com a direita, apoia Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial.
O episódio se soma aos atritos diplomáticos entre Brasil e Argentina, intensificados após o governo brasileiro rebaixar o nível das relações bilaterais em resposta a críticas frequentes de Milei ao presidente Lula.
Como demonstração de descontentamento, o embaixador brasileiro na Argentina foi chamado a Brasília para consultas. Segundo o relato, a medida foi mantida até que cessem as declarações consideradas inéditas e grosseiras pelo Itamaraty.
Do lado argentino, o chanceler Pablo Quirno manifestou publicamente a expectativa de que a mudança ideológica observada na região também alcance o Brasil. Desde então, não houve avanços ou iniciativas de reaproximação entre os dois países.
RESUMO
Itamaraty reage: Governo brasileiro classificou as declarações de Javier Milei sobre as eleições como tentativa inaceitável de ingerência externa.
Críticas à eleição: Presidente argentino publicou mensagem insinuando possível fraude eleitoral e demonstrou apoio a Flávio Bolsonaro.
Crise diplomática: Relações entre Brasil e Argentina seguem desgastadas após ataques verbais de Milei contra Lula.



