COP17 reúne mais de 200 países para discutir biodiversidade nesta segunda | aRede
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COP17 reúne mais de 200 países para discutir biodiversidade nesta segunda

Conferência na Armênia avalia o cumprimento das metas globais de conservação e aponta atrasos na proteção dos ecossistemas

Conferência busca discutir estratégias e firmar acordos para combater a crise global de perda da biodiversidade
Conferência busca discutir estratégias e firmar acordos para combater a crise global de perda da biodiversidade -

Publicado Por Milena Batista

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Representantes de mais de 200 países se reúnem a partir desta segunda-feira (19), em Yerevan, capital da Armênia, para a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17). O encontro segue até o dia 30 de outubro e tem como foco discutir medidas para proteger e restaurar a natureza.

Nesta edição, será realizada a primeira revisão do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (GBF, na sigla em inglês), assinado por 196 países. O documento estabelece 23 metas que devem ser alcançadas até 2030.

Realizada a cada dois anos, a conferência busca discutir estratégias e firmar acordos para combater a crise global de perda da biodiversidade.

Conforme a Agência Brasil, na sexta-feira (16), o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou os desafios para cumprir os compromissos assumidos pelos países. Durante um discurso sobre o relatório que avalia o progresso coletivo na implementação do marco global, ele alertou que as ações ainda estão distantes do necessário para conter a perda de biodiversidade.

Entre os avanços, Guterres apontou que quase todos os países signatários estabeleceram metas nacionais. Também houve ampliação da proteção legal de 1,3 milhão de quilômetros quadrados de áreas terrestres e de 6 milhões de quilômetros quadrados de áreas marinhas.

Apesar disso, no ritmo atual, apenas 26% dos ecossistemas terrestres e 12% dos ecossistemas marinhos estarão protegidos até 2030, segundo o secretário-geral. Ele defendeu a aceleração das medidas para garantir o cumprimento das metas.

“Yerevan é o nosso momento de prestação de contas”, afirmou Guterres.

Biodiversidade em risco

Uma análise realizada pelo Global Cooperation Institute (GCI), a pedido do WWF, apontou atrasos na implementação de metas importantes e destacou que o nível de ambição de muitos países ainda é insuficiente.

Segundo os ambientalistas, os atuais modelos econômicos contribuem para a perda da biodiversidade e agravam outros problemas globais, como as mudanças climáticas, a escassez de água, a insegurança alimentar e os riscos à saúde.

O estudo também identificou que países com grande biodiversidade frequentemente arcam com custos elevados para conservar ecossistemas que proporcionam benefícios a todo o planeta. Por isso, o relatório defende ampliar o acesso ao financiamento, à capacitação e à cooperação internacional.

De acordo com o GCI, os custos não contabilizados desses impactos são estimados entre US$ 10 trilhões e US$ 25 trilhões por ano.

Para a diretora-geral do WWF Internacional, Kirsten Schuijt, a COP17 deve impulsionar ações concretas para cumprir os compromissos ambientais.

“A COP17 precisa levar os países a agir e implementar seus compromissos”, afirmou. Ela também destacou que a ação coletiva pode fortalecer a resiliência dos ecossistemas, aumentar a segurança dos sistemas alimentares e hídricos e reduzir a vulnerabilidade econômica.

Brasil terá participação estratégica

A delegação brasileira considera que o país tem papel estratégico na implementação do Marco Global da Biodiversidade, tanto pela riqueza de seus ecossistemas quanto pelas experiências de conservação que podem ser replicadas em outras partes do mundo.

Um dos temas que o WWF-Brasil pretende destacar durante a conferência é a conectividade entre áreas de conservação terrestres, de água doce e marinhas, por meio de corredores verdes e azuis. A proposta busca fortalecer a integração entre ecossistemas, ampliar a efetividade das áreas protegidas e contribuir para a sobrevivência das espécies.

“A conservação da biodiversidade exige olhar para além dos limites de áreas protegidas individuais e considerar os ecossistemas como sistemas interligados”, afirmou o diretor técnico de Biodiversidade do WWF-Brasil, Marcelo Oliveira.

A organização pretende defender a inclusão da conectividade ecológica no Programa de Trabalho sobre Áreas Protegidas, adotado em 2004, durante a COP7. A iniciativa busca fortalecer redes globais de áreas protegidas e conservadas.

“Proteger e reconectar paisagens terrestres, rios e ambientes marinhos e costeiros é fundamental para ampliar a efetividade da conservação e alcançar as metas de biodiversidade até 2030”, concluiu Oliveira.

RESUMO:

- COP17 reúne mais de 200 países na Armênia para avaliar o cumprimento das metas globais de proteção da biodiversidade estabelecidas até 2030.

- Avanços ainda são insuficientes: apesar da criação de metas nacionais e da ampliação de áreas protegidas, o ritmo atual não deve garantir a conservação necessária dos ecossistemas terrestres e marinhos.

- Brasil tem papel estratégico nas discussões: o WWF-Brasil defende a integração de áreas terrestres, de água doce e marinhas por meio de corredores ecológicos para fortalecer a conservação da natureza.

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